Rodolfo Goud/ABStartups
Rodolfo Goud/ABStartups

Novos ecossistemas fortalecem startups fora do eixo

Fora de grandes centros de inovação, como São Paulo e Recife, hubs apoiam novos negócios; associação mapeia 30 comunidades empreendedoras

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2018 | 05h00

O estereótipo da empresa de tecnologia que nasceu em uma garagem e conquistou o mundo, como a Microsoft e a Apple, não é o bastante para sustentar uma startup. Aceleradoras, incubadoras, formação de talentos, eventos de networking e contato com investidores são fundamentais para que o negócio seja testado, aprimorado e ganhe escala para a solução criada. Eles formam o chamado ecossistema, que acolhe e desenvolve as empresas de tecnologia. 

No Brasil, cada vez mais comunidades do tipo estão surgindo fora dos grandes centros, fortalecendo os pequenos e fomentando a inovação made in Brazil. De olho nesse movimento, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) iniciou um mapeamento de comunidades empreendedoras em desenvolvimento. Até o momento, foram identificadas 30, espalhadas por todas as regiões do País. 

“Estava na hora de levantar essa bandeira. Começamos esse estudo visitando empreendedores do interior ou de capitais mais afastadas para poder entender quais são as principais necessidades deles. O segundo passo do projeto foi mapear comunidades e entender quem são as pessoas que ajudam e inspiram o empreendedorismo nessas cidades”, conta o community manager da ABStartups, Marcos Medeiros. 

O estudo proporcionou o reconhecimento de três pontos fundamentais para caracterizar um ecossistema em nascimento: a periodicidade na realização de eventos; a diversidade de gênero, raça e idade; e comunidades lideradas por empreendedores, e não entidades. 

“Os eventos engajam as pessoas e trazem inspiração. As comunidades com presença de mulheres, diversidade racial, diferença de idade, seja dentro das universidades ou dentro do ambiente empresarial, funcionam melhor do que as outras. Por fim, regiões puxadas por empreendedores também têm destaque. Quando o fomento vem de entidades, o ambiente fica sujeito a uma estrutura”, completa Medeiros. 

As universidades também merecem destaque na formação do ecossistema, responsáveis pela formação de talentos. 

A designer Barbara Nicolau sabe como é, na prática, fazer parte de um ecossistema em formação. Em 2015, ao lado de quatro sócios, ela criou a startup de educação emocional infantil DreamKid Studio em Manaus (AM). Barbara, que teve o impulso de uma aceleradora local, acredita que as dificuldades são maiores para empresas que nascem fora de polos empreendedores tradicionais, como São Paulo, Recife e Florianópolis.

“O primeiro desafio é o acesso ao conhecimento, que fica muito centralizado. Depois, vem a questão do investimento. Normalmente, nessas regiões, quem tem dinheiro não investe em startups porque não tem segurança naquilo que, muitas vezes, ainda é desconhecido.”

As conexões, de acordo com Barbara, são essenciais para as startups, algo ainda em desenvolvimento em Manaus, segundo ela. “Quando participamos de programas de entidades fora de Manaus, conseguimos fazer conexões com investidores e outras startups. Isso possibilita uma troca de conhecimento.” 

Para o paulistano Danillo Sciumbata, que vive atualmente em Caxias do Sul (RS), o principal elemento de desenvolvimento de um ecossistema é a cultura. Head de cultura do hub OCA Brasil, Sciumbata diz que foi chamado de louco no início. 

“Queria criar um espaço de apoio, com programas de incentivo à cultura do aprender, com acesso a aceleradoras, capital, eventos, treinamento. Com um ano e meio de abertura, já tínhamos 70 startups alocadas. A loucura se transformou em realidade." Sciumbata conta que novas unidades do OCA Brasil serão inauguradas em breve em Joinville e Porto Alegre. 

“Existe dinheiro nessas regiões, mas o investidor não tem conhecimento sobre startups. Ele não acredita nesse modelo ou tem aversão ao risco. Ele precisa ser educado e isso se dá por meio da disseminação da cultura empreendedora.”

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