Divulgação Samba Tech
Divulgação Samba Tech

Demanda por EAD ajuda a derrubar preconceitos e impulsionar negócios

Plataformas de ensino a distância veem dobrar número de clientes com uso de tecnologia; mercado corporativo também aumenta procura para capacitar colaboradores a distância

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 16h35

Uma das medidas adotadas pelo Ministério da Educação durante o período de isolamento social por conta do novo coronavírus foi a flexibilização temporária do ensino a distância (EAD). A liberação gerou um aumento na demanda de plataformas digitais de ensino de todos os tipos, da educação básica a cursos profissionalizantes.

A mudança repentina não é fácil. Do dia para a noite, tanto as escolas quanto as empresas precisaram se adaptar à nova realidade e à alta procura. “De repente, as instituições, os alunos e os professores que eram do mundo presencial se viram obrigados a usar a tecnologia. Tiveram esse contato basicamente a força, mas viram que é possível”, diz Betina Von Staa, coordenadora do CensoEAD.BR da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

Ainda que o número de alunos de todas as modalidades de EAD tenha crescido 17% no ano de 2018, ou mais de 9 milhões de estudantes, segundo dados mais recentes da Abed, Betina explica que ainda havia uma resistência grande do setor educacional e um preconceito com a modalidade não presencial. “O preconceito contra o EAD será o primeiro ponto a cair por terra num cenário pós-pandemia, visto que as pessoas estão descobrindo que é possível que isso seja feito com qualidade.”

Segundo o último mapeamento feito pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb), em outubro de 2019, há hoje 449 edtechs ativas no Brasil, que oferecem os mais variados serviços de educação.

Uma delas é a Geekie, que está há nove anos no mercado e, com o uso de inteligência artificial, oferece metodologias pedagógicas para desenvolver soluções inovadoras para a aprendizagem, com foco no Ensino Médio e no Ensino Fundamental 2.

Para Cláudio Sassaki, CEO da Geekie, ainda que as escolas possam estar perdidas sobre o que fazer no momento atual, é preciso que ajam o quanto antes, diante da pressão dos pais. “Tem muitas edtechs que estão tentando oferecer seu serviço, mas as escolas tendem a ir para soluções mais seguras e mais conhecidas.”

Dentre os quatro produtos que a Geekie oferece, o mais procurado durante a pandemia é o Geekie One, que permite que alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio possam ter suas aulas por meio de Chromebooks. A solução permite a utilização de páginas, vídeos, hashtags, gifs, relatórios de desempenho e organizador de atividades. Há o envio de relatórios de atividades de cada aluno para seus pais.

Até o início deste ano, o Geekie One contava com 100 escolas clientes. Com a pandemia, agora são 230 clientes em todo o País. Para se adequar às novas necessidades, a Geekie precisou aumentar o desenvolvimento de funcionalidades que permitem não só o conteúdo, mas a comunicação entre professor e aluno, além de reforçar a frente de dados para conseguir dar todas as informações para a escola, como tempo de estudo de cada aluno e aproveitamento. 

Acessos gratuitos durante a pandemia

Outra edtech que precisou se adequar ao aumento da demanda foi a Samba Tech, que teve um crescimento de 3 a 4 vezes em seus acessos durante o isolamento social. A empresa trabalha com dois tipos de serviços, levando educação para empresas e para instituições de ensino, e tem clientes como Kroton, Ser Educacional e Damásio. 

Com novos recursos de interatividade e vídeos sob demanda e ao vivo, a empresa procurou agir de maneira rápida. “O momento foi propenso para a nossa tecnologia, e isso acelerou para que trouxéssemos inovações para o ensino a distância”, afirma Pedro Filizzola, diretor de marketing da Samba Tech.

Uma das iniciativas da empresa também foi disponibilizar para as instituições públicas a sua plataforma de hospedagem e a distribuição de vídeos online, de forma gratuita.

A Qranio, assim como a Samba Tech, também liberou o acesso de sua plataforma e de seus conteúdos gratuitamente. O acesso está disponível para escolas públicas, privadas e para professores autônomos, além de deixarem livres por um ano as trilhas de estudo - que antes da pandemia eram pagas.

A plataforma de aprendizagem da Qranio usa a gamificação para estimular os usuários a se envolverem com conteúdos educacionais, para as empresas ou para as escolas. Com um espaço especial para o corporativo, a Qranio Mobile Learning é a ferramenta de treinamento para as empresas, em que também é usada a gamificação para capacitar e engajar os colaboradores dos clientes. 

É a parte corporativa que vem sustentando a empresa durante o momento atual, já que a Qranio atua tanto como edtech quanto RH tech (recursos humanos). Por atuarem com empresas de serviços essenciais durante a quarentena, como Carrefour e Bradesco, o faturamento não foi afetado e isso permite que os conteúdos educacionais sejam gratuitos.

“É uma oportunidade para nós atuarmos e ajudarmos as escolas. Nesse momento, seria um abuso abordar as escolas para comercializar o produto da mesma maneira”, diz Samir Lasbeck, CEO da Qranio.

No caso do MoveEdu, a educação curricular é a prioridade dentre as oito marcas que compõem o grupo e que atuam em diferentes áreas de ensino, de inglês e cursos profissionalizantes até apoio escolar.

Segundo o CEO do grupo, Rogério Gabriel, a MoveEdu preferiu focar seus esforços neste primeiro momento nos próprios alunos, em vez de procurar novos clientes. Isso porque, diz ele, foi necessário fazer uma adaptação para que os alunos pudessem acessar todo o conteúdo por mobile, já que cerca de 60% deles assistem às aulas via smartphone.

Ainda que não esteja prospectando agora, Rogério enxerga o momento como um ponta pé para as edtechs num cenário pós-pandemia. “Quebra uma série de barreiras e resistências de todos nós. As coisas não voltarão à forma que eram.”

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus. Clique aqui.

* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.