Bendito/Divulgação
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Marcas de cookies expandem franquias com demanda por doce em alta

Em nichos concorridos, para escolher a marca franqueadora é preciso analisar modelo de negócio e suporte; especialista lembra que empreendedor deve ter gosto pela gestão, não apenas pelo produto

Camila Saplak, especial para o Estadão

13 de fevereiro de 2021 | 14h00

Quando o empreendedor decide investir em uma franquia, além de todos os desafios que qualquer empresário enfrenta ao abrir um negócio, como análise de mercado, teste e qualidade do produto, pesquisa de público e capacidade de gestão, há outras questões indispensáveis. Como escolher a melhor marca? Como se destacar em nichos concorridos? Como o produto e a marca se comportam numa crise, como a do novo coronavírus? 

De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), mesmo com toda a instabilidade de 2020, o segmento alimentício foi um dos menos prejudicados, e diversos produtos e marcas conseguiram expandir suas operações. É o caso dos cookies, biscoitos de receita americana preparados com chocolate, manteiga e açúcar.

Combine esses ingredientes com pessoas dentro de casa há muito tempo por conta do isolamento social, misture com o estresse das longas jornadas do home office e o resultado, segundo a Abimap (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados) é o Brasil estar em 4º lugar no mundo em vendas de cookies.

Se a receita do produto é um sucesso em potencial, o franqueado precisa estar atento aos elementos que diferenciam uma marca das outras. É necessário também ser criterioso nas pesquisas e observar se a franqueadora já disponibiliza algumas formas de suporte, como estudos de melhor localização, se facilita negociação de ponto e qual o perfil do cliente buscado.

Para a Mr. Cheney, rede de cookies tradicionalmente americanos com mais de 15 anos no mercado, as franquias servem como referência para quem busca empreender, pois representam um modelo de negócio já testado e marca já conhecida, com produto aprovado pelos consumidores.

As franquias da Mr. Cheney, que hoje chegam a mais de 70 unidades em todo o País, são vendidas em formato para shopping, em loja (a partir de R$ 250 mil) ou quiosque (a partir de R$ 120 mil). Por estarem em shoppings, os franqueados sentiram a brusca queda do faturamento nos períodos de maior restrição de circulação por conta da covid-19.

A marca apostou em fortalecer as vendas por delivery, investindo em um e-commerce exclusivo administrado pela franqueadora, com direito a campanha de lançamento em julho de 2020, e entrega grátis para aproximar os clientes. A Mr. Cheney conta ter retomado a expansão com mais seis unidades até este mês de fevereiro, movimentando investimentos de cerca de R$ 2 milhões.

Fabricação numa cozinha central

Para além da criação de lojas e quiosques em que o franqueado terá, além das outras responsabilidades administrativas, a função de treinar balconistas e garçons, algumas franquias já apostam no modelo dark kitchen, em que o produto é feito numa cozinha “invisível”, sem entrada de público, exclusivamente para entrega.

Os criadores da American Cookies, o casal Francielle Faria Silva e Rafael Nogueira Macedo, são precursores nesse modelo, com a empresa nascida em 2017 já adaptada ao delivery. Isso, dizem os empreendedores, facilitou a expansão da marca inicialmente para outros bairros de Brasília e agora para outros Estados do País.

Hoje, a American Cookies opera com 10 unidades em funcionamento e 1 fábrica em Brasília, de onde saem todos os cookies, padronizados e congelados. Duas dessas unidades estão na cidade de São Paulo, outras 11 novas lojas devem ser inauguradas até março, além de mais 30 esperadas ao longo do ano. O objetivo é chegar a 60 unidades ainda em 2021.

Francielle acredita que o sucesso se deve a uma união de fatores, sendo o principal deles o produto em si. “Transformamos o cookie americano em um formato recheiudo, com muitas opções, com sabores brasileiros.”

Franqueado da marca, José Renato Teles de Aquino acrescenta que, além do cookie, outros aspectos o atraíram como empreendedor. “Um bom atendimento, uma boa embalagem, um recadinho no delivery. O produto conquista, mas não somente isso.”

Aquino conta ter escolhido a American Cookies por conhecer a história da empresa, que começou como um pequeno negócio familiar, e pela relação que teve como consultor de franquias para o casal de empresários. Como especialista, Aquino auxiliou no plano de expansão da marca e viu oportunidade de negócio.

Potencial de atração do produto

Para a gestora de Negócios Internacionais e membro da ABF Tatiane Vita, mesmo em cenário de pandemia, empreender no ramo da alimentação tem uma pitada de sucesso garantida. “Como precisamos ficar em casa, acredito que as pessoas buscaram conforto na alimentação.” E em se tratando de marcas de produtos como cookies, diz ela, afeto e conforto são imprescindíveis no marketing e na entrega do produto. 

Bruno Gorodicht, sócio executivo da franquia carioca Bendito, acredita nessa proposta de oferecer mais do que uma mercadoria. “O Bendito não é uma loja de cookie, brownie, café. O propósito é a venda da experiência.”

A empresa, conta ele, pensa seu marketing desde as sensações do cliente no ambiente da loja, proporcionando conforto, música agradável e cheiro de cookie saindo do forno. Hoje, são 7 unidades exclusivamente no Rio de Janeiro, e a expectativa é chegar a 19 até o fim do ano. Para isso, Gorodicht aposta nos modelos de negócio tipo loja e quiosque, com investimento inicial em cerca de R$ 170 mil e garantia de retorno entre 24 e 36 meses. 

A receita vem congelada da fábrica, o estabelecimento só precisa assar e entregar. A praticidade acaba atraindo os próprios consumidores fiéis a apostarem na marca.

Uma das franqueadas, Monica Victor Quintela, confirma o carinho pelo Bendito e diz ter escolhido a marca porque sempre quis ter uma cafeteria, pois a pausa para o café faz parte da rotina da sua família. Para se aventurar no empreendedorismo e no mercado de cookies em plena pandemia, tendo aberto a loja em agosto, Monica fez cursos de capacitação, participou de feiras de franchising, pesquisou o segmento e buscou ajuda no Sebrae.

A gestora da ABF Tatiane Vita aconselha que, antes de comprar uma franquia, o empresário busque compreender o significado do negócio e seu próprio papel. Para além de ser consumidor da marca, ser franqueado é ser um bom operador. 

“Você precisa gostar da parte administrativa do negócio, contratar pessoas, financeiro, ferramentas de marketing local, pois a parte mais criativa do negócio fica na mão da franqueadora.” 

Sendo por amor aos cookies ou por acreditar no lucro da operação, Tatiane ainda alerta: é preciso, sim, ter algum tipo de identificação com a marca. “Não vendemos algo de que não gostamos. Ou pelo menos não conseguimos fazer isso por muito tempo.” 

Para um bom desempenho, é fundamental que o empreendedor ou operador dedique tempo e interesse à gestão do negócio, adapte-se durante as crises e não trate seu produto apenas como receita do momento.

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