Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

60% das mulheres dizem que vão retomar logo rotina em salões de beleza

Enquanto isso, 81% das entrevistadas de alta renda em levantamento dizem que irão evitar volta a restaurantes, bares e comércios na primeira semana da retomada; em SP, governo autorizou volta a partir de 6 de julho

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2020 | 06h07

Enquanto 81% das mulheres de alta renda afirmam que não existe a menor possibilidade de retornarem a frequentar (dentro de 7 dias após a retomada do comércio) restaurantes, bares, comércios e praças de alimentação com a mesma frequência que faziam antes da pandemia, 60% delas dizem que pretendem voltar a frequentar logo salões de beleza, spas e centros de estética. É o que mostra pesquisa realizada com 660 mulheres das classes A+, A e B de São Paulo e do Rio de Janeiro, pela empresa SKS CX Customer Experience, e que revela o potencial que negócios de beleza têm para voltar às atividades com a retomada do comércio na pandemia do novo coronavírus.

O governador João Dória autorizou, na última sexta-feira, 26, a reabertura de restaurantes, bares e salões de beleza a partir da segunda-feira dia 6 de julho, para a cidade de São Paulo, ABC e o sudoeste da Grande São Paulo, com atenção a uma série de regras

Ainda que, segundo a pesquisa, a maioria das mulheres queira retornar aos salões, uma parcela substancial (35% das ouvidas) diz que não deve retomar tão cedo a rotina de beleza e estética. Para Stella Kochen, fundadora da SKS CX Customer Experience, o número pode ser um reflexo de como as mulheres também precisaram reinventar os cuidados com a beleza dentro de casa.

“As mulheres estão descobrindo como fazer as coisas sozinhas nesse momento, seja por meio de grupos do Facebook ou lives que vêm acontecendo. Muitas vão perceber que não vão precisar ir com a mesma frequência que iam antes”, analisa ela.

Dados de uma pesquisa do Sebrae realizada entre 30 de abril e 5 de maio indicavam que 92% dos empreendimentos de beleza tinham sofrido queda no faturamento mensal. No último mês, diz a entidade, salões voltaram aos poucos a abrir as portas ao público e o número de empresários que declaram ter as portas fechadas caiu 9 pontos percentuais.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo empreendedor, ainda segundo pesquisa do Sebrae, foi a adaptação durante a pandemia, com opções digitais - 73% declararam não conseguir ter conseguido alternativas pois só funcionam de forma presencial.

Dentre os 27% que já estão funcionando de forma adaptada, somente 14% deles dizem usar ferramentas digitais, tendo as redes sociais como principal via. A forma adaptada envolve a venda de tinturas por delivery e vouchers de serviços que serão prestados no futuro, além do atendimento domiciliar, liberado pelas autoridades no início de abril. 

Para a consultora do Sebrae-SP Maisa Blumenfeld, a demanda que ficou reprimida durante o isolamento social deve ajudar na retomada dos negócios, mas as clientes só irão frequentar quando se sentirem de fato seguras. “O salão precisa tornar tangível a segurança, utilizando os protocolos sanitários, de maneira que atraia essa cliente para voltar. Quando ela percebe que o salão implementa boas práticas, se sente mais segura.”

Para a retomada acontecer de forma correta e segura, o Sebrae lançou no mês de junho uma série de protocolos para todos os setores, separados por segmentos, e possui uma cartilha voltada para o setor da beleza.

Tássia Morais, dona do salão de beleza Toque Final, em São Paulo, conta que ficou totalmente sem atendimentos por 3 semanas no começo da quarentena e só voltou a faturar quando o atendimento domiciliar foi liberado em São Paulo. “Ainda assim, muitas pessoas ficam receosas em receber alguém em domicílio.”

A proprietária conta que, como já era atendida pelo Sebrae, recebeu a cartilha com antecedência e conseguiu se preparar para ter todos os materiais de proteção. “Isso me trouxe um custo bem mais alto e sei que, quando meus materiais acabarem, as coisas estarão o dobro do valor. Mas eu não repassei e pretendo segurar ao máximo esse valor para as clientes.”

Tássia conta que tem conseguido seguir os protocolos indicados, revezando entre uma equipe e outra por conta do espaço, e que uma das dificuldades tem sido conscientizar as clientes a acompanharem as normas de proteção. “Em qualquer oportunidade elas querem tirar a máscara, conversar sem. Mas o medo da doença continua existindo.”

Na unidade de franquia do salão Jacques Janine no Morumbi, em São Paulo, a preparação para reabertura já está quase no fim. Roger Ajouri, cabeleireiro e dono do espaço, conta que a rede adotou uma série de medidas como tapetes higienizadores, separação de pelo menos um metro entre as clientes, máscaras e face shields, materiais descartáveis, separações em acrílico e orientações para as equipes, que foram separadas em números reduzidos para irem até o local.

“Essa adaptação vai gerar um custo alto e vai sair do lucro do salão, porque não dá pra tirar das manicures e dos cabeleireiros, que estão parados há tanto tempo”, diz o franqueado.

Ele também relata que houve uma procura muito grande nos últimos tempos. “Recebemos a procura e oferecemos enviar o serviço em domicílio, mas muitas pessoas não querem ninguém em casa, então não aceitam.” Como forma de diminuir os impactos no faturamento, ele passou a vender a tinta preparada e pronta para aplicação pela própria cliente em casa.

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* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni

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