As empreendedoras – mulheres – são a força motriz da transformação social

As empreendedoras – mulheres – são a força motriz da transformação social

Há 15 anos, a Artemisia nascia do incômodo de uma mulher norte-americana com as desigualdades sociais do Brasil; compromisso é com mudanças para pessoas em situação de vulnerabilidade

Maure Pessanha

10 de março de 2021 | 15h00

Existem muitas contribuições femininas no ecossistema de negócios de impacto social. Vejo isso todos os dias e tenho exemplos plurais e concretos dessa força da mulher na construção de uma nova forma de empreender. Uma das histórias de potência foi escrita dentro da própria organização que dirijo.

Há 15 anos, a Artemisia nascia de um incômodo de uma jovem mulher norte-americana com as desigualdades sociais do Brasil. Kelly Michel questionava como poderíamos, como sociedade, construir novas narrativas condizentes com uma jornada mais justa e igualitária e que garantisse a toda cidadã e todo cidadão as liberdades fundamentais para acessar as oportunidades de educação, saúde e moradia em prol da mobilidade social. 

A leitura de mundo que Kelly compartilhava, nesse momento, estava em plena sinergia com pensadores contemporâneos como Muhammad Yunus e Amartya Sen. Este último, Nobel de Economia em 1998, já postulava – na obra Desenvolvimento como Liberdade – que “o desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação de liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social sistemática e negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos”.

Diante da força desse pensamento, ela reuniu um grupo de pessoas diversas, comprometidas com a mudança social, que ousou indagar se determinados modelos de negócios poderiam gerar impacto social em larga escala e, dessa forma, contribuir para melhorar a vida de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica no País. 

A norte-americana Kelly Michel. Foto: Acervo Pessoal

Cabe lembrar, inclusive, que a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram Princípios de Empoderamento das Mulheres, um conjunto de considerações que ajudam a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios valores e práticas que visem à equidade de gênero. No quinto item está a importância de apoiar o empreendedorismo feminino e promover políticas de empoderamento das mulheres.

À época da fundação da Artemisia, o Zeitgeist – espírito do tempo – preenchia-nos com a coragem e a indignação necessárias para sonhar e construir um país diferente, onde realidades de escassez poderiam ser transpostas e transformadas em abundância de oportunidades. 

Longe dos clichês de jornadas heroicas, a incursão da Artemisia tem sido pontuada por acertos e erros, sobretudo, por transformações, experimentação, humildade para aprender, disposição para disseminar aprendizados e para inovar. No mês em que se celebra a luta feminina por condições igualitárias, quero agradecer a muitas mulheres que são a força motriz de um ecossistema que tem se tornado plural e diverso – o de negócios de impacto social.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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