Negócios com baixo índice de contato social tornam-se os mais atraentes

Negócios com baixo índice de contato social tornam-se os mais atraentes

Microfranquias de serviços de limpeza, aplicativos de meio de pagamento, marketing digital e outros serviços com baixo índice de contato são opções que têm registrado demanda no franchising nos tempos atuais

Ana Vecchi

28 de maio de 2020 | 13h02

O que era coisa de ogro passou a ser a bola da vez, negócio sexy e altamente lucrativo, após a chegada da pandemia do novo coronavírus. O olho no olho virou clic to clic e muitos franqueadores assumiram que nunca haviam se relacionado tanto com os franqueados, ensinado e aprendido tanto com suas redes. 

A tecnologia acelerando negócios, pessoas em home office e as perspectivas de redução de custos e de deslocamento, o aumento de produtividade e confiança entre os envolvidos mostram que, em função de uma situação inegociável como o isolamento social, os negócios home based, como as microfranquias, não serão mais encarados como amadores, menos qualificados, para quem não deu certo em negócios ou empregos maiores, ou qualquer outra definição preconceituosa e tosca que já possamos ter ouvido.

Esse universo, do qual fazem parte das microfranquias, está mais valorizado do que nunca! São as empresas que estão em expansão por serem mais acessíveis em termos de investimento, não requerem PDV nem estoque esperando para ser vendido, atuam na grande maioria com tecnologia, permitem que franqueados tenham suas residências com base e trabalhem fora delas e a relação com os franqueadores é estreita, próxima, no mais das vezes.

Ainda assim, há as que requerem espaços comerciais para serem escolas, outras têm como conceito de negócio o presencial, em contato com os clientes, alunos ou pacientes. Houve quem conseguiu se adaptar e quem não, por não haver a chance de se tornar online da noite para o dia e deixar de pautar a qualidade do serviço prestado sem que seja em contato com os clientes. 

Nesta onda, a pandemia acelerou o crescimento dos negócios, de novas franquias, novos serviços e novos canais de distribuição em determinados setores. E, o que já não vinha muito bem, foi potencializado e vai causar o sumiço do mercado. Algumas marcas de microfranquias, com suas unidades em shopping centers fechados e a longa espera pelo retorno, estão sendo muito castigadas e apenas em havendo e-commerce poderão sobreviver até a retomada. 

Natalia Dunke, dona de uma microfranquia home based, é exemplo desse mercado. Foto: Leo Martins/Estadão

Como toda crise, ainda que esta seja a pior de todos os tempos, o franchising possibilita novos caminhos aos que perderam emprego, aos que vinham repensando suas vidas e em busca de algo a empreender e os franqueadores objetivando a expansão das redes com franqueados ávidos por assumirem um novo papel na economia.

Os setores que vêm seduzindo investidores para microfranquias, sem dúvida, são as de baixo índice de contato e que atendem as necessidades de um mercado de pessoas físicas e jurídicas.

Dentre elas estão a agência de marketing digital Guia-se, por exemplo, que só fez crescer neste período em termos de novas franquias e de faturamento de seus franqueados. Quem não está fazendo uso de marketing digital hoje em dia? Há muito a fazer e quem faça pelas empresas e profissionais autônomos ou individuais. 

Microfranquias de serviços limpeza comercial e residencial, aplicativos de meio de pagamento, cursos online, algumas de saúde, entre outras, têm apresentado resultados positivos em função do que descrevi até aqui e se tornado mais atrativas. Ainda assim, requerem todos os passos de análise de negócios a investir, como já detalhei inúmeras vezes. 

Mais um bom exemplo hoje é o de empreendedoras ligando até para franqueados de microfranquias brasileiras que estão atuando em Portugal e Estados Unidos para saber como foi todo o suporte na internacionalização, sendo que a ideia delas é tocar o negócio no Brasil. Entende o nível de profundidade de pesquisa e análise antes da decisão? 

Pessoas como estas não serão pegas de surpresa, a não ser que seja com as boas novas!

P.S.: nesta quinta-feira, 28, participarei da live Outro Ponto de Vista, falando sobre “O desapego do sobrenome do corporativo”, com Marinho Ponci, em sua conta no Instagram.

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* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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