Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

40% dos bares e restaurantes devem fechar em SP, diz pesquisa do setor

Segundo levantamento da Abrasel feito com empreendedores de São Paulo, estimativa leva em conta recessão que deve vir após abertura; 61% deles apoiam isolamento social

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 18h37

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel - SP) aponta que, entre os empresários do setor, grande parte acredita que cerca de 40% das casas fecharão as portas por conta da crise provocada pelo novo coronavírus

Foram entrevistados 125 empresários que possuem, no mínimo, três estabelecimentos do ramo na cidade de São Paulo e na região metropolitana. Para responder, os empreendedores levaram em conta não apenas os seus negócios, mas o conhecimento que têm de outros bares e restaurantes.

“Todo dono de restaurante se relaciona com vários colegas, com os vizinhos, com os fornecedores. É um pessoal que conhece bem a situação vivida e isso se reflete na própria análise da realidade”, explica o presidente da Abrasel-SP, Percival Maricato.

Ele destaca que a dinâmica do setor de bares e restaurantes faz com que cerca de 30% dos estabelecimentos fechem naturalmente em até dois anos de existência, mas que também há uma reposição, o que não deve acontecer no período de quarentena.

“Não é só a quarentena em si. Eles acham que 40% não irão sobreviver à crise, com a recessão brava que vai vir depois dela. Esperava-se que a quarentena fosse um pouco menor, que as pessoas então lançariam mão disso e daquilo e iam sobrevivendo, mas ela vai se prolongar um pouco mais e a abertura vai ser gradual”, destaca.

Um outro ponto relevante da pesquisa é que 61% dos empresários entrevistados acreditam no isolamento social e na volta da atividade econômica de forma gradual e segura. “Apesar de ter muita tensão no setor, os empresários estão ainda com alguma tranquilidade para achar que a abertura tem que ser equacionada, feita em consonância com as orientações das autoridades, gradualmente”, explica Maricato.

O levantamento também aponta que para 59% dos entrevistados o auxílio governamental não foi suficiente para manter os negócios funcionando. Para 35% a quantia foi o suficiente, mas houve ressalvas em relação ao atraso no pagamento e a necessidade de facilitar a liberação de crédito

“A pesquisa mostra uma habilidade com que eles estão lidando com as possibilidades de equacionar a questão trabalhista para evitar o desemprego. Estão procurando usar todos os expedientes possíveis: férias coletivas, redução de jornada e de salário, suspensão dos contratos, uso da convenção coletiva e medidas provisórias. Mas há uma reclamação generalizada das burocracias com os bancos e de que tem sido difícil o acesso aos auxílios programados com o governo.”

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