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Adaptação tecnológica ajuda negócio centenário a sobreviver

E-commerce, televendas e iniciativas em redes sociais estão entre estratégias de negócios centenários para manter influência e clientela

Ana Beatriz Bartolo, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 06h09

ESPECIAL PARA O ESTADO

Após 100 anos de existência, um comércio tem de se adaptar não apenas às mudanças dos consumidores e do mercado, mas também às transformações tecnológicas. O Empório Chiappetta, no Mercado Municipal de São Paulo, é um exemplo com histórico de iniciativas para se adaptar aos novos tempos.

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Terceira geração do comércio, Eduardo Chiappetta conta que o negócio da família foi um dos primeiros a automatizar as vendas, com leitura de códigos de barras, ainda na década de 1990. Além disso, diz, pouco antes dos anos 2000 eles já testavam os primeiros passos nas vendas online.

“Nosso comércio virtual acontece hoje por televendas. Nós também usamos influenciadores em redes sociais, chefes de cozinha e o pessoal da gastronomia que faz cursos e eventos sob demanda para a demonstração dos nossos produtos.”

A Casa da Boia, que ainda não possui e-commerce, faz ajustes para oferecer essa opção ao cliente em seu site, conta Mario Rizkallah. “Se o cliente muda, nós temos que ir atrás do cliente”, diz ele, ao indicar a tendência de consumo pela internet.

A consultoria Ebit/Nielsen apontou um crescimento de 12% das vendas online de 2017 para 2018, segundo dados divulgados em fevereiro deste ano. O faturamento de 2018 do comércio eletrônico somou R$ 53,2 bilhões, a partir de 123 milhões de pedidos feitos, com ticket médio de R$ 434 nas compras.

Para o professor Samir Lótfi, coordenador técnico dos programas de especialização da Fundação Dom Cabral, o comércio digital deve ser encarado pelos negócios centenários como um canal importante na venda de produtos e serviços para diferentes grupos de cliente, principalmente por conta da adaptação dos próprios negócios (e seus produtos) ao longo das décadas.

Miguel Romano, da Casa Godinho, conta que o empório está entrando no comércio digital em etapas, começando com encomendas na região central da cidade, depois passando para o perímetro urbano de São Paulo, até que finalmente todos os produtos estejam disponíveis em e-commerce.

“Em 1995, o cartão de crédito estava virando uma mania, ainda mais que o Plano Real trouxe uma moeda mais estável, mas aqui a gente não aceitava. Era só dinheiro ou cheque”, relembra Romano, que propôs aos sócios aceitar cartão assim que entrou na sociedade.

“A preocupação é pelo que pode ser útil: como eu posso satisfazer o meu cliente? Quando dá certo, eu mantenho. Às vezes a gente erra e aí a gente tira, não tem problema. Mas a gente sempre tenta fazer alguma coisa nova”, conta Romano.

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