Microfranquia é oportunidade para retomada econômica durante e pós-covid-19

Microfranquia é oportunidade para retomada econômica durante e pós-covid-19

Modelo de negócio para microempreendedores sofre preconceito no franchising, mas é tão franquia quanto as outras e serve de opção com investimentos menores, como Kumon, Nutty Bavarian ou Home Angels

Ana Vecchi

17 de julho de 2020 | 06h01

Começo o artigo de hoje refletindo sobre aqueles que dizem que microfranquia não é franquia, as desqualifica por serem operações com investimento inicial de até R$ 90 mil, portanto são franquias baratas e/ou que, entre franqueadores de microfranquias, a maioria é picareta. Generalizar é sempre um posicionamento muito grave.

A meu ver há algumas possibilidades de “diagnóstico” sobre os que atacam este modelo de negócio: uma questão de ego porque não foi quem criou o termo nem o conceito de microfranquia, talvez porque precise polemizar para chamar a atenção sobre si ou, pior anda, não sabe nada sobre franchising.

O mesmo aconteceu quando lançamos o conceito de franquia social em 1994 /95 e gerou tanto, mas tanto questionamento e críticas infundadas, pelos mesmos motivos que citei acima. Porém, a evolução dessa prática foi coroada pela entrada em vigência da nova Lei de Franquia (nº 13.996/2019), onde lê-se no §2º do Artigo 1º: A franquia pode ser adotada por empresa privada, empresa estatal ou entidade sem fins lucrativos, independentemente do segmento em que desenvolva as atividades.

Vamos ao foco de por que as microfranquias podem atender uma grande variedade de microempreendedores, conforme as expectativas que têm atreladas ao perfil profissional e de empreendedor, a capacidade financeira, o momento de vida, idade. Enfim, exatamente o mesmo que uma franqueadora cujo investimento está acima de R$ 90 mil analisa, avalia e busca em seus futuros franqueados. Microfranquias são negócios replicados por meio do modelo de franchising e que exigem um investimento inicial inferior ao das franquias tradicionais.

Vim trocando ideia com franqueadores dos setores de educação e saúde, alguns com marcas internacionais inclusive que optaram pelo canal de microfranquias, de forma a atender empreendedores, sejam eles microempreendedores ou não. Microfranquia não é para quem não tem dinheiro, me entendem?

A defesa à educação como base de formação de uma população com valores éticos e morais que podem vir de berço, mas potencializados por meio do conhecimento, é inquestionável. E conversar com o Júlio Segala, diretor de Marketing e Operações do Kumon América do Sul, é sempre tão prazeroso pela sua fala calma, profunda, pelo seu propósito de vida.

O Kumon é uma empresa mundial, nasceu em 1958, no Japão, com o objetivo de levar o método Kumon para as crianças do Japão e de outros países do mundo. Resumindo, a rede de franquias do Kumon está presente em mais de 50 países, com cerca de 25 mil franquias e mais de 4,5 milhões de alunos.

Adriana Auriemo, da Nutty Bavarian, que viu crescer procura por microfranquia da rede durante a crise. Foto: Kadu Nickel

O Júlio me descreveu que, desde a origem, o franqueado é o responsável por aplicar o método Kumon e pelo desenvolvimento dos alunos, o que traz a essas pessoas uma atividade que se transforma em prazer e reconhecimento por serem educadores, com o retorno financeiro necessário para que possa sustentar sua vida pessoal. Para montar uma franquia do Kumon, o investimento inicial se enquadra dentro da faixa considerada microfranquia.

Microfranquia é um modelo de franquia com investimento abaixo de R$ 90 mil no Brasil, fazendo com que muitas pessoas possam ter acesso, transformando em uma oportunidade para as pessoas trabalharem, gerarem receita e terem satisfação profissional e pessoal. As microfranquias seguem as mesmas regras e leis que regem as franquias. A única diferença é o montante do valor inicial, segundo Segala, com razão.

Ainda na área de educação e agregando a de saúde também, o Artur Hipólito, sócio e diretor da Home Angels, que atua com cuidadores de idosos, e da Tutores, de reforço escolar, acredita que o momento nunca foi tão propício para o crescimento e desenvolvimento das operações de microfranquias porque basicamente há dois tipos de operação no Brasil: a franquia voltada para o investidor e a para quem está trocando o mundo do emprego pelo mundo empreendedor/empresarial.

“Da mesma forma que as microfranquias se consolidaram no Brasil como uma porta de entrada para micro e pequenos empreendedores, agora, mais do que nunca, elas serão uma oportunidade para geração de emprego, de renda formal e de empresas formais no nosso País.” É o momento de oferecermos uma atividade econômica para as pessoas e não um simples negócio onde investem seu patrimônio.

Buscando dados relevantes de microfranquias sérias, estruturadas e profissionais, não pude evitar de falar com a Adriana Auriemo, diretora de microfranquias e relacionamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e sócia-diretora da Nutty Bavarian. Quem nunca passou por um corredor de shopping center e não sentiu aquele perfume (aquilo não é cheiro nem aroma) de nuts glaceadas ou preferiu as salgadas e saiu planando até o quiosque de um microfranqueado Nutty Bavarian? Saudade destes momentos!

A Adriana confirmou o crescimento de interesse e consultas por microfranquias, várias franqueadoras tiveram aumento de comercialização e expansão de suas redes e, claro que com esta crise toda, um investimento mais conservador e acessível se torna mais atraente, mas não é de hoje.

Continuo com minha série de artigos de como os setores estão se comportando, como analisar negócios, me referindo a alguns dos líderes e marcas que conheço, respeito e posso citar, principalmente porque não são meus clientes e não aceito comissão do que quer que seja. Não vendo franquias. Compartilho conhecimento e opiniões embasadas em fatos e indicadores. Keep your eyes open!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, fundadora e CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBA, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 30 anos, no ciclo de vida das empresas, da criação à expansão de negócios e ocupação estratégica de mercado. É mentora de investidores e empreendedores, além de conselheira de empresas tradicionais e startups.

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