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| 20 de dezembro de 2018 | 6h 00

Serviços devem crescer pela primeira vez desde 2014

Expectativa da CNC é de que o setor tenha aumento de 2,1% nas receitas

O Estado de S.Paulo

Família Baddini se ajustou à crise

Família Baddini se ajustou à crise

O setor de serviços, que desde 2014 não fecha o ano com crescimento, deve registrar o primeiro aumento em 2019.  A previsão é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Caso a perspectiva se confirme, a melhora nas receitas será de 2,1% no balanço do ano que vem.

Fabio Bentes, chefe da divisão econômica da Confederação, explica que o setor é “o último vagão da locomotiva” da economia. Por isso, leva mais tempo para se recuperar de uma crise, apesar de representar mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“Os serviços dependem mais de capacidade interna de consumo e investimento. Quando a gente olha a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), caminha para seu quarto ano seguido de queda no volume de receitas”, diz Bentes. “Como tivemos uma crise de investimentos, ainda há uma carência grande de retomada, e o setor não conseguiu se recuperar em 2018.” Para ele, o destravamento de investimentos seria uma forma de melhorar esse quadro.

Luigi Nese, primeiro vice-presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS), enxerga o cenário de forma similar. “Acreditamos que, se o governo fizer uma política de apoio aos setores de turismo, transporte, de logística e de serviços às pessoas físicas, além de mudar o sistema tributário, será positivo.” Segundo ele, a expectativa nesse sentido é favorável,

A perspectiva é ainda atestada pelo Índice de Confiança de Serviços (ICS), medido mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). Em novembro, o indicador atingiu 93,4 pontos, seu melhor patamar desde abril de 2014, apesar de continuar abaixo dos 100 pontos.

No quesito emprego, a perspectiva também melhora. O percentual de empresas que informaram planejar cortes de pessoal nos próximos três meses apresentou o menor nível desde setembro de 2014, de acordo com o FGV IBRE.

“O consumidor está mais otimista, tem esperança nas medidas que estão sendo adotadas. A situação econômica foi estabilizada com a queda da inflação, das taxas de juros. Teve uma série de condições que levaram a uma expectativa de melhora, e isso reflete no comércio. O comércio e os serviços puxarão a retomada”, completa Guilherme Afif Domingos, diretor-presidente do Sebrae.

Restaurante volta a investir após a crise

Quem está no mercado há algum tempo sentiu as oscilações do setor. João Baddini é sócio-proprietário do Don Phillipe Gastronomia, restaurante da família Baddini em Teresópolis (RJ). A empreitada familiar ia bem e crescia até 2014, quando o Don Phillipe, até então um buffet a quilo para o almoço, expandiu e começou a funcionar também à noite, como pizzaria.

Em 2017, no entanto, a situação piorou. João Baddini relata que o faturamento caiu, em um ano, para 20% do que era.

“O mercado retraiu bastante, principalmente aqui na cidade, por três agravantes: as crises que atravessaram o País, o estado de Rio de Janeiro e também a cidade de Teresópolis. Junta os fatores e tivemos uma queda muito forte na economia local”, conta.

Entre 2015 e 2018, o município teve dois prefeitos cassados e um afastado, além de outros problemas na administração. Foi preciso, então, reduzir gastos para manter o negócio.

Mas Baddini afirma que a expectativa para o futuro é positiva. A família pretende investir em um novo plano de negócios para o ano que vem, com a produção de massas e outros produtos caseiros para venda no mercado.

“As pessoas receberam bem a nossa marca, então queremos fazer em uma escala maior de produção, ter um outro espaço. A expectativa para o futuro é ir para a fábrica e contratar mais gente”, diz o empreendedor.

Baddini contou com o apoio do Sebrae no crescimento da empresa, e a visão da entidade também é otimista para o setor em 2019.

“Primeiro, caiu o endividamento das pessoas, já que, na crise, o pessoal apertou os cintos e não foi às compras. Isso reflete na economia, com perda de expectativa. Agora, há uma inversão (dessa expectativa)”, explica Guilherme Afif Domingos, diretor-presidente do Sebrae.

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