Retomada do negócio pede reinvenção e desprendimento do que se fazia antes

Retomada do negócio pede reinvenção e desprendimento do que se fazia antes

Setor de beleza e estética serve de inspiração a demais setores na retomada do comércio; agregar serviços e fazer parcerias podem ajudar a fazer a diferença em meio a pandemia

Ana Vecchi

10 de julho de 2020 | 13h43

Como o tempo me permite ver a evolução do meu trabalho e abrir mão, me descolar, me desprender do que fazia antes versus a sensação de perda do que fazia? É importante focar e concentrar energia no que fazer e não desperdiçar vigor no que deixou de fazer.

O retorno dos negócios se dará, como em outros países, em média, com 30% do que era antes da pandemia do novo coronavírus. Portanto, há de se fazer por dia 3 vezes o que fazia antes. Como? Jargões ou palavras mágicas do momento: se reinventar, criatividade, inovar, novo normal e nada será como antes podem ser encaradas positivamente como desafio e oportunidades ou se tornarem temerárias, causarem insegurança e medo.

Quem está em casa e precisa repensar no que fazer e como não terá que inventar um novo iphone nem começar a vender bolo ou receita da avó porque todos estão fazendo isso, tampouco quebrar paradigmas se nem sabe o que esta palavra ou ação quer dizer… Respire. Lidar com o emocional é fundamental! O pânico paralisa, a segurança liberta. E fazemos a escolha do que queremos.

Ninguém enfrenta qualquer momento da vida totalmente sozinho. Um time, um amigo, uma voz conselheira abre a visão, sugere um bom caminho.  Você não vai sair dessa sozinho e, quem sabe, vai sair mais forte e reconhecendo mais pessoas como parceiras.

Fazer o simples, bem estruturado, bem feito, já fará toda a diferença! Como?

  1. Agregando valor ao que faz

Estruture uma pesquisa e pergunte aos clientes do que gostam, do que precisam e se eles se dispõem a comprar: foco no perfil de clientela, suas necessidades e intenções de gastos.

Estruturar pesquisa significa ter as perguntas e respostas registradas, compilar os dados e definir o que vai vender de verdade! Não basta apenas perguntar e “ter uma ideia” do que querem. Existe uma pesquisa denominada NDC (Nova Dinâmica de Consumo), realizada online pela GisTarget, que pode direcionar a obter estas respostas: 

  • Até que ponto a crise alterou o comportamento de seu cliente/público-alvo?
  • O que mudou nas escolhas de consumo?
  • Que grau de importância cliente/público-alvo confere ao seu negócio agora?
  • Quais hábitos de consumo seu sliente tem modificado atualmente?
  • O que motiva suas escolhas hoje?
  • Por quanto tempo vai perpetuar esse novo comportamento?
  • Qual a percepção que seu cliente tem, atualmente, de sua marca?

Fazer combos no salão (como pé + mão + reflexologia) ajuda a fidelizar o cliente. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Negócios com equipes: todos da equipe passam a ser vendedores interessados em demonstrar interesse nas pessoas, que a empresa se adaptou ao mercado atual e não quer renunciar a cada pessoa que frequenta o salão. Frequenta, e não frequentava. Vamos falar de presente e futuro!

  1. Agregar serviços ao que vende, com negociações melhores

Aquisição de conhecimento é a bola da vez! Estude, quando estiver em casa, sempre! Quem faz pé e mão poderia estudar para aplicar reflexologia. A 1ª vez na oferta aos clientes será degustação de 15 minutos, na próxima passa a pagar pelo serviço. Combo: pé + mão + reflexologia mais barato do que feitos individualmente.

Indicar de quem/onde a cliente compra produtos com as marcas que interessam ao profissional, via e-commerce e profissional e cobrar o serviço apenas. Sensação de bem mais em conta para cliente, com a mesma qualidade que busca nos serviços.

Atender em domicílio e mostrar todos os cuidados tomados: face shield (máscara de acetato), luvas, pro-pé, toalhas individuais ensacadas, álcool em gel spray. Troca de roupa quando chega na casa da cliente a faz ela se sentir-se mais segura, maca (de massagem) com papel descartável que cobre toda a extensão, como no salão, entre outros cuidados.

Buscar parcerias: desinfecção dos carros de clientes, sem cobrar, enquanto fazem os tratamentos e serviços. Já são oferecidos manobrista, vallet e lavagem de carro. Se precisar cobrar, porque não cabe nos custos do salão, OK e apresentar o que é, benefícios, quanto custa fora do salão e, devido à parceria, melhor valor.

Ver com fornecedores de desinfecção e higienização o que eles têm a oferecer comercialmente, sabendo que eles também precisam vender e tiveram alguma perda de faturamento. Isso inclui o que, legalmente, os salões deverão ter de investimento em equipamentos e materiais internos, para promover segurança a todos – equipe e clientes.

  1. Demonstrar ganho neste momento

Unir esforços: exemplo, 3 profissionais em 1 negócio e cada um traz sua clientela + 1 que faça o marketing digital e ganha sobre resultado.

Quem voltou para o interior, praia e/ou cidade natal: valorize-se, mostre seu diferencial! “O profissional X volta à sua cidade (ou vem ficar mais perto de seus familiares) e traz consigo a bagagem de conhecimento que adquiriu em SP, RJ, MG, PR, CE.  Você terá a oportunidade de conhecer o que há de novo por lá...” E, se não tiver nada de novo para mostrar, não minta! Valorize a qualidade do seu serviço, o que clientes mais gostam em você! Foco no positivismo!

Se optar em não abrir (novo) negócio, encare o emprego como uma grande oportunidade, empreenda lá, some, agregue, dê boas ideias e traga resultados ao salão. Isso é empreender.

Unir salões próximos que eram concorrentes e passaram a constituir uma única marca, cada profissional traz sua clientela e fica feliz em compartilhar clientes.

Ah! Não sabe o que é visagismo? Procure as mídias sociais do Robson Trindade e aprenda com ele. Mais: todos nós devemos saber e fazer uso do visagismo, nos valoriza e empodera. Faz bem até para a alma! 😊

* Ana Vecchi é consultora de empresas, fundadora e CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBA, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 30 anos, no ciclo de vida das empresas, da criação à expansão de negócios e ocupação estratégica de mercado. É mentora de investidores e empreendedores, além de conselheira de empresas tradicionais e startups.

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