Lucas Pardal
Lucas Pardal

EuVô, aplicativo de transporte para idosos, começa a operar em São Paulo

Com foco na população com mais de 60 anos, startup de São Carlos (SP) oferece, além de transporte de idosos, serviço de acompanhamento porta a porta

Mateus Apud, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 17h35

A startup EuVô, aplicativo de transporte e acompanhamento voltado para a terceira idade, ganhou na semana passada o aval da Prefeitura de São Paulo para atuar na capital paulista. Desde 2017, quando a empresa foi fundada pela dupla de irmãos Gabriel e Victória Barboza, a empresa operava apenas na cidade de São Carlos, no interior do Estado.

A chegada do aplicativo já estava sendo anunciada desde o início de agosto e, por isso, já conta com 43 motoristas cadastrados na capital. Na lista de espera, são 1.500 motoristas esperando liberação para usar o aplicativo, que será concedida conforme a demanda crescer, dizem os irmãos. Com dois anos de operação em São Carlos, a EuVô conta com 1.500 clientes cadastrados e 18 motoristas, realizando uma média de 150 corridas por mês.

A expectativa é mais do que dobrar esses números até o final deste ano. "Nosso foco em quatro meses é chegar a 5.000 viagens por mês com cerca de 500 motoristas cadastrados", diz Victória. Um impulso que deve ajudar é a participação da empresa no programa de aceleração da Estação Hack, do Facebook em parceria com a Artemisia, que atua no fomento do empreendedorismo de impacto social no País. A EuVô foi uma das 10 startups selecionadas para passar este semestre aprimorando o modelo de negócios em residência no endereço do Facebook na Avenida Paulista.

A ideia da empresa nasceu de uma necessidade pessoal, quando os irmãos se viram obrigados, em 2016, a voltar para São Carlos para cuidar da mãe, portadora de esclerose múltipla. Diante da dificuldade de locomoção da mãe, somada às aulas de pós-graduação de Victória sobre o mercado da terceira idade, eles enxergaram a oportunidade para empreender no ramo. "A EuVô tem o objetivo de dar autonomia para o público 60+", conta Victória.

Pela EuVô, o motorista ajuda no transporte do idoso em atividades diárias e também serve de acompanhante - diferencial da empresa em relação a outros aplicativos de transporte. Para agendar a corrida, o pedido deve ser feito no mínimo três horas antes via aplicativo, site, Whatsapp ou telefone. "Muitas vezes quem cadastra é o filho ou neto, então dentro do app a pessoa consegue cadastrar seu nome e colocar seu parente como passageiro", diz a empreendedora.

Para decolar, a EuVô também mira a crescente população idosa do País. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1940 e 2017, a expectativa de vida no País aumentou em mais de 30 anos, atingindo 76 anos. Hoje, 15% da população é formada por idosos e, em 2050, o Brasil já terá mais pessoas acima dos 60 anos do que jovens.

Treinamento do motorista

Para começar a operar, o motorista deve passar por um treinamento sobre como lidar com os idosos, já que o atendimento do aplicativo é feito de porta a porta. O treinamento é cobrado do motorista, uma taxa de R$ 80, que é devolvida caso o motorista não seja aprovado pela empresa.

"O motorista é treinado para aprender a lidar com esse público no transporte ou no acompanhamento. Junto com o doutor Egídio Dória, diretor da Faculdade Aberta dos Idosos, nós elaboramos um treinamento para padronizar o serviço da EuVô. Então, todo motorista passa pelo treinamento presencial, que conta com parte institucional da empresa, uma gerontóloga, uma psicóloga e noções de primeiros socorros", conta ela.

Em um mercado com aplicativos gigantes de transporte como Uber, 99 e Cabify, ela afirma não ver essas empresas como concorrentes diretos, mas sim como complementares, já que o foco da EuVô está no atendimento e no acompanhamento. Em troca, o motorista ganha uma maior porcentagem de corrida, diz ela, e recebe até com o carro parado, pois também é remunerado pelo acompanhamento. “Já tivemos casos de motorista que fizeram R$ 150 em três horas. Em outros aplicativos o tempo de trabalho é muito maior para alcançar esse valor.”

* Estagiário sob a supervisão do Editor de Economia, Alexandre Calais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.