Gabriela Biló/ESTADÃO
Gabriela Biló/ESTADÃO

Guerra das maquininhas traz condições mais competitivas a empreendedor

Com concorrência alta, operadoras reduzem prazo de devolução e taxa cobrada sobre venda para atrair clientela; para especialista, capital de giro beneficia negócios

Mateus Apud, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2019 | 06h11

Aceita cartão? Todo comerciante já ouviu essa frase e deve ter perdido uma venda a cada resposta negativa. Se a clientela não sai mais de casa sem cartão no bolso, e com cada vez menos dinheiro em papel, os empreendedores também acompanharam as opções de máquinas crescerem, das mais diversas marcas e modalidades.

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Pouco mais de cinco anos atrás, duas marcas dominavam o mercado, mas hoje elas chegam a pelo menos 12 empresas mapeadas pelo Estadão PME, cenário impulsionado pelo surgimento das fintechs (startups financeiras). Cada uma dessas empresas oferece mais de uma opção de máquina, podendo chegar a quatro opções de equipamentos e planos.

Mas como escolher a máquina? As variáveis envolvidas são muitas: valor de compra ou aluguel da máquina, tempo de devolução do dinheiro, taxa cobrada a cada venda. E, na guerra das maquininhas, as empresas reduzem prazo e taxa para o lojista de acordo com o volume de vendas e como a concorrência se comporta.

:: Confira a tabela comparativa com 12 marcas do mercado

De acordo com Guilherme de Almeida Prado, fundador da fintech de finanças pessoais Konkero, tudo isso deve ser levado em conta na hora de escolher a máquina. “Não adianta comprar a mais barata. Tem que analisar as condições e comparar com suas necessidades”, diz. “Se uma empresa vende muito no débito, ela tem que escolher a máquina que tem as melhores condições para o débito e não para o parcelado. Se o local tem um 3G fraco, não pode escolher uma com conexão 3G e assim por diante.”

Para ele, a atual “guerra” só tem a beneficiar o mercado, baixando o prazo de devolução do dinheiro, o que dá mais capital de giro ao empreendedor. 

Em 2018, foram movimentados R$ 965 bilhões em vendas com cartões de crédito e R$ 578 bilhões no débito, segundo a Associação das Empresas Brasileiras de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs), que prevê crescimento de 16% do mercado neste ano. Segundo o Banco Central, hoje há 4 milhões de maquininhas em operação no País.

Mês a mês

Para aproveitar os benefícios da concorrência, as padeiras e sócias Marina Mazzon e Juliana Cavalheiro hoje mantêm seis máquinas de quatro marcas diferentes na Feito a Pão, em Perdizes. Segundo elas, as máquinas que possuíam não atendiam a demanda e, como passaram a receber ofertas de outras operadoras com taxas mais competitivas, hoje operam várias.

Como cada cliente tem preferência por um tipo de pagamento (débito ou crédito, à vista ou parcelado), a padaria utiliza a que tem as taxas mais atrativas para aquelas modalidades no momento. “Se o cliente vai pagar no débito, usamos uma. Se paga no crédito à vista, usamos outra. Se for usar uma bandeira específica, usamos outra e por assim vai”, comenta o gestor financeiro da padaria, Luiz Humberto Sanchez Faria.

:: Confira a tabela comparativa com 12 maquininhas

Além disso, ele conta que entra em contato de três em três meses com as operadoras para renegociar as taxas. Por ser um mercado concorrido, a marca acaba reduzindo a taxa para não deixarem de usar sua máquina. “Tenho a sensação de que, se passar o dia ligando, eles vão ficar baixando o tempo todo para se manterem competitivos.” 

ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

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