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Empreendedorismo| 29 de setembro de 2017 | 10h 36

O idioma inglês perde importância e saber a ‘língua das máquinas’ será fundamental

Confira o que especialistas em negócios e empreendedorismo acham do futuro e prepare-se para dar o próximo passo

Redação - O Estado de S.Paulo

Capacitação, adaptação tecnológica, a mudança nas relações de trabalho e a valorização do intelecto formarão o cotidiano dos atuais e futuros empreendedores. O Estadão conversou com os especialistas Alessandra Andrade, Coordenadora do Centro de Empreendedorismo da FAAP; Alberto Ajzental, Doutor em administração pela EAESP-FGV e Coordenador do Centro de Desenvolvimento de Casos da FGV-EESP e Marcus Quintella, Coordenador acadêmico de MBA em Empreendedorismo da FGV, para descobrir quais são as oportunidades e desafios para os próximos anos.

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Reuters
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Qualidade e transparência

Consumir com informação será cada vez mais a realidade do mercado. De acordo com Marcus Quintella, esse comportamento se intensificará nos próximos anos, exigindo das empresas, além de qualidade, valores empresariais bem delineados. “Hoje, com os canais abertos que temos na internet, é muito mais fácil o consumidor reclamar de algo errado. Por isso, a qualidade dos produtos e serviços prestados será imprescindível. Além disso, temos a perspectiva de que os valores empresariais precisam se fortalecer, as empresas precisarão tratar a governança, o compliance de gestão de forma consistente, porque o mercado está criando uma consciência maior. As empresas terão de se preocupar mais com valores sociais e ambientais, por exemplo. O BNDES mesmo tem agora um termo anticorrupção que deve ser assinado pelas empresas”, explica.

Tecnologia, inovação e a era do intelecto 

Com a tecnologia inserida no cotidiano das empresas e indústrias, algumas atividades serão completamente realizadas de forma automatizada. “A maioria dos empregos com atividades repetitivas vai acabar porque essa atividade será substituída pelas máquinas, a tecnologia vai fazer isso por nós”, explica Alessandra Andrade. Essa projeção formula então a tendência de que a capacidade intelectual humana será a moeda de troca. “O que nós temos a oferecer é o trabalho intelectual, imprescindível no empreendedorismo. Temos que migrar para o intelecto, um bem instransponível que o homem tem a vender”, pontua Alessandra.

A palavra inovação, quase sempre associada ao empreendedorismo, deve ampliar seus significados. Quintella esclarece que inovação não é somente aquilo que precisa ser inventado. “É também aprimorar mecanismos para processos já existentes atuarem de forma melhor”.

A relação on-line e off-line das empresas se consolidará. “As empresas já estão melhorando essa relação O2O (on-line to off-line). Antes, o valor de um produto na loja on-line era diferente do mesmo produto na loja física, o que trazia muitos problemas na hora da compra. Essa dinâmica já está melhorando, com as empresas equiparando os valores e ainda apresentando ao consumidor a possibilidade de o cliente comprar na loja on-line e buscar na loja física, caso ele não queira esperar o prazo de entrega. Isso tende a ficar cada vez mais profissionalizado”, completa Quintella.

Reinvenção do trabalho 

As relações de trabalho, da forma que as conhecemos, sofrerão mudanças. “O empreendedorismo tende a ser o nosso emprego nos próximos 20 anos e, como empreendedores, não precisaremos mais nos dedicar integralmente e exclusivamente a uma única empresa”, afirma Alessandra. De acordo com Alberto Ajzental, “nós não vamos mais vender horas de trabalho, vamos trocar o que sabemos produzir. E isso acontecerá de forma local, dentro de comunidades”.

Os preconceitos e as desigualdades dentro do mercado de trabalho podem mudar. Para Quintella, o empreendedor não precisa passar pelo “crivo pessoal, o olhar do outro”, diferente de uma pessoa que está em busca de um emprego. “Para quem contratar o serviço da minha empresa não será importante saber a minha cor, minha religião, minha sexualidade, nada disso. Será preciso apenas entregar o que foi contratado. O empreendedorismo retira as barreiras raciais, de gênero, de sexualidade ou religiosas”, conclui.

Sobre a desigualdade de gênero que ainda permanece no mercado de trabalho, Alessandra acredita que existirão “mais empreendedoras do que executivas, porque no empreendedorismo não temos a questão de equiparar salários entre homens e mulheres”.

Nova língua obrigatória 

Uma das exigências mais pedidas para quem quer progredir na carreira é o domínio da língua inglesa. No entanto, para Alessandra, esse não será um diferencial tão importante. “Tudo vai passar a ser traduzido e todos vão conseguir se comunicar mundialmente. O importante será conhecer a língua das máquinas, o idioma mais importante no futuro. Saber um pouco de programação será fundamental”.

Jornada do empreendedor 

A realidade de um consumidor mais exigente e consciente indica que o número de negócios sociais irá aumentar. “Eu acabo de prestar uma consultoria para uma empresa consolidada no mercado que quer mudar a questão do lixo orgânico. O dono da empresa teoricamente não precisaria pensar nisso, mas ele quer deixar uma empresa socialmente e ambientalmente correta para o filho administrar”, conta Quintella.

Para Ajzental, o importante para um empreendedorismo saudável é “existir possibilidade de capacitação para quem vai empreender, pois assim se pulveriza a informação, o que gera demanda de oferta e procura. E, em países como o Brasil, apenas os modelos de incubadoras não serão viáveis para suprir as demandas da sociedade”.

Incluir o empreendedorismo no ensino nas escolas é uma realidade que está se delineando. “Eu dei uma palestra para uma turma de 60 alunos em uma escola e nessa turma você já percebe o potencial de alguns para o empreendedorismo. Se isso se tornar uma prática, o empreendedor terá um background muito melhor quando chegar o momento de empreender”, conta Quintella.

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