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Mercado| 25 de outubro de 2018 | 6h 00

Responsabilidade social é oportunidade para startups

Atuação auxilia grandes empresas a cumprir exigências legais, como a contratação de pessoas com deficiência

Erica Carnevalli, especial para - O Estado de S.Paulo



Guilherme Braga criou a Egalité, startup que tem como pilar a Lei de Cotas, que determina a presença de 2% a 5% de colaboradores com deficiência em empresas com mais de 100 funcionários. Foto: Marco Torelli 

Guilherme Braga criou a Egalité, startup que tem como pilar a Lei de Cotas, que determina a presença de 2% a 5% de colaboradores com deficiência em empresas com mais de 100 funcionários. Foto: Marco Torelli 

Possibilitar que grandes empresas atendam aos requisitos exigidos por leis de responsabilidade social é um campo de atuação escolhido por startups de todo o País. É o caso da Egalité. Fundada em 2010, ela tem como pilar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A Lei de Cotas (8.213/91) determina a presença de 2% a 5% de colaboradores nessa situação em companhias com mais de 100 funcionários.

A Egalité faz a ponte entre o profissional que procura uma posição e as empresas, reunindo em um mesmo banco de dados mais de 50 mil currículos e vagas de 70 grandes corporações, como a Telefônica e o McDonald’s.

Para o professor de empreendedorismo e inovação do Insper, Marcelo Nakagawa, a exigência por responsabilidade social dentro das organizações não vem apenas das leis, mas também da população, que procura cada vez mais empresas confiáveis e comprometidas com a sociedade, configurando, assim, um mercado promissor.

Atuação. Guilherme Braga, fundador e CEO da Egalité, teve a ideia de criar o negócio ainda quando cursava o ensino médio, depois de participar de um intercâmbio nos Estados Unidos. Lá, conviveu com colegas com deficiência, identificando um cenário mais diverso do que a realidade brasileira.

“A inclusão produz excelentes resultados para as organizações. Por isso, não olhamos só para o recrutamento e seleção, mas também atuamos na capacitação dos profissionais e da própria empresa, por meio de consultorias técnicas em acessibilidade, workshops e palestras”, afirma.

Os efeitos positivos do olhar voltado para a responsabilidade social podem ser notados nas duas pontas. Para as startups, é uma forma de ampliar e ganhar escala e, para as empresas, há ganho em rapidez e efetividade ao implementar as práticas. Nakagawa ainda acredita que startups com atuação neste segmento têm vantagem competitiva no mercado.

“As startups que trabalham com a questão do propósito atraem novos talentos, fecham parcerias e são percebidas pelo mercado como uma empresa do bem”, diz o professor.

Para Ana Lucia Custodio, diretora adjunta do Instituto Ethos, organização social que atua há 20 anos com responsabilidade social, muitas corporações deixaram de encarar o tema apenas como um simples cumprimento de lei.

“As empresas estão vendo que um ambiente mais diverso retém talentos e ainda favorece a inovação. Não é só mais um custo que a empresa terá”,destaca a executiva.

No entanto, Ana Lucia alerta para a importância de a empresa estar disposta a incorporar as práticas. “As startups fazem o ‘casamento’ da corporação com essas políticas de responsabilidade social. Mas a empresa precisa expandir esses valores em sua rede”, finaliza.

Com mais de 6 mil candidatos recrutados em 16 Estados, Braga, da Egalité, espera crescer 20% até o final do ano.

“Quando começamos, o cenário consistia na visão assistencialista e focava em só tirar um problema da frente. Nós transformamos essa dor em uma grande oportunidade”, diz.

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