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ENCONTRO PRÓ-PME| 05 de outubro de 2018 | 6h 00

Vale atenção a mercados para desbravar

Investir em uma área ainda sem concorrentes: Gomes e Velloso contam as experiências da Singu e da Dr. Consulta

Elcio Padovez - ESPECIAL PARA O ESTADO

Painel Construindo Identidade, com Tallis Gomes (Easy Taxy)(Camisa branca) e Renato Velloso (Dr. Consulta) Foto: Rafael Arbex /ESTADAO

Painel Construindo Identidade, com Tallis Gomes (Easy Taxy)(Camisa branca) e Renato Velloso (Dr. Consulta) Foto: Rafael Arbex /ESTADAO

Em tempos de crise, os empresários costumam defender a ideia de que dois setores no Brasil dificilmente desaquecem: saúde e beleza. Para o CEO da plataforma Singu, Tallis Gomes, essa crença é ainda maior quando a incerteza está no ar. Segundo ele, as mulheres costumam investir ainda mais em cuidados quando a coisa não anda tão boa na economia. “É até uma forma de manter a autoestima”, diz Tallis no Encontro Pró-PME.

Por saber disso, o empreendedor mineiro criou um modelo de negócio inovador, que, em vez de levar uma manicure até a casa da cliente, proporciona a ela um salão de beleza no conforto do lar, com direito a tratamentos de massagem.

E de cavar oportunidades onde elas aparentemente não existem, Gomes entende bem. Em 2012, quando nem se falava em Uber e aplicativos de transporte, ele criou a Easy Taxi, que em 2017, ao se tornar parte da Cabify, foi considerada uma das três maiores fusões de empresa de tecnologia no País. “É muito fácil ganhar dinheiro no Brasil para quem sabe. Mesmo com um monte de incertezas, você deve acreditar na força do seu negócio e não se sabotar. Tem gente que acha que trabalhar muito é responder a um monte de e-mails e ficar o dia inteiro em reunião, quando o importante é você ter uma lista do que precisa fazer e executá-la, sem enrolar”, orienta. “O mais importante é levantar da cadeira e fazer o negócio acontecer.”

E acompanhar os resultados: “A gente metrifica tudo. Se você não consegue metrificar seus erros e seus acertos, você não continua. Startup não falha, acaba o dinheiro. No Brasil, você tem menos tempo para acertar”.

O empreendedor conta que também investe em comunicação, principalmente nas redes sociais, fazendo parcerias com influenciadoras digitais, para que elas experimentem os serviços da Singu e conversem com o público-alvo da marca, na faixa de 20 a 35 anos. “Hoje, o Instagram é a TV moderna”, acredita.

Nova via

Geralmente, o brasileiro sofre quando o assunto é saúde. Mesmo com os reajustes acima da inflação nas mensalidades, os que podem pagar planos, se apertam para garantir o benefício privado. Quem não pode costuma penar para ser atendido no Sistema Único de Saúde (SUS). O dentista Renato Velloso, vice-presidente do Dr. Consulta, defende que existem formas mais simples e baratas de se oferecer saúde.

“Um terço da população brasileira não tem plano de saúde, e no último ano, 3 milhões de pessoas cancelaram o plano privado e agora dependem do SUS, que é bastante deficitário. Com a empresa, abrimos as portas para mais de 1 milhão de pacientes na Grande São Paulo, o que é muito positivo em termos de oferta”, diz Velloso, que também destaca que além do preço mais acessível e serviços de acordo com que o paciente precise, o Dr. Consulta sempre busca os melhores profissionais e investe em variedade de especialidades (no total, 61) e protocolos médicos online (200).

Renato também acredita que o consumidor moderno é muito empoderado, que pesquisa muito antes de tomar uma decisão, e que é preciso buscar o tempo todo novas ferramentas para atraí-lo. “O cliente sempre estará no centro das decisões, e você precisa tratá-lo assim, de maneira próxima e amiga.”

Expansão. A empresa nasceu de uma experiência na periferia de São Paulo, hoje investe na construção de uma imagem presente e positiva em 51 pontos na capital, na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro. De acordo com o vice-presidente, há planos de levar o modelo para outras capitais do País, como Belo Horizonte. Segundo ele, mesmo que o Dr. Consulta ainda não tenha concorrência direta, eles não se preocupam com possíveis empresas que tentem oferecer um segmento de saúde acessível. “Há espaço para crescimento e bons modelos de negócio podem coexistir.”

Para o CEO da Singu, a internet e negócios a partir de aplicativos devem crescer cada vez mais e gerar novas oportunidades para quem busca empreender. “A crise acaba que nos ajuda porque ela traz para a gente de forma fiel quem antes trabalhava. Uma manicure, que, como outras profissionais da beleza, nós chamamos de artistas, pode ganhar até R$ 4 mil por mês”, afirma Gomes.

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