Werther Santana/ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO

Fapesp fomenta negócios com pesquisas científicas

Fundação aporta R$ 15 milhões no próximo ciclo do programa Pipe; inscrições abertas até 29 de julho

Francisco Gonzaga, ESPECIAL PARA O ESTADO

26 de maio de 2019 | 06h10

O pesquisador e biólogo Cauré Portugal acumulava diversos anos de vida acadêmica quando resolveu se arriscar no empreendedorismo, transformando sua pesquisa em um negócio inovador. Em 2017, com a ajuda de programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), criou a empresa Smart Yeast, que por meio da microbiologia trabalha com o conceito de design de fermentação, selecionando leveduras personalizadas para a produção de cachaças e outras bebidas fermentadas e destiladas.

“Já tínhamos muita permeabilidade entre produtores devido a treinamentos que realizávamos na universidade. Foi algo que facilitou bastante para criar a empresa”, conta ele, que hoje tem como clientes fabricantes de cachaça. Transformar a pesquisa acadêmica na empresa, foi possível graças a ele ter sido aprovado, em 2017, no programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), responsável pelo aporte de R$ 180 mil. 

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O Pipe, que está com inscrições abertas até 29 de julho para o terceiro dos seus quatro ciclos anuais, é o jeito que a Fapesp encontrou, há 20 anos, para apoiar a pesquisa científica e tecnológica de olho na promoção da inovação e no aumento da competitividade entre pequenas empresas. Com isso, tira do papel muitos projetos, como o de Cauré, que poderiam ficar décadas apenas no plano da pesquisa.

Para o pesquisador, o programa diminui o hiato entre a universidade e o setor privado. “A universidade tem muito conhecimento engavetado. Engessa o diálogo com as empresas, existe uma série de burocracias. Com o Pipe, muita coisa que estava engavetada ganhou nova faceta com o mundo real.”

O mercado também reconhece a importância do Pipe para o empreendedorismo. Para Jaercio Barbosa, coordenador geral de cursos da Escola Superior de Empreendedorismo do Sebrae-SP, o Pipe é um dos maiores programas de fomento à inovação para pequenas e microempresas e de extrema importância para uma interação entre setor privado e universidades.

“Ele é único pela forma como aproxima as universidades, principalmente as públicas, onde há um nível de conhecimento que está muitas vezes restrito aos laboratórios, ao mundo científico e que poderiam estar impactando o mercado”, conta ele, segundo quem o Pipe faz com que microempresas desenvolvam inovação com “profissionais de alto nível, mestres, doutores e pesquisadores”.

Barbosa aponta que, no Brasil, 90% dos doutores estão nas universidades – nos EUA, a grande maioria (70%) está no setor privado. “A lógica de formação lá é promover produtos inovadores. Aqui tem que mudar. Se houver incentivo adequado, uma empresa inovadora, mesmo pequena, pode gerar tecnologia de ponta que causa impacto na sociedade.”

Em 2018, o Pipe destinou R$ 89,9 milhões para os quatro ciclos, com 247 projetos de pesquisa submetidos por startups e PMEs, além de 473 bolsas. O valor representa o quinto recorde consecutivo de verba total do programa, 13,7% a mais que em 2017. Apenas para este terceiro ciclo, a Fapesp reserva investimento de R$ 15 milhões.

Empresa pode levar até R$ 1 mi

Para o 3º ciclo do Pipe, podem se inscrever até 29/7 pesquisadores vinculados a empresas com até 250 empregados, que tenham unidade de pesquisa no Estado de São Paulo, além de startups ainda não constituídas legalmente. O foco são pesquisas que resolvem problemas em ciência e tecnologia com alto potencial de retorno comercial. Os projetos são desenvolvidos em duas etapas: a primeira com duração máxima de 9 meses e até R$ 200 mil por empresa, a segunda por até 24 meses e até R$ 1 milhão por empresa. A Fapesp também tem o Pipe-Empreendedor, programa para dar mais robustez comercial a projetos já aprovados no Pipe (inscrições de 28/6 a 21/7).

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