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Negócios| 08 de julho de 2017 | 7h 03

Saiba como fugir das armadilhas ao abrir uma pequena empresa

Rodrigo Palermo de Carvalho, consultor do Sebrae-SP, dá algumas dicas para montar o seu negócio

Gabriel Navajas, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Abrir o próprio negócio, em época de turbulência econômica ou não, exige muitos cuidados. Saber dar o passo certo, sem precipitação, é fundamental para ser bem sucedido em seu empreendimento. Para fugir das armadilhas, confira algumas dicas de Rodrigo Palermo de Carvalho, consultor do Sebrae-SP:

1) Autoavaliação:

A pessoa precisa saber se está realmente preparada para isso. Exige trabalho. “Comprei uma franquia, está tudo certo”, “sei cozinhar, então vou abrir um restaurante”. Não bem é assim. É necessário que seja feita uma autoavaliação.

2) Pesquisa:

Pesquisar o mercado, saber o que o empreendedor gosta, se tem o perfil para fazer o que realmente quer, pesquisar a empresa, conversar com empresários do segmento escolhido, para que entenda quais as dificuldades, coisas boas, acertos, erros. Isso ajuda muito. Precisa abrir a cabeça para ver se é mesmo o caminho. Preparar, ter conhecimento, saber a legislação do setor. Precisa entender, até para que consiga fazer o plano de negócios de uma maneira mais assertiva. Há muita coisa envolvida no processo. A pesquisa tem várias etapas. Faz parte do início ao fim. Você vai ajustando conforme a evolução da escolha.

Planejar o seu negócio, passo a passo, é fundamental para obter sucesso.

Planejar o seu negócio, passo a passo, é fundamental para obter sucesso.

3) Plano:

O plano de negócio é fundamental. O mínimo de planejamento tem de por no papel. O básico tem de ter. Por exemplo, o empreendedor vai abrir uma cafeteria, que venderá café e pão de queijo, para ganhar R$ 20 mil por mês. Precisa saber quantos cafés e pães de queijo têm de ser vendidos por dia, para que esse valor sobre, depois de pagar aluguel, insumos e uma série de outras coisas. Tem de fazer essa conta. Esse mínimo planejamento é básico, tem de ser feito.

4) Planejar as finanças:

É superimportante. Quem abre um negócio não sai do zero já faturando ou lucrando horrores. Tem um tempo de maturação, de preparo. Tem de saber que precisa de capital para o fluxo de caixa, por exemplo. Gastou tudo com a abertura da loja? E a compra de material, insumo, pagamento de fornecedor? Isso vai acontecer. Tem de ter planejamento de finanças para seguir o caminho, se lembrar que, em dezembro, tem 13º, há impostos. Às vezes, isso não estava no seu planejamento. Tem de ter reposição de matéria, e isso tem custo. Por isso é bom planejar. Existem negócios que estão sujeitos à sazonalidade, como a sorveteria. No inverno, as vendas caem. A pessoa precisa se planejar para isso.

5) Escolha uma estrutura de negócios:

Tem de ter um contador de confiança, que vá ajudá-lo a mostrar qual o melhor regime de tributação, para estar dentro da legalidade e, ao mesmo tempo, pagar o mínimo de imposto possível. Estrutura, como vai abrir, como vai operar, funções dentro da empresa, quantos funcionários para tocar com qualidade e eficiência, o papel de cada um. Tudo isso faz parte de um bom planejamento.

6) Escolha e registre o seu nome comercial:

Faz parte das boas práticas da abertura de um negócio.

7) Obter licenças:

Muitas vezes, a pessoa vai lá, aluga o prédio, mas, como existem algumas regras,  não consegue a licença. Tem de se informar. Contador e advogado podem ajudar sobre o modelo de negócio, se pode operar naquele formato, naquele local.

8) Escolha o sistema de contabilidade:

As pessoas se preocupam em ter um sistema que dê o mínimo de informação muito tempo depois de abrir o negócio ou quando ele começa a crescer. É fundamental, para ter uma boa gestão do negócio. Um sistema que controle o estoque, os meios de pagamento, recebimento. Faz parte até para ter uma economia operacional. Não precisa ser nenhuma supermáquina, mas o mínimo necessário. Nada caro e específico. Às vezes, a empresa é lucrativa, mas o cara não sabe para onde foi o dinheiro, perde o controle.

9) Configurar o local da empresa:

Ter a sua empresa bem localizada ajuda muito. O ponto comercial interfere no resultado, mas não é determinante. Há modelos de negócios que não necessariamente precisam disso. Se você tiver opção de escolha, quanto mais adequado melhor. A definição do ponto comercial é importante, mas não é impeditiva em alguns casos de abertura. Por isso, o planejamento inicial é importante, e o ponto comercial também faz parte disso.

10) Prepare a sua equipe:

A contratação e formação são importantes, mas o preparo da equipe tem que ser constante, não só na abertura da empresa, mas o tempo inteiro. Uma coisa fundamental e que a maioria das empresas faz errado é em relação à contratação. É um problema sério. Quando você precisa de mais gente, pergunta se tem amigo ou conhecido que está à procura de emprego. O certo é especificar qual o perfil da pessoa que precisa contratar: as atribuições, o que tem de fazer. Depois de traçar o perfil, vai buscar a contratação de forma profissional. É um ponto fundamental. Você investiu as suas economias para abrir um negócio e não investe para fazer uma contratação bem feita, certeira, para sair bem de início.

11) Promova a sua empresa:

É importante que ela já tenha um capítulo dedicado a isso no plano de negócios. Uma vez aberto o negócio, a sua promoção tem de ser uma constante. Buscar ampliar a carteira de clientes, promover, divulgar. Faz parte do dia a dia, não só na abertura. Será para sempre.

Rodrigo Palermo de Carvalho, consultor do Sebrae-SP

Rodrigo Palermo de Carvalho, consultor do Sebrae-SP

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