Monica Zarattini/Estadão
Monica Zarattini/Estadão

Nível de inadimplência dos pequenos negócios em operações de crédito é o menor em 8 anos

Programas que facilitaram o acesso a financiamento é um dos motivos para o resultado; no entanto, há preocupação quanto ao fim do período de carência nesse primeiro trimestre

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 12h54

Os programas de acesso ao crédito lançados em 2020 para ajudar empresas durante a pandemia foi um dos motivos para que pequenos negócios tenham atingido o menor nível de inadimplência nessas operações. De acordo com um estudo do Sebrae, a ausência de pagamento registrada no terceiro trimestre do ano passado foi de 3,3%, considerando as microempresas (ME), empresas de pequeno porte (EPP) e os microempreendedores individuais (MEI). É o nível mais baixo em oito anos.

Embora iniciativas como Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) tenham dado um pouco de fôlego financeiro, a preocupação é com o fim do período de carência. Grande parte das operações do Pronampe, por exemplo, termina no primeiro trimestre desse ano e os pequenos negócios terão de começar a pagar os empréstimos contratados.

O levantamento sobre inadimplências nas operações de crédito foi baseado em dados do Banco Central e mostrou que o menor nível (2,8%) foi registrado entre as empresas de pequeno porte (EPP). Os MEI registraram a maior taxa (5,6%) enquanto as ME tiveram uma inadimplência de 5,1% em média.

Outra pesquisa do Sebrae apresentou que, embora o volume de empréstimo concedido em 2020 tenha registrado alta de 35% no segundo trimestre, o número total de empresas que obtiveram o recurso não acompanhou esse movimento: cresceu apenas 1%. Dos R$ 87 bilhões concedidos, 83% ficou concentrado nas empresas de pequeno porte. As ME ficaram com 12% desse montante e 5% foi destinado aos MEI.

Segundo Carlos Melles, presidente do Sebrae, o Fampe e o Pronampe foram responsáveis por conceder quase R$ 40 bilhões de empréstimos para os pequenos negócios, o que representou "um oxigênio" para os empreendimentos suportarem a queda de faturamento. De acordo com a instituição, a perda média de faturamento dos pequenos negócios chegou a 70% no momento mais crítico da pandemia. Aos poucos, o nível de perda foi caindo e ficou em 39% no mês de novembro.

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