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Empreendedorismo em Pinheiros| 25 de abril de 2018 | 7h 00

Público descolado atrai negócios de nicho a Pinheiros

Empreendedores se instalam no bairro, que tem bom fluxo de pessoas com alto potencial de consumo e propensão a compras segmentas

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

Felipe Tosi (esquerda) e João Gonçalves, sócios do hostel The Pod SP. Foto: JF Diorio/Estadão

Felipe Tosi (esquerda) e João Gonçalves, sócios do hostel The Pod SP. Foto: JF Diorio/Estadão

A cidade de São Paulo oferece ruas e bairros voltados a um tipo específico de produto ou segmento de serviço, como a Rua José Paulino, ícone da moda acessível para varejo e atacado. Com a mesma ótica, Pinheiros, na zona oeste da capital, há anos se caracteriza como polo gastronômico. Mas a vocação sociocultural da região fez com que empreendedores também encontrassem no bairro um local certeiro para apostar em negócios de nicho, que vão de brechós de luxo à loja de bicicletas elétricas

“Pinheiros é quase uma dicotomia entre o descolado e o tradicional. E é um bairro em que circulam pessoas com alto poder aquisitivo, o que possibilita a maior segmentação de produtos e serviços, atendendo a demandas específicas. É como se um ecossistema em torno dos negócios de nicho estivesse se formando por lá”, diz o coordenador executivo de marketing do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Silvio Laban.

Acesso. O fácil acesso ao bairro por meio de transportes públicos é um dos fatores que movimentam a região, favorecendo consumidores e empreendedores, como o sócio-proprietário do hostel The Pod SP, Felipe Tosi. Instalado a poucos metros da estação de metrô Fradique Coutinho, o ex-publicitário acredita que o fácil deslocamento dos hóspedes na região é um dos pontos importantes para o negócio.

“Aqui ainda é possível encontrar casas grandes para abrir uma empresa. Outro ponto é a segurança, nossos hóspedes circulam com tranquilidade em Pinheiros”, conta.

Inaugurado em 2016, o hostel foi o primeiro a abrir nas imediações da Rua dos Pinheiros. Um dos diferenciais do negócio são as “camas cápsulas”, que separam os hóspedes por cortinas e paredes, proporcionando mais privacidade.

Além de ser uma região beneficiada pela estação de metrô, corredores de ônibus e ciclofaixas, o perfil do público que circula pelo bairro favorece os empresários. “É um bairro que tem trabalho, lazer e boemia”, diz o coordenador executivo de marketing do Insper, Silvio Laban. Para o professor do Núcleo de Varejo Retail Lab da ESPM Rodrigo Vasconcelos, “a concentração de negócios de nicho facilita a atratividade para a região e assim aumenta o fluxo de pessoas”.

Alerta. Apesar de o bairro reunir fatores positivos, os empreendedores também encontram entraves determinantes na hora de abrir um negócio, como o valor dos aluguéis. De acordo com levantamento disponibilizado pelo núcleo de Inteligência de Mercado do Grupo ZAP Viva Real, Pinheiros é o quarto bairro mais caro da capital paulista para alugar um imóvel comercial de 200 m², atrás apenas de Itaim Bibi, Cerqueira Cesar e Jardim Paulistano.

O valor de cada metro quadrado é de, em média, R$ 64. O levantamento é referente ao número de ofertas no site ZAP em março de 2018. Para Vasconcelos, o principal alerta para quem pensa em abrir um negócio de nicho na região é calcular o potencial fluxo de clientes por dia.

“Visite a região em diversos horários e dias da semana e tente entender se o movimento está fazendo sentido com aquilo que se imagina como ideal. As visitas também permitem que o futuro empreendedor perceba quais são os seus potenciais substitutos no bairro. A partir disso, é preciso jogar com as variáveis e criar uma vantagem competitiva sustentável, que é aquilo que você desenvolveu e que é difícil de ser copiado”, diz.

Sobre o público, Laban aponta que é importante não depender apenas da forte circulação de pessoas, algo inerente ao bairro. “Ser consumidor de nicho não quer dizer consumir qualquer nicho. Não é porque a pessoa é canhota que ela gosta de brigadeiro, por exemplo. Cada um vai ter que encontrar um espaço não ocupado pelo outro.”

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