Nilton Fukuda/Estadão
A calígrafa Silvia Cavalcanti passou a dar aula de lettering em 2018 por conta da febre no setor. Nilton Fukuda/Estadão

Arte de desenhar letras, lettering movimenta lojas tradicionais de material artístico

Casas com foco em profissionais do design e das artes abrem leque de produtos para atingir clientela interessada em papelaria e caligrafia

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 06h16

Entre a febre da papelaria, uma das maiores tendências aparece em torno do lettering, a arte de desenhar letras, que aparece em produtos variados, como quadros, embalagens, cartazes, cadernos, tatuagens e lousa de restaurante. A prática tem impulsionado também os negócios de papelaria que estão há anos no mercado.

Para um dos sócios da Papelaria Universitária, rede familiar paulistana fundada em 1956, Denis Borges, um destaque do setor é a procura por produtos de caligrafia e lettering, que tem aumentado nos últimos quatro anos. “De tempos em tempos aparecem modas e tendências, que não sabemos se vão ficar, mas que acabam tendo um impulso interessante nas vendas, como foi com o livro de colorir e agora é com o lettering”, explica.

Embora a empresa seja focada no público artista, Denis destaca que a busca por materiais de lettering, principalmente as canetas (inclusive com pontas que imitam pincéis), também tem vindo de quem pratica a atividade por hobby. “Os produtos ficaram mais baratos e isso permitiu que não só os profissionais pudessem brincar com a arte”, diz ele, da rede que possui seis endereços em São Paulo e 44 funcionários.

O lettering também tomou um papel de destaque na Pintar Materiais Artísticos, loja paulistana com três unidades que está há 17 anos no setor. “Ele é um forte nosso. O público passou a ser muito grande de cinco anos para cá. Atendemos bem os profissionais da publicidade, muito mais do que a caligrafia fazia no passado”, conta um dos sócios, Ronaldo Dimitrow.

Gerente de compras da Casa do Artista, loja especializada em material de arte, desenho e arquitetura desde 1962, Alberto Peciauskas conta que a empresa, que vende online e possui uma unidade em São Paulo, apostou em uma ampliação da sessão de marcadores e canetas. “É o que está em evidência. Já existiam marcadores carros-chefes, mas os importadores começaram a trazer muita novidade”, diz.

Para abastecer o mercado, as grandes empresas têm aproveitado a febre da papelaria e, sobretudo, do lettering. “Nos últimos anos, o desembolso do consumidor foi maior e mais focado nos itens de papelaria. A tendência impactou principalmente o mercado de canetas coloridas e marcadores de texto. Tons neon e pastel lideram a lista”, aponta Marcelo Vecchi, gerente de comunicação no Brasil da alemã Faber-Castell, que lança anualmente entre 40 e 50 produtos. Outra gigante no setor, a japonesa Pentel também investiu no crescimento da linha de artes e lançou canetas especiais para lettering.

Além do material importado, o setor de papelaria brasileiro também contribui com criações próprias. A Fina Ideia, papelaria online criada em 1994 por Isa Spivack, tem na agenda e no planner os carros-chefes da marca, mas também decidiu acompanhar a tendência e criou o caderno para lettering.

Por enquanto, ele foi lançado para os 500 lojistas que revendem produtos da marca, mas será disponibilizado para o consumidor final em setembro. “As pessoas estavam usando o nosso álbum de fotos para fazer lettering e tivemos essa sacada de adaptá-lo. O mercado de papelaria cresceu muito, os estudantes, desde a idade escolar até o concurseiro, fazem fichas de resumo, anotações, cadernos”, diz a gerente de marketing Milu Spivack.

Moda impulsiona cursos de caligrafia e lettering

Seja por hobby ou para aumentar a renda, a procura por cursos de lettering têm acompanhado a tendência vista pelas papelarias. “O lettering é uma letra desenhada. Se bem desenvolvido, conta uma história pelas palavras. Não é uma explosão nacional, mas mundial”, diz a calígrafa Silvia Cavalcanti, que trabalha com caligrafia desde 1992 e no ano passado começou a dar aulas de lettering.

Nas turmas da professora, a hora-aula custa em média R$ 65 e os alunos - a maioria mulheres - têm profissões e idades variadas. “Muitos procuram para acrescentar beleza no trabalho que já fazem, como designers, mas já ensinei até a uma dentista, que queria aliviar o estresse e conhecer o universo da filha de 12 anos, apaixonada pelo lettering”, conta. Além das aulas, Silvia também faz projetos de caligrafia e lettering, como o Papel Luz e Poesia, parceria com uma amiga, na qual vendem luminárias de papel e lettering (em média a R$ 250).

No mundo da caligrafia há 32 anos, a calígrafa e professora Andrea Branco também acompanhou a chegada do lettering. “A gente tem visto perfis no Instagram de como estudar, mostrando as letras. Fui em uma papelaria artística e tem muitas canetas novas, de pontas variadas, e o bullet journal, uma folha com linhas pontilhadas, onde dá para se escrever no espaço de uma forma diferente da pauta do caderno”, conta. 

Por enquanto, Andrea dá aulas apenas de caligrafia tradicional, mas diz que está nos planos usar a expertise para criar um curso de lettering avançado. “Hoje tenho cinco módulos do curso de caligrafia, mas estou animada para criar uma edição mais aprofundada de lettering para, por exemplo, o designer que vai fazer um logotipo para uma marca.” 

