Ana Paula Boni/Estadão
Ana Paula Boni/Estadão

Meio de pagamento pode definir sucesso nas vendas digitais; veja opções

Com alta de micro e pequenos negócios em ambiente online, especialistas chamam a atenção para taxas cobradas por empresas de soluções de pagamento e a importância de equilibrar esse valor com o volume de vendas mensal

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2020 | 14h00

De tendência a sobrevivência. Foi assim que a digitalização passou a ser vista pelos micro e pequenos empreendedores em tempos de novo coronavírus. Em uma realidade pré-pandemia, a curva de inserção e estabilidade no universo das vendas online leva, em média, cinco anos, segundo o presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomercio-SP, Vitor Magnani. Com as medidas de distanciamento social, no entanto, foi preciso se adaptar em dias.

E não basta abrir um e-commerce ou criar um perfil nas redes sociais. Captar o cliente e levá-lo a uma jornada de compra efetiva tem várias implicações. A forma de pagamento apresentada a ele, por exemplo, pode fazê-lo "abandonar o carrinho" ou até esquecer de finalizar a compra.

Apenas nos primeiros meses do ano, entre o fim de janeiro e meados de maio, o e-commerce cresceu 42,9%, de acordo com dados do Ebit Nielsen. Sobre o consumidor digital, a consultoria mapeou que 10,7 milhões de pessoas estrearam suas compras em ambiente online em 2019, alta de 9% sobre 2018. 

Com o crescimento do e-commerce, empresas de soluções de pagamentos e também plataformas para abrir uma loja online também cresceram com a pandemia. O Mercado Livre (detentora da solução de pagamento Mercado Pago) registrou aumento de 15% em sua base de vendedores PMEs desde o início da pandemia, em março. 

Já a Nuvemshop, empresa que fornece plataformas e templates para lojas online desenvolvidos prioritariamente para dispositivos móveis, cresceu de 33 mil para 50 mil lojas virtuais ativas entre março e junho. A empresa diz que o crescimento durante a pandemia representa um aumento de 50% no número total de clientes, e as PMEs são a maioria.

Para os lojistas estreantes, pairam muitas dúvidas, inclusive sobre como receber o valor por uma venda feita em meio digital. Vitor Magnani e Caroline Minucci, consultora do Sebrae-SP, explicam passo a passo quais são as opções e os detalhes a que os empreendedores precisam estar atentos sobre o pagamento digital.

“Mesmo com a retomada da economia, os protocolos sanitárias para garantir a segurança vão criar barreiras de acesso às lojas e gerar uma série de fricções ao consumidor. Se em casa ele teve uma experiência legal no digital, a chance de ele comprar de novo online é mais alta”, diz Magnani. Confira as opções de pagamento a seguir:

1. Transferência bancária 

Porta de entrada para o pagamento na internet, a transferência bancária é a primeira opção para empreendedores que começaram a vender por mensagem direta nas redes sociais, telefone ou WhatsApp Business.

“Um cliente novo pode ter medo de efetuar o pagamento dessa forma, passa insegurança para o mercado consumidor. Além disso, as pessoas estão acostumadas a pagar com cartão de crédito, e a transferência bancária exige que o cliente tenha o dinheiro na hora, na conta. Do lado do empresário, ele fica com o controle financeiro dividido e pode se perder na gestão financeira”, adverte Caroline.

Para Magnani, o lojista pode perder potenciais clientes. “A transferência é um passo a mais na experiência de compra e o tempo do consumidor no universo digital é diferente. Ele tem que acessar o aplicativo do banco, colocar os dados e conferir se o dinheiro foi transferido. Isso pode fazer com que o empreendedor perca algumas vendas.”

2. Link de pagamento 

Mais profissional do que a transferência bancária, os links de pagamentos são uma opção para quem vende apenas pelas redes sociais, WhatsApp ou até e-mail e ainda não tem uma loja virtual. Muitas operadoras de maquininhas passaram a ofertar o link, mas não é preciso ter o aparelho para ter acesso ao meio de pagamento. É possível contratar o serviço de forma separada. Com ele, o cliente finaliza a compra com cartão de crédito (à vista ou parcelado) e segurança.

