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| 20 de dezembro de 2018 | 6h 00

‘Sempre haverá espaço para novos serviços’

Especialistas da FGV e da FAAP dão dicas para empreender com inovação

O Estado de S.Paulo

Após insucessos com lojas, Luiz Henrique Leite deu a volta por cima

Após insucessos com lojas, Luiz Henrique Leite deu a volta por cima

Se você contar a um fazendeiro que vive longe das grandes cidades que existe a profissão de passeador de cachorros, há grandes chances de ele se surpreender. No entanto, o serviço virou negócio sério e já é oferecido por empresas de maior porte, como a Dog Hero, em centros urbanos.

O setor de serviços, maior fatia da composição do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, é um espaço fértil para empreendedores que saibam identificar as necessidades mais recentes da população, defende Zilla Patricia Bendit, diretora de captação de recursos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Não podemos dizer que as coisas vão continuar como eram ontem. Sempre há a possibilidade de entender um novo comportamento ou situação do consumidor, coisas que antes não eram importantes e hoje são essenciais”, afirma. “Sempre existe espaço para prestar serviços especializados naquilo que deixou de ocorrer porque o cliente está sem tempo, por exemplo.”

E para inovar não é preciso ir muito longe, defende. Na área de serviços, é importante entender as necessidades da população que ainda não foram atendidas. “O empreendedor não pode estar alheio ao que vem acontecendo na sociedade”, avalia José Sarkis Arakelian, professor da Faculdade de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Para ele, o essencial é se atentar a alguns conceitos que devem fazer parte de qualquer negócio. O mais importante deles é pensar na experiência do consumidor. “Vender serviços mais do que produtos vai ser uma tendência não só para 2019, mas para o futuro”, diz. “As empresas que estão trabalhando com a experiência estão se dando melhor.”

Arkelian aposta em serviços que se encaixem na economia do compartilhamento. Não um produto que você leve para casa, mas um serviço por assinatura, como Netflix e Uber, por exemplo.

Outra tendência apontada pelo professor é o consumo por propósito. “As pessoas têm tomado posições mais fortes, assumido princípios como igualdade, inclusão, compartilhamento, feminismo, igualdade de direitos”, observa. Para ele, as pequenas empresas têm muito a ganhar nesse mercado, ocupando nichos que as grandes não conseguem alcançar.

Outra vantagem para os empreendedores é a capacidade de trabalhar mais próximas do cliente. Para não decepcionar, Zilla dá a dica. “Confiança e empatia não se compram no supermercado. O prestador de serviço precisa se colocar no lugar do cliente, entender qual é a expectativa dele.”

Problema com negócio inspirou criação de site

Luiz Henrique Leite estava acostumado a ser o parente que a família toda procurava quando precisava vender algo na internet. Habituados a colocar produtos usados à venda em sites, ele e a mulher acabaram virando consultores informais, até que surgiu uma ideia: a expertise poderia virar negócio.

Em 2017, nasceu a TAG2U, empresa de venda de produtos usados. Como diferencial, Leite decidiu oferecer também a armazenagem dos itens enquanto não eram vendidos. “Surgiu um novo público que precisava desocupar espaço porque estava mudando de cidade, estado, de país, empresas que encerravam e precisavam vender móveis”, afirma.

Ele mesmo havia passado por essa situação apenas dois anos antes. “Eu tinha lojas de varejo. Com a crise em 2015, tive que fechar duas, e não tinha onde deixar os móveis para vender”, lembra. “Desde o princípio a gente percebeu que havia um excesso de demanda no mercado. Não temos dificuldade em captar clientes porque nosso mercado carece das soluções que oferecemos.”

O sucesso do negócio se converteu em expansão. Em 2019, a TAG2U vai deixar de ser uma plataforma offline – nas planilhas de Excel dos quatro funcionários da empresa – para dobrar de tamanho e virar um negócio online. “O cliente que deixa o produto passa a ter acesso direto em tempo real ao que está acontecendo”, explica Leite.

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