Thays Bittar
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Rio Grande do Sul vira segundo maior polo de startups do País

Com 951 empresas e atrás apenas de São Paulo, Estado passa Rio de Janeiro e Minas Gerais em ranking da Abstartups e se revela celeiro para os negócios da inovação

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 06h10

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais formavam a tríade de Estados líderes em número de startups desde 2015, de acordo com levantamento anual da Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Mas a hegemonia acabou com a divulgação, em abril deste ano, do último relatório da entidade, que apontou o Rio Grande do Sul no segundo lugar do ranking, com 951 startups, ficando atrás apenas de São Paulo (3.671) desde dezembro de 2018.

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O dado apresenta uma mudança importante do ecossistema no País e é fruto de um conjunto de ações que envolve iniciativa pública, instituições de ensino e de fomento ao empreendedorismo atuantes e grandes empresas que voltaram seu olhar para os pequenos em busca de inovação.

“O Sebrae, quando impulsionado por um líder local, consegue fazer muitos eventos de aproximação entre empreendedores e investidores. E isso está acontecendo no Rio Grande do Sul de forma massiva. Ao mesmo tempo, empresas como GetNet e Grupo Randon fizeram com que muitos jovens começassem a criar seus negócios em parceria com eles por meio de programas de aceleração. Isso mostra que um Estado organizado é capaz de assumir a dianteira”, diz o presidente da Abstartups, Amure Pinho. 

Grandes aceleradoras, como Ventuir, Wow e Grow +, além de parques tecnológicos em universidades, como o TecnoPuc (parque científico da PUCRS, em Porto Alegre) e o Tecnosinos (parque tecnológico da Unisinos, na região metropolitana de Porto Alegre), também são fatores importantes para o avanço do Estado. 

Outro ponto que mostra que ecossistema do Rio Grande do Sul cresce de maneira sólida é a divisão equilibrada entre os segmentos de mercado escolhidos pelas empresas. Os dados da Abstartups mostram que 5,8% atuam no varejo/atacado; 5% em educação; 4,7% em saúde e bem-estar; 3,9% em finanças; 3,3% em desenvolvimento de softwares; 3,4% em serviços profissionais; 3% em gestão; 3% em mobilidade urbana; 3% em agronegócio; 2,6% em comunicação; 2,6% em eventos e turismo e 2,6% em marketing. 

Negócio na prática

Após empreender no Estado de Santa Catarina, Eduardo Prange voltou para Porto Alegre no final de 2016 para encontrar os futuros sócios e criar a Zeeng, plataforma de big data analytics voltada para o setor de marketing. Fundada em 2017, a startup já conta com 3.500 clientes, entre eles grandes marcas como Locaweb e Mercedes Benz. 

“O Rio Grande do Sul sempre revelou muitas empresas de tecnologia, mas ficou para trás quando passou apenas a exportar seus profissionais para outros Estados. Foi assim que o empreendedorismo deixou de ser o protagonista”, acredita Prange. O empreendedor concorda que o conjunto de ações de vários atores do ecossistema é fundamental para a criação e a instalação de novas empresas na região e destaca a iniciativa PoA Inquieta, que, entre suas atividades, promove o fomento ao empreendedorismo para negócios da economia criativa. 

“Posso falar com um olhar bastante neutro, sem bairrismo (pois tive a oportunidade de empreender em outro Estado), que sem dúvida o Rio Grande do Sul é referência para o sistema de inovação no País. Ele está voltando aos poucos ao patamar que nunca deveria ter deixado, que é ser protagonista de seus mercados”, afirma Prange. 

A Zeeng conta com nove funcionários e, apesar de já ter mais de 80% da base de clientes fora do Estado, Prange afirma que não há motivos para deslocar a operação para São Paulo, movimento comum de muitas startups. “Temos mão de obra qualificada e certamente os custos acabam sendo menores do que em São Paulo. É muito mais vantajoso ter a operação aqui”, finaliza. 

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