A balança do franchising mostrou que um lado pesou mais em 2020

A balança do franchising mostrou que um lado pesou mais em 2020

Em crises como a do coronavírus, experiência e planejamento contam muito, assim como ter na retaguarda um franqueador experiente; dados da ABF mostram segmentos que mais seguraram o franchising no ano

Ana Vecchi

11 de março de 2021 | 18h24

Nós, do sistema de franchising, sempre nos orgulhamos dos números do setor, pois ao longo dos anos, muitas vezes, ele se mostrou superior ao PIB brasileiro. Não por competição ou porque queríamos parecer melhores, mas porque é um modelo que minimiza riscos, tem histórico maior de sucesso se comparado aos negócios independentes, é um ecossistema muito importante para a economia, gera empregos e potencializa empreendedores.

Divulgado pelo IBGE, os efeitos adversos da pandemia do novo coronavírus em 2020 resultaram na queda do PIB em 4,1% frente a 2019, a menor taxa da série histórica, iniciada em 1996. No desempenho das três atividades que o compõem, houve alta somente na Agropecuária (2,0%) e quedas na Indústria e nos Serviços. O PIB totalizou R$ 7,4 trilhões em 2020. O PIB per capita totalizou queda de 4,8% em termos reais.

Os indicadores das atividades do PIB são apresentados e analisados trimestralmente, assim como os segmentos que compõem o setor de franquias, que manteve sua curva de recuperação no 4º trimestre de 2020, se aproximando dos níveis pré-covid-19. Porém, ao considerar-se o desempenho de 2020, o impacto da pandemia foi bem maior, com o faturamento geral do setor recuando quase três anos e queda de 10,5% em relação a 2019.

Não havia como ser diferente se, de um dia para outro, os shopping centers, galerias e ruas tinham todos os pontos comerciais fechados, todos nós em isolamento social por medidas necessárias para conter a disseminação do vírus, à exceção das atividades essenciais e seus colaboradores heróis de linha de frente. A queda dos índices de confiança do consumidor e do empresariado, a mudança de hábitos do consumidor, principalmente nas áreas de entretenimento e turismo e a queda do setor de serviços refletiram diretamente no franchising.

Os números mudaram de lugar: antes mais franquias eram abertas contra as fechadas; havia um certo receio em comprar franquias de repasse, que tiveram seu índice crescido devido às oportunidades que passaram a representar; os “grandes”, como shopping centers, vitais para a expansão das redes cujas negociações dependiam, exclusivamente, do interesse de seus administradores.

O segmento de Casa e Construção teve um aumento de 12,8% no ano passado. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

No cenário 2020, as redes franqueadas usaram da alta capacidade de negociar, promover ganhos em escala e negociaram aluguéis e taxas com muita força, ainda que tenha havido a redução de franquias em operação em -2,6%. Como consequência, o franchising gerou menos empregos e as redes menores, conscientemente, diminuíram o ritmo de expansão, focando na estruturação das franqueadoras para enfrentarem as exigências de uma nova forma de gerir negócios em rede.

Vamos aos dados mais positivos: o crescimento da participação de multifranqueados – multiunidades (donos de franquias de uma mesma marca), seja multimarcas (proprietários de operações de diferentes redes) foi de 6,5%, o que demonstra confiança em marcas mais estruturadas, consolidadas e/ou que reagiram mais rapidamente. Os segmentos que cresceram, dentre os onze elencados pela ABF, foram Casa e Construção, com uma variação positiva de 12,8% e Saúde, Beleza e Bem-Estar de 3,1% no ano.

O home office, a permanência em casa, delivery, internet, marketing digital e incremento dos meios de pagamento, entre vários outros fatores, possibilitaram que Serviços e Outros Negócios e Comunicação, Informática e Eletrônicos tenham também se beneficiado neste período, ainda que a índices menores. Dentro desses dois segmentos há negócios que venderam mais que nunca, bateram recordes e foram a bola da vez na expansão de franquias, venda de serviços e produtos!

O franchising foi a nave em que muitos novos empreendedores embarcaram e se tornaram franqueados de sucesso já num primeiro momento e outros vem enfrentando todas as dificuldades em que nos vemos, de igual modo. Franqueados da velha guarda, ou em fase adulta, já tinham musculatura suficiente para enfrentar esta pandemia, pois já tinham enfrentado tantas outras crises.

Nada se compara a esta, mas experiência, autocontrole e planejamento contam muito em todos os momentos! Ter um franqueador experiente e participar de uma rede engajada, que se orgulha do negócio que tem, faz toda a diferença e permite a mudança de rota, de canal de vendas e de procedimentos, com a segurança de enfrentar os riscos impostos nos processos de mudança.

Portanto, o franchising é um ecossistema que não engessa, zela por negócios/marcas, forte que segura a onda, diversifica negócios e envolve os stakeholders de toda a cadeia de valor, com a resiliência que lhe é devida!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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