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Tudo é empreendedorismo| 27 de setembro de 2018 | 16h 59

Alex Atala não planejou, mas agarrou todas as oportunidades

Chef participou do encerramento do Encontro PME; módulo contou ainda com participação de Sandra Peres, criadora da Palavra Cantada

Elcio Padovez, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

O painel de encerramento do Encontro Estadão Pró-PME levou a sério a proposta de que tudo é empreendimento e juntou duas áreas bem diferentes para dialogar: música para crianças com a alta gastronomia. Para o debate, participaram a artista Sandra Peres, uma das fundadoras da Palavra Cantada, e o chef Alex Atala.

Sandra, que junto com o parceiro Paulo Tatit, enxergou uma lacuna no tipo de música que se fazia no início dos anos 1990, e em 1994, decidiram criar o Palavra Cantada, que desde o começo, buscou nas composições uma veia educativa e lúdica. “Nós passamos a ter um público cada vez mais urbano e não fazia sentido se cantar apenas o boi da cara preta. No início, pensamos em músicas de ninar, mas muitas das mães que ouviam as canções nos diziam: meu filho não dormiu, mas a gente achou uma forma de ficar mais juntos”.

Em mais de 30 anos de carreira, Sandra acompanhou as formas de se distribuir música e empreender com isso. “Nós precisamos acompanhar as novas tecnologias. Eu comecei distribuindo fitas cassetes, e atualmente, o Palavra Cantada tem presença grande em plataformas digitais, e seguimos recebendo pelo nosso trabalho”.

O negócio precisa ter valor e utilidade

Para Atala, que segundo ele foi escolhido pela gastronomia enquanto viveu na Europa, nos anos 1990, o negócio precisa ter utilidade. “Eu não objetivei nada disso na minha vida, mas isso não quer dizer que eu não agarrei