 

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Lettering, a arte de desenhar letras, movimenta lojas tradicionais de material artístico

Casas com foco em profissionais do design e das artes abrem leque de produtos para atingir clientela interessada em papelaria e caligrafia

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 06h16

Entre a febre da papelaria, uma das maiores tendências aparece em torno do lettering, a arte de desenhar letras, que aparece em produtos variados, como quadros, embalagens, cartazes, cadernos, tatuagens e lousa de restaurante. A prática tem impulsionado também os negócios de papelaria que estão há anos no mercado.

Para um dos sócios da Papelaria Universitária, rede familiar paulistana fundada em 1956, Denis Borges, um destaque do setor é a procura por produtos de caligrafia e lettering, que tem aumentado nos últimos quatro anos. “De tempos em tempos aparecem modas e tendências, que não sabemos se vão ficar, mas que acabam tendo um impulso interessante nas vendas, como foi com o livro de colorir e agora é com o lettering”, explica.

Embora a empresa seja focada no público artista, Denis destaca que a busca por materiais de lettering, principalmente as canetas (inclusive com pontas que imitam pincéis), também tem vindo de quem pratica a atividade por hobby. “Os produtos ficaram mais baratos e isso permitiu que não só os profissionais pudessem brincar com a arte”, diz ele, da rede que possui seis endereços em São Paulo e 44 funcionários.

O lettering também tomou um papel de destaque na Pintar Materiais Artísticos, loja paulistana com três unidades que está há 17 anos no setor. “Ele é um forte nosso. O público passou a ser muito grande de cinco anos para cá. Atendemos bem os profissionais da publicidade, muito mais do que a caligrafia fazia no passado”, conta um dos sócios, Ronaldo Dimitrow.

Gerente de compras da Casa do Artista, loja especializada em material de arte, desenho e arquitetura desde 1962, Alberto Peciauskas conta que a empresa, que vende online e possui uma unidade em São Paulo, apostou em uma ampliação da sessão de marcadores e canetas. “É o que está em evidência. Já existiam marcadores carros-chefes, mas os importadores começaram a trazer muita novidade”, diz.

Para abastecer o mercado, as grandes empresas têm aproveitado a febre da papelaria e, sobretudo, do lettering. “Nos últimos anos, o desembolso do consumidor foi maior e mais focado nos itens de papelaria. A tendência impactou principalmente o mercado de canetas coloridas e marcadores de texto. Tons neon e pastel lideram a lista”, aponta Marcelo Vecchi, gerente de comunicação no Brasil da alemã Faber-Castell, que lança anualmente entre 40 e 50 produtos. Outra gigante no setor, a japonesa Pentel também investiu no crescimento da linha de artes e lançou canetas especiais para lettering.

Além do material importado, o setor de papelaria brasileiro também contribui com criações próprias. A Fina Ideia, papelaria online criada em 1994 por Isa Spivack, tem na agenda e no planner os carros-chefes da marca, mas também decidiu acompanhar a tendência e criou o caderno para lettering.

Por enquanto, ele foi lançado para os 500 lojistas que revendem produtos da marca, mas será disponibilizado para o consumidor final em setembro. “As pessoas estavam usando o nosso álbum de fotos para fazer lettering e tivemos essa sacada de adaptá-lo. O mercado de papelaria cresceu muito, os estudantes, desde a idade escolar até o concurseiro, fazem fichas de resumo, anotações, cadernos”, diz a gerente de marketing Milu Spivack.

Moda impulsiona cursos de caligrafia e lettering

Seja por hobby ou para aumentar a renda, a procura por cursos de lettering têm acompanhado a tendência vista pelas papelarias. “O lettering é uma letra desenhada. Se bem desenvolvido, conta uma história pelas palavras. Não é uma explosão nacional, mas mundial”, diz a calígrafa Silvia Cavalcanti, que trabalha com caligrafia desde 1992 e no ano passado começou a dar aulas de lettering.

Nas turmas da professora, a hora-aula custa em média R$ 65 e os alunos - a maioria mulheres - têm profissões e idades variadas. “Muitos procuram para acrescentar beleza no trabalho que já fazem, como designers, mas já ensinei até a uma dentista, que queria aliviar o estresse e conhecer o universo da filha de 12 anos, apaixonada pelo lettering”, conta. Além das aulas, Silvia também faz projetos de caligrafia e lettering, como o Papel Luz e Poesia, parceria com uma amiga, na qual vendem luminárias de papel e lettering (em média a R$ 250).

No mundo da caligrafia há 32 anos, a calígrafa e professora Andrea Branco também acompanhou a chegada do lettering. “A gente tem visto perfis no Instagram de como estudar, mostrando as letras. Fui em uma papelaria artística e tem muitas canetas novas, de pontas variadas, e o bullet journal, uma folha com linhas pontilhadas, onde dá para se escrever no espaço de uma forma diferente da pauta do caderno”, conta. 

Por enquanto, Andrea dá aulas apenas de caligrafia tradicional, mas diz que está nos planos usar a expertise para criar um curso de lettering avançado. “Hoje tenho cinco módulos do curso de caligrafia, mas estou animada para criar uma edição mais aprofundada de lettering para, por exemplo, o designer que vai fazer um logotipo para uma marca.” 

 

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