Lucas Mendonça
Lucas Mendonça

Sanitização de ambientes faz negócios segurarem queda na pandemia

Franquias de limpeza e higienização, como Maria Brasileira e Acquazero, expandiram faturamento e número de unidades, enquanto setor de franquias sofreu retração em 2020

Igor Soares, Especial para o Estado

25 de fevereiro de 2021 | 05h00

Com a retração econômica que o País vive há um ano por conta do coronavírus, empreendedores do setor de limpeza e conservação enxergaram uma oportunidade para fazer o negócio crescer. A alta demanda por sanitização de ambientes para barrar o avanço da covid-19 levou empresas a ampliar serviços e investir em expansão, e até fez uma marca de limpeza de carros mudar o modelo de negócios durante a pandemia.

A rede Maria Brasileira, que oferece serviços de limpeza residencial e corporativa, é um exemplo desse crescimento. Teve um salto tanto na venda de franquias quanto no faturamento, segundo dados da empresa. De março de 2020 a fevereiro de 2021, comercializou 153 franquias e registrou um faturamento de R$ 80 milhões.

Para o CEO da marca, Felipe Buranello, foi o maior crescimento registrado, embora dentro do cenário de pandemia. “A venda de franquias foi cinco vezes maior do que o que a gente pensou em 2018”, conta. “A sanitização contribuiu para este cenário, porque a limpeza não será mais vista como algo simples, mas como uma importante ferramenta de combate à covid-19”, afirma.

Como estratégia para aumentar o caixa, a empresa apostou na interiorização da rede, visando cidades com 50 mil habitantes como potencial de negócios. Buranello conta que a demanda foi maior entre pessoas jurídicas, escolas e espaços públicos. 

Para este ano, diz que a empresa quer dar um salto no faturamento para R$ 110 milhões e chegar, até 2022, ao número de 500 unidades. Questionado sobre o que a vacinação pode representar ao negócio, Buranello acredita que comportamentos trazidos pela pandemia, como a higienização, não devem mudar drasticamente após a vacina.

Outro exemplo de crescimento é o da Acquazero Eco Wash, que faz serviços de limpeza ecológica. Durante a pandemia, a empresa passou a realizar sanitização de residência, como lavagem de estofado. Além disso, criou um delivery de higienização, em que o franqueado vai até a casa do cliente. 

O diretor executivo da empresa, Henrique Mol, diz que os serviços de sanitização já faziam parte do que era oferecido, porém, pouco explorados. Com a pandemia, a Acquazero viu a possibilidade de crescer. “Tivemos recorde de faturamento nas unidades que exploraram esse serviço, tanto residencial quanto automotivo.”

De acordo com o diretor, não houve contratação de mais funcionários ou compra de mais produtos. “O que nós vimos foi não ter a necessidade de desligamento de funcionários durante a pandemia, mas tivemos uma redução pequena de colaboradores”, conta. Em 2019, o faturamento da franqueadora foi de R$ 30 milhões; já em 2020, ficou na casa de R$ 52 milhões. A rede espera fechar 2022 com 1.100 unidades.

De acordo com o último relatório da Associação Brasileira de Franchising (ABF), do terceiro trimestre do ano passado, o segmento de limpeza e conservação fechou com faturamento de R$ 347 milhões, sendo R$ 33 milhões a menos que o mesmo período de 2019 (uma queda de 8,8%). 

Apesar da queda do setor de limpeza, o desempenho ainda é melhor do que segmentos como alimentação (-11,3%), moda (-19,7%) e serviços educacionais (-12,3%). No extremo do impacto da crise, estão hotelaria e turismo (-66%) e entretenimento e lazer (-25,2%).

Mesmo com a redução de faturamento, os setores continuaram expandindo unidades de franquias. Em 2019, a abertura de novas lojas de redes de franquia ficou em 4,3%, contra 2,9% em 2020. Segundo o presidente da ABF Rio, Beto Filho, isso é explicado porque empresários franqueadores tiveram que reduzir suas margens.

“Para sobreviver, cortou-se muito o lucro, o que afeta o somatório de crescimento”, aponta ele. Segundo Filho, ainda que o franchising não tenha crescido tanto, os números do ano passado superaram as expectativas, levando em consideração o período de fechamento total de parte do comércio e proibição de serviços não essenciais.

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