Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Empresas de limpeza veem alívio na crise com demanda de sanitização

Redes de franquias registram demanda por serviço que elimina microorganismos como vírus e bactérias, estimulado por empresas e residências com casos recentes de covid-19

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2020 | 14h00

As determinações de isolamento social contra o novo coronavírus fizeram com que a demanda por uma série de serviços diminuísse, como os de limpeza residencial. Contudo, a busca por defesa contra o vírus e por uma limpeza mais profunda, tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas, ajudou a segurar o tombo do faturamento dessas empresas, principalmente com a anunciada retomada do comércio.

Relatório da Associação Brasileira de Franchising (ABF) com análises sobre o mês de março, o primeiro da quarentena, mostra que o setor de limpeza e conservação, incluído como serviço essencial, foi o terceiro que mais cresceu (+5,6%) no período. Não significa que todas as empresas tenham lucrado - Mary Help, Maria Brasileira, Blumpa e Limpeza com Zelo registraram queda no faturamento no mês indicado.

No entanto, dizem elas, enquanto houve queda no serviço comum de diaristas, o setor começou a retomar o fôlego nos meses seguintes com sanitização e desinfecção, principalmente se o endereço do cliente registrou casos de covid-19. E isso levou a adaptações de negócios, que nem estavam preparados para a demanda.

O empreendedor José Roberto Campanelli, fundador da franquia Mary Help, que conta com 118 unidades em 49 cidades, conta que seu pior mês foi abril. “As empresas cancelaram contratos, outras mantiveram, mas pediram para não ir. Em abril, as vendas caíram por volta de 50%. Em maio, houve uma redução de 40% e, até o momento, em junho, 30% a menos”, conta ele, sobre a lenta retomada.

Ao observar os medos dos clientes, José explica que a franquia passou a estudar mais sobre a sanitização, que antes tinha demanda praticamente inexistente. “Nós passamos a oferecer o serviço em duas unidades como forma de teste. Com o tempo, aderimos para outras e, desde então, ele passou a ter o mesmo nível de demandas das diárias.”

O fundador da Mary Help explica que, por conta do vírus, as pessoas buscam além de uma higienização simples. “Nas residências, o serviço é mais buscado quando alguém teve a covid-19. Ao mesmo tempo que, nas empresas, é para poder dar mais segurança às pessoas no ambiente.”

Os processos de sanitização e desinfecção são mais eficazes do que a limpeza comum, que apenas retira as sujidades visíveis. A sanitização consiste na redução de bactérias e microorganismos até o nível considerado seguro pelos órgãos de saúde pública, garantindo a biossegurança do ambiente. Enquanto a desinfecção é responsável por eliminar microorganismos, vírus e bactérias, deixando o local livre da presença de patógenos.

O aumento pela busca da sanitização também foi registrado pela Maria Brasileira. Felipe Buranello, CEO e fundador da rede de franquias, conta que em algumas unidades os franqueados precisaram contratar novos funcionários.

Porém, diz ele, o impacto foi diferente para as 268 franquias: enquanto unidades tiveram queda de 10%, outras chegaram a 60%. Para voltar a crescer, a rede passou a fazer alinhamento com franqueados via podcasts, intensificou campanhas com os clientes com foco no relacionamento e identificou oportunidades como a passadoria delivery.

Prestando um serviço essencial, a marca também conseguiu expandir sua rede, com 25 unidades vendidas durante a pandemia, registrando os melhores meses de março, abril e maio em 7 anos. Para Felipe, o segmento de limpeza nunca mais vai ser o que era. “As pessoas vão entender que não é luxo, é uma questão sanitária.”

Serviço atrelado a hotelaria

No caso da rede de franquias Limpeza com Zelo, parte importante do seu foco de atuação eram empresas de gestão de Airbnb, para fazer a limpeza de imóveis de aluguel temporário. Com o turismo reduzido a zero durante o isolamento social, o serviço foi a zero também, permeado em suas 25 unidades operadoras no País.

Além disso, a Limpeza com Zelo atua em condomínios (e registrou queda de 50% nos pedidos) e recebe pedidos de pessoas físicas direto na plataforma (que chegaram a zero e agora voltaram a 30% do que costumavam representar).

O presidente da Limpeza com Zelo, Renato Ticoulat, diz-se esperançoso e enxerga otimismo no mercado residencial. “Agora é uma grande oportunidade, pois está ocorrendo uma mudança na profissionalização do mercado de limpeza residencial.”

Por isso, ele explica que durante a pandemia decidiram focar na fidelização dos clientes, o que será essencial para a retomada.

Ticoulat também é master franqueado da Jan-Pro, rede que nasceu com foco no serviço corporativo e que registrou crescimento durante a pandemia. Mesmo com a suspensão de 40% dos contratos e com inadimplência em 25% dos contratos restantes, o faturamento líquido da empresa cresceu 50%, com mais de 2 milhões de metros quadrados de limpeza.

“Trabalhamos com uma desinfecção bactericida com ação antimicrobiana que dura 90 dias e isso é um grande diferencial no mercado”, diz ele, que enumera clientes desde empresas que não puderam fechar até aquelas que passaram a pensar na reabertura.

Proteção e ajuda a diaristas autônomas

Como plataforma de intermediação dos serviços de limpeza, que cadastra diaristas autônomas (uma espécie de Uber das faxineiras), a Blumpa não só registrou queda nos pedidos como precisou dar uma atenção a suas colaboradoras e orientá-las com medidas de proteção.

Na avaliação de Giovani Miranda, diretor de comunicação da empresa, os clientes começaram a ficaram com medo de contratar os serviços e a queda foi de 30% a 40% na limpeza residencial. “Também houve diminuição dos serviços corporativos, pois muitas empresas estavam fechadas.”

Para orientar as diaristas, a plataforma, que reúne em torno de 365 profissionais, passou a dar orientações por telefone e pelo apliativo. Também fez uma campanha com a marca Veja, que levou às diaristas produtos de higiene e limpeza, além de um auxílio de R$ 500.

Para Giovani, essas medidas foram essenciais para aumentar a confiança das partes envolvidas no serviço, incluindo o cliente. Agora, diz, resta otimismo com a reabertura gradual do comércio. “Em junho, a tendência é de aumento de contratações tanto para o corporativo quanto para o residencial.”

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* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni

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