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Oportunidade| 10 de maio de 2018 | 5h 00

Profissionais empreendem como planejadores financeiros

Experiência no mercado bancário proporciona atuação como microempresário em novo segmento

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

A administradora Diana Benfatti iniciou sua carreira como planejadora financeira em 2014. Foto: Marcela Guedes/Divulgação 

A administradora Diana Benfatti iniciou sua carreira como planejadora financeira em 2014. Foto: Marcela Guedes/Divulgação 

Profissionais com longa experiência no mercado financeiro que perderam seus postos em instituições bancárias passaram a empreender em uma atividade ainda incipiente no País: o planejamento financeiro familiar. De acordo com a Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), a ocupação está em constante crescimento, com salto no número de associados a partir de 2014. 

Atualmente, a Planejar conta com 3.657 profissionais associados em seu quadro. No ranking da Financial Planning Standards Board (FPSB), instituição norte-americana que gerencia, desenvolve e opera programas de certificação para planejadores financeiros, o Brasil é o décimo país em número de profissionais certificados.

O planejador atua em seis diferentes áreas: orçamento e fluxo de caixa, investimentos, longevidade, proteção a riscos, planejamentos fiscal e sucessório. “É a pessoa com quem o cliente vai se abrir, falar o que pensa para o futuro, como gostaria de viver quando estiver aposentado. O planejador, então, aconselhará a maneira correta de alocar seus recursos. Por isso, é um pouco terapeuta, pela relação de confiança”, diz o coordenador do mestrado em economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ricardo Rochman. Ou seja, o planejador financeiro é o profissional responsável por aconselhar o cliente e elaborar um plano financeiro, podendo acompanhá-lo por período indeterminado. A profissão não é regulada, mas existe uma única certificação emitida no Brasil pela Planejar, a CFP.

O diretor da Planejar, Jayme Paulo Carvalho Jr., acredita que esta é uma profissão do futuro. “Em países desenvolvidos ela têm um espaço grande. No Brasil, por conta das taxas de desemprego e com estes profissionais sofrendo disrupção, é uma profissão que precisa de gente”, diz Carvalho Jr.

Propósito. Com formação em administração de empresas, Diana Benfatti trabalhou em banco por 11 anos, atuando diretamente com pessoas jurídicas. “Mas eu queria construir uma carreira que tivesse um propósito mais definido, que eu conseguisse enxergar um resultado positivo do meu trabalho.”

Em 2014, Diana começou a direcionar sua carreira para a área de planejamento financeiro, se certificou e em 2015 abriu a própria empresa, a Attimo Finanças. A administradora não revelou a quantidade de clientes que atende, mas diz que já tem o marido como sócio e alguns colaboradores. “Neste momento, estou moldando a minha empresa para um modelo associativo, absorvendo planejadores financeiros que queiram trabalhar com o meu método e sob minha tutoria, mas não como um funcionário, e sim como associados minoritários”, revela.

Ela acredita no crescimento contínuo da profissão. “As pessoas entenderam que não é só o gerente de banco que pode dar algum tipo de aconselhamento financeiro.”

Sobre a remuneração, cada planejador escolhe a melhor forma de receber pelos serviços prestados. No caso de Diana, além de o cliente pagar por hora, ele também desembolsa uma mensalidade, destinada a cobrir despesas e para deixar o cliente confortável para se comunicar quando sentir necessidade. “Muitas vezes o cliente não precisa de uma hora técnica, mas apenas conversar. Ele pode, inclusive, passar seis meses sem marcar um encontro caso tudo esteja bem”, conta Diana. Há profissionais que estabelecem a cobrança com uma porcentagem referente ao patrimônio ou ainda por projeto.

Barreiras. Segundo Rochmann, da FGV, uma das principais dificuldades que os planejadores financeiros encontram é a resistência em pagar pelo serviço. “Existe a falta de cultura do brasileiro de pagar por aconselhamento”, diz Rochman.

Para o diretor da Planejar, as novas gerações impulsionarão a atividade, pois têm mais desafios para solucionar. “É uma geração que está entrando no mercado de trabalho sem saber se irá se aposentar pela previdência do governo. Acredito que eles são mais poupadores”, afirma.

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