Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Franquia ao estilo home office atrai pequenos

Com pouco investimento para a taxa de franquia e sem a necessidade de estrutura própria, modelo de negócio pode ser adquirido até mesmo por MEIs

Júlia Zillig, especial para, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 06h03

O mundo das franquias, com seus números gigantescos de expansão e faturamento, tem cedido espaço a um nicho de pequenos: o das franquias home based, de trabalho feito em casa. São pessoas que optam por se vincular a uma marca, mas não precisam investir em ponto comercial, pagam relativamente pouco pela taxa e, muitas vezes, precisam apenas de computador, telefone e internet – ou de fogão e panelas.

De acordo com a Associação Brasileira de Franquias (ABF), esse modelo de franquias de menor porte está inserido no universo de mais de 8 milhões de MEIs no Brasil. Segundo levantamento feito pela entidade no ano passado, a participação da modalidade no mercado vem crescendo nos últimos três anos, registrando elevação de mais de 5% no ano passado.

Os segmentos das microfranquias são variados, porém focados em serviços. Transitam em áreas como tecnologia, comunicação, consultorias e alimentação, exigem investimento inicial a partir de R$ 5 mil e podem isentar o franqueado de taxa de royalties e verba de propaganda, dependendo do caso.

No caso da marca de comida congelada Mr. Fit, é preciso desembolsar cerca de R$ 12 mil e, a partir daí, a franquia oferece material de comunicação, freezer adesivado com o logo da marca e ajuda com redes sociais e e-commerce. Depois, o franqueado faz tudo de casa, tendo à disposição mais de 50 receitas, e podendo vender apenas pelas redes sociais.

A marca nasceu há cinco anos como rede de restaurantes e há cerca de dois meses estreou o sistema de microfranquias. “Nós éramos procurados por quem queria ter seu próprio negócio, mas não tinha a liberação de crédito para iniciá-lo”, conta a idealizadora da marca, Camila Miglhorini.

Nessa nova modalidade, a Mr. Fit já conta com 29 microfranqueados em Estados como Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com a intenção de chegar a 150 até o final deste ano.

Para Vanessa Bretas, gerente de inteligência da ABF, o negócio home based é um dos caminhos encontrados por franquias tradicionais para expandir suas operações, comercializando modelos de baixo custo para quem não tem capital.

Tudo isso combina com o atual momento do País, que registra alto índice de desemprego – segundo o IBGE, faltam vagas para 27,2 milhões de pessoas, sendo que 4,7 milhões desistiram de procurar uma colocação por falta de perspectivas. 

“O brasileiro acaba empreendendo mesmo sem ter vocação, baseado na necessidade de ganhar dinheiro para pagar suas contas”, diz Enio Pinto, consultor especializado em pequenos negócios do Sebrae Nacional.

Por outro lado, muitas pessoas acabam aproveitando o momento da profissão para experimentar a autonomia, tirando do baú o sonho antigo de ser dono de seu próprio negócio. E para quem não tem experiência em ser empresário, aliar-se a uma marca já estabelecida ajuda a ter sucesso nesse caminho, de acordo com Bretas. “O microfranqueado conta com o suporte e o conhecimento da franquia, o que ajuda a evitar alguns entraves ao longo da consolidação do negócio.”

No caso da Bom Cupom, franquia aberta há seis meses, o trabalho do franqueado é conquistar clientes fornecedores que queiram anunciar seus cupons de desconto no verso de bobinas de notas fiscais, além de fazer a ponte com lojistas que usarão essas bobinas. O resto – a impressão das bobinas e a entrega delas – é feita pela franquia.

O investimento para ser franqueado da marca criada por Matheus Nager é de R$ 8 mil, com retorno médio de R$ 7.500 por mês, dependendo da velocidade de fechamento dos contratos com os fornecedores.

“O microfranqueado pode fazer o trabalho totalmente de casa. Basta somente ele ter telefone, computador e internet”, diz Nager, que já conta com 36 microfranqueados espalhados em alguns Estados e quer chegar a 150 ainda neste ano.

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