A Stone, startup de serviços financeiros, antecipou o lançamento de sua ferramenta de link de cobrança para clientes da Conta Stone. As taxas são de 2,99% para crédito à vista e 3,49% para crédito parcelado. O recebimento das vendas ocorre conforme a escolha de parcelamento do cliente.

Já a VR Benefícios lançou em abril o VR Pague, que permite ao dono de um negócio do setor de alimentação gerar um link de pagamento, que é enviado ao cliente usuário de vale-refeição.

No caso do Cielo SuperLink, parceria entre Visa e Cielo, além da geração de link de pagamento com segurança antifraude, também é oferecida uma parceria com a Loggi, para a entrega dos produtos.

Com mais tempo de mercado, a PicPay saltou de 13 milhões de usuários pessoa física em fevereiro para 20 milhões em maio. A empresa, que também oferece link de pagamento, não divulgou dados sobre o aumento de contas de pequenos negócios durante a pandemia.

Marina Onetto, responsável pelo financeiro da Temuco, pequeno negócio de empanadas chilenas, começou as vendas em março via transferência bancária e agora também adota o modelo da PicPay.

“É uma forma simples de pagamento. Recebo o aviso na hora em que o cliente paga via link, não precisa mandar comprovante. Se ele tem uma conta na PicPay, eu posso cobrá-lo diretamente no aplicativo, da conta da Temuco para a dele. Nesse caso, nem preciso enviar o link de pagamento”, conta.

3. E-commerce próprio 

No caso de quem pretende abrir uma loja virtual, há três formas de ativar o pagamento online para PMEs. Criá-lo por conta própria, ou seja, contratar um desenvolvedor que implantará um gateway de pagamento no e-commerce. Daí, a negociação com os bancos e as operadoras de cartão devem ser feitos pelo próprio empreendedor. A segunda opção é contratar um gateway pronto, sem precisar desenvolvê-lo do zero. Porém, ainda é necessário fazer as negociações com as instituições financeiras.

A terceira alternativa e a forma mais simples e utilizada pelas PMEs, segundo especialistas, é contratar o serviço de empresas de solução em serviços de pagamento (como PagSeguro, PayPal, Mercado Pago, PicPay, entre outras). Essas empresas cobram um porcentual de cada venda finalizada, porém entregam ao empreendedor as negociações com todos os bancos e bandeiras de cartões, gateway com formas de pagamento e parcelamento já prontas e ainda sistema de segurança, cobrindo possíveis fraudes.

“Geralmente as plataformas não cobram custo de implementação no e-commerce, o empresário só é tarifado em cima da venda e não paga mensalidade”, diz Caroline. “Essas empresas de solução também soltam relatórios financeiros, que facilitam o controle para o empreendedor”, finaliza. Outra vantagem é, segundo a consultora do Sebrae-SP, o acesso a novas tecnologias. “Tudo o que as empresas de solução realizarem de inovação e melhorias, como pagamentos por links, smartwatches, QRCode, pulseira, todos os contratantes têm acesso.”

Sobre as taxas, no dia 1º de julho Caroline fez uma simulação, a pedido do Estadão PME, para um comerciante estreante nas principais empresas de solução de pagamentos. Segundo a consultora, quando existe a opção de boleto bancário, a taxa é de 3,49% a 4,99% para cada venda. Em operações efetuadas no cartão de crédito com pagamento à vista, a taxa é de 3,69 a 4,99%. No crédito parcelado (o padrão é de até 6 vezes) é cobrada a taxa do crédito à vista com adição de 2,99% a cada parcela. 

O que observar antes de contratar

  1. A variedade de serviços que a empresa de soluções oferece: bandeiras de cartões, boleto, parcelamento etc.
  2. O custo de cada operação: avalie o montante de vendas por mês e como pode negociar a taxa cobrada a cada venda
  3. A reputação da empresa: pesquise se há reclamações sobre ela, para proporcionar confiança ao seu cliente
  4. A qualidade técnica: caso ocorra um problema operacional, saiba como será atendido e em quanto tempo

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