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| 20 de dezembro de 2018 | 6h 00

Perspectiva de retomada para franquias

ABF estima aumento de 10% a 11% na receita do setor após meia década

O Estado de S.Paulo

Setor deve recuperar crescimento

Setor deve recuperar crescimento

Depois de cinco anos com crescimento por volta de 8%, o setor de franquias deve ter melhores resultados em 2019. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) espera que o ano que vem represente a volta ao crescimento de dois dígitos do setor – não registrado desde 2013 – com um aumento de 10% a 11% na receita.

“Estamos otimistas, mas sabemos que não será fácil”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF até o fim deste ano – em janeiro, André Friedheim assume o cargo.

Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto e um dos fundadores da ABF, explica que os investimentos reprimidos durante a crise devem entrar no mercado, uma boa notícia aos franqueadores. “Toda vez que há recessão, em seguida o setor cresce, porque tem muito investimento represado, demanda reprimida. Não vai ser fácil, porque todo mundo vai estar lutando pelos mesmos investimentos”, diz Cherto.

Para ele, quem ganha são marcas que aproveitaram a crise para rever procedimentos e se readaptar.

O publicitário Luiz Fernando Canizares, que abriu sua primeira loja do restaurante Divino Fogão em 2007, mostra que houve mudanças mesmo entre os franqueados. “Durante a crise, aprendemos a trabalhar cada vez mais com eficiência. Diminuímos a equipe e os gastos para equilibrar a rentabilidade, que caiu”, revela.

Cherto afirma que alguns de seus clientes já relataram crescimento após as eleições. “Mesmo quando você sabe que a economia vai ser uma desgraça, o mercado de franchising cresce, porque acaba sendo uma saída para quem perde o emprego”, comenta.

Um dos legados do período de incertezas foi a redução no número de marcas franqueadoras. A queda mais abrupta foi de 6%, entre 2016 e 2017. Mas Cristofoletti Junior avalia que, mesmo se a economia crescer, o número atual de redes de franquias, de aproximadamente 2.800, não deve sofrer grandes mudanças. “Isso mostra uma maturidade do sistema. Se dividirmos o número de unidades por marca, temos aproximadamente 50 lojas por franqueador. Há países que têm 200. Estamos caminhando para esse número.”

A quantidade de lojas deve crescer de 3% a 4% em 2019, segundo a ABF. Atualmente, são cerca de 150 mil. Canizares, por exemplo, decidiu investir em sua terceira unidade da franquia em 2019. Para ele, a segurança de já conhecer a marca facilita na expansão e na operação de mais de uma. “A franquia traz transferência de experiência. Você paga por isso, mas te economiza um tempo de aprender de forma empírica, sozinho”, diz.

Pablo, da Hashtec, mira no o interior

Pablo, da Hashtec, mira no o interior

Franqueadora aposta em capilaridade

Ficar longe do celular por algumas horas pode ser difícil, mas se separar do aparelho por dias é quase impossível para quem trabalha conectado. Foi pensando nisso que os irmãos Lucas e Pablo Linhares decidiram abrir a Hashtec, que oferece assistência técnica de forma rápida e autorizada pelas marcas.

Com experiência na área desde 2005, quando fundaram o Grupo PLL, focado no reparo de aparelhos, eles perceberam que poderiam levar o negócio mais longe ao capilarizar pontos de atendimento. A Hashtec foi criada em julho e tem quatro lojas. Em 2019, o plano é abrir uma unidade a cada 10 dias. Os irmãos reconhecem que o plano é ambicioso. “Vi que tinha muita oportunidade, porque existem várias lacunas. Quis fazer uma coisa diferente, que não existe no segmento”, explica Pablo.

A capilaridade da Hashtec não se restringirá aos grandes centros. Uma das lacunas é justamente no interior. “Os fabricantes não têm assistência técnica. A maioria envia o aparelho por correio.”

Essa interiorização ganha força no setor e deve se manter no ano que vem. “São cerca de 150 mil pontos em quase 50% dos municípios. Em 2019, deve chegar a 55%”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

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