Uma rede franqueada é o espelho do franqueador que tem

Uma rede franqueada é o espelho do franqueador que tem

Relação forte e suporte levam marcas a ter engajamento de sua rede de franqueados em momento de crise; por outro lado, aqueles que não praticam o bom franchising se veem sozinhos

Ana Vecchi

23 de abril de 2020 | 11h03

O que era tendência virou realidade em pouquíssimas semanas. O que era realidade em real time deixou de ser. Quem estava à frente tende a sair melhor e mais rápido dessa crise causada pelo novo coronavírus. É o que se espera. E o futuro, de um sucesso almejado, está nas mãos de poucos. Mas há os que estão se apoiando, os que estão buscando apoio e aqueles que ainda se encontram paralisados pelo pânico e pelo desconhecido. Em um cenário como este, como vimos as reações das redes franqueadas?

As fotos que temos vistos são as mais variadas e os resultados serão proporcionais às resenhas anteriores ao que foi imposto, a todos, por um vírus. As empresas e toda sua cadeia de valor precisam estar unidas, mais do que nunca, para superarem todos os desafios e obter as melhores respostas, assim que descobrirem quais são as perguntas corretas a fazer e para quem fazê-las.

Já entendemos que não há um padrão de como enxergar o que está acontecendo e como sair dele, uma vez que nem nossos governantes conseguem se entender ou concordar. Como cada município e seus bairros vão se comportar na abertura do isolamento social, em função do número de habitantes, condições de atender contaminados e qual a velocidade de entendimento de como o consumidor voltou são alguns dos inúmeros aspectos que fazem com que as franqueadoras criem estratégias clusterizadas, com vários panoramas projetados – pessimista, conservador, otimista e o próximo da realidade.

E para este futuro tão desejado tivemos como desafio conversar com milhares de franqueados que reagiram, cada rede, à sua moda, sentimentos e feridas e os acostumados ao acolhimento. Confiança ou desesperança? Rebeldia, como autoproteção, falou muito alto àqueles que se sentiam abandonados por franqueadores que não praticam o bom franchising e não prestam suporte às redes, não capacitam e tampouco estabelecem bom relacionamento com seus franqueados.

M&A (mergers & acquisitions, ou fusões e aquisições) também têm suas armadilhas. Infelizmente, há investidores que compraram empresas que estão dentro da descrição acima, sem ter ideia do que iriam enfrentar, tanto na relação com os franqueados que vinham machucados de gestões anteriores quanto na imposição de uma quarentena jamais vivenciada!

Engajamento da rede é resultado de como o franqueador a trata. Foto: Pixabay

Resumindo esta história, qual o diagnóstico de redes serem reflexo de seus franqueadores?

Os franqueadores que têm de bom a excelente relacionamento com seus franqueados tiveram como resultado o engajamento. Do outro lado, franqueados ávidos por ouvir os CEOs ou donos das franqueadoras, por compartilhar suas visões, expectativas, medos e por serem ouvidos.

Os franqueadores medianos, ainda se desenvolvendo como bons gestores de redes, tiveram que abrir seus corações e pedir que os franqueados ajudassem para que todos saiam dessa juntos, no sentido de sobrevivência e não, necessariamente, de liderança convicta de que toda a rede poderia contar com eles.

E os que simplesmente venderam franquias para fazer caixa, para ganhar dinheiro com a venda de franquias independentemente de perfil do franqueado, planejamento estratégico, suporte às redes e tantas outras situações inadequadas, tiveram o mesmo “não na cara” que deram aos seus franqueados, em tudo que a taxa de royalties remunera as franqueadoras. E quem teria mais a perder num momento desses? Os franqueados ou a franqueadora?

Por outro lado, investidores que fizeram aquisição de franqueadoras e suas redes, à medida que demonstraram a que vieram, que são líderes colaborativos, éticos, que fazem uso da transparência em seu modelo de gestão e que vieram negociando um novo normal na administração das redes, quando nem sabiam que este termo viria a existir, foi a hora em que os rebeldes com causa se uniram a estes novos franqueadores em busca de soluções.

O reconhecimento à necessidade de uma liderança que inspira respeito e empatia, assim como coerência, proatividade e compromisso traduz a mudança de comportamento reativo de determinadas marcas e suas redes.

O reinventar o negócio começou por aí, na reinvenção de um novo modelo de gestão de rede franqueada com franqueadores que inspiram confiança e que têm como propósito o respeito a quem investiu na marca, assim como eles fizeram. Daí a importância de ouvir franqueados antes de comprar uma franquia ou uma franqueadora e sua rede franqueada.

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus. Clique aqui.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: