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| 21 de novembro de 2016 | 5h 00

Sem garantias, pequeno empresário nem pensa em pedir crédito nos bancos

Levantamento do Sebrae e do Banco Central aponta que apenas 17% dos empreendedores recorreram ao sistema financeiro em busca de financiamento no primeiro semestre de 2016

Renato Jakitas e Vivian Codogno - O Estado de S.Paulo

Quando o assunto é crédito, os bancos e os pequenos empresários brasileiros tradicionalmente não se misturam. Neste ano, essa cisão está ainda mais evidente. Apenas 17% dos empreeendedores recorreram ao sistema financeiro em busca de financiamento no primeiro semestre de 2016. Em volume de tomadores de empréstimo, a queda é de quase 30% na comparação com 2015. Os dados fazem parte de uma pesquisa que será divulgada hoje em Brasília pelo Sebrae e pelo Banco Central, realizada com cerca de 7 mil microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas em todo o Brasil.

Newton Marchioni e Camila Zucareli Pinto Ribeiro, donos Sinhá Canela, distribuidora de pãees de queijos e salgados

Newton Marchioni e Camila Zucareli Pinto Ribeiro, donos Sinhá Canela, distribuidora de pãees de queijos e salgados

Segundo o levantamento, a maioria dos empresários nem consideram bater na porta dos bancos quando sentem a necessidade de dinheiro extra para, por exemplo, engrossar o capital de giro, que na primeira parte de 2016 motivou 1 em cada 2 pedidos de crédito direcionados às instituições financeiras. As taxas de juros cobradas, numa média de 4,5% ao mês, e a falta de garantias para oferecer como contrapartidas aos empréstimos são os pontos que mais afugentam os empresários dos bancos. Dos que procuraram as instituições, 27% (um e cada quatro) tiveram o empréstimo negado, registrando um crescimento de 59% no volume de recusas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para o presidente do Sebrae Guilherme de Afif Domingos, o resultado reflete a crise, mas não se explica apenas por isso. "Mais do que conjuntural, o mercado tem uma falha estrutural. O banco ainda não é uma alternativa viável para o pequeno empresário", diz. "Enquanto os Estados Unidos têm um infinidade de bancos, no Brasil são cinco que concentram 80% das operações", destaca. Segundo o banco central dos Estados Unidos (Fed, da sigla em inglês), existem  existem 5.340 bancos no pais.

Ciclo maior. Sem contar com o banco, o empresário recorre a fontes paralelas de financiamento. Segundo a pesquisa, no primeiro semestre de 2016, 52% dos empreendedores negociram prorrogações de prazos de pagamento junto aos fornecedores e 27% utilizaram cheques pré-datados, práticas que, na opinião de Afif Domingos, estende a dificuldade de caixa para toda a cadeia envolvida com as pequenas empresas. "Ao vender com prazo maior, o fornecedor também se endivida", afirma.

Um outro ponto captado é que, enquanto caiu o volume de empréstismo concedidos aos empresários, cresceu de 23% para 35% os financiamentos tomados nas pessoas físicas. Segindo a pesquisa, Segundo o levantamento, o empresário acha mais fácil pedir financiamento no seu banco de relacionamento pessoal, mesmo que com taxas superiores. Foi o que aconteceu com Newton Marchioni, dono de uma distribuidora de alimentos congelados em São Paulo No começo do ano, ele procurou os bancos para levantar R$ 40 mil a ser investido na expansão da empresa. Não conseguiu. "Ouvi que não tenho perfil para a captaçao porque meu faturamento de R$ 60 mil por ano é baixo" diz.  Para não perder a oportunidade, ele pegou o dinheiro como pessoa física. "Estou pagando uma taxa muito maior e vou demorar mais para quitar, mas não tinha alternativa", ele conta.

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