Aplicativo gratuito ajuda a mapear casos do novo coronavírus pelo País

Aplicativo gratuito ajuda a mapear casos do novo coronavírus pelo País

Com informações fornecidas por usuários em plataforma, startups querem montar mapa nacional de risco de contágio pelo novo coronavírus, atualizado em tempo real

Maure Pessanha

25 de março de 2020 | 16h33

Um movimento liderado por dois negócios de impacto social nasceu para ajudar a barrar a disseminação do novo coronavírus no Brasil. A iniciativa conjunta do Colab (plataforma de engajamento para a cidadania) e Epitrack (startup de inteligência de dados focada em monitoramento e controle de doenças) pretende identificar antecipadamente o risco de casos da covid-19 no País.

Por meio de um aplicativo gratuito baixado no celular (sistemas Android e IOS), os brasileiros e brasileiras podem fornecer dados, de maneira anônima, sobre o próprio estado de saúde; essas informações se tornarão insumos para que seja construído um mapa nacional de risco.

A plataforma Brasil sem Corona trará dois tipos de indicadores: estimativa de casos da covid-19 por territórios, atualizada em tempo real, e uma precisão da evolução da incidência em até sete dias. Esse conteúdo, transformado em planilhas, será disponibilizado para que gestores públicos usem as informações para nortear a tomada de decisão de saúde pública a partir da previsibilidade sobre os riscos de contágio, priorizando regiões mais vulneráveis.

A união desses dois negócios de base tecnológica e impacto social responde a um enorme desafio que temos diante da pandemia – vencer a lacuna de informações sobre o número de infectados e a sua localização. Como o paciente só entra na estatística do sistema de saúde quando procura assistência médica, no período entre o surgimento dos sintomas e a notificação, ele pode ter transmitido o vírus para outras pessoas, sem que haja registro.

Mapa do Brasil Sem Corona. Foto: Reprodução

Na prática, a falta de informações precisas compromete a atuação do poder público. A iniciativa permite, então, uma vigilância participativa, ou seja, a população pode contribuir para gerar dados que são extremamente relevantes para atuação da gestão pública.

Em uma coluna anterior, destaquei o quanto a atuação do Colab em parceria com a ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos) tem colaborado para diagnosticar os avanços brasileiros nas metas de desenvolvimento urbano sustentável. Fundado em 2013, o negócio liderado por Gustavo Maia e Paulo Pandolfi foi eleito o melhor aplicativo do mundo pela New Cities Foundation.

A pernambucana Epitrack, por sua vez, foi fundada pelo empreendedor e biomédico Onício Leal Neto e atua no segmento de digital health alinhada à missão de proporcionar acesso inteligente à saúde a partir de plataformas com mapas interativos – que mostram como doenças se comportam no território.

Criado em 2013, o negócio de impacto social se tornou referência internacional na construção de plataformas baseadas em crowdsourcing e inteligência epidemiológica, tendo atuado em países como Estados Unidos, Canadá e Suíça e Porto Rico. Essa startup desenvolveu plataformas de vigilância participativa em grandes eventos como a Saúde na Copa – para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil –, e a Guardiões da Saúde, voltada aos Jogos Olímpicos de 2016.

Diante de incertezas trazidas pela pandemia do novo coronavírus, uma verdade emerge: o combate ao vírus passa por ações individuais de alto impacto coletivo. E a iniciativa dessas duas empresas de tecnologia – Colab e Epitrack – traz justamente essa premissa. Devemos munir, individualmente, a plataforma de informações corretas e honestas para que como sociedade possamos agir em prol do benefício coletivo.

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* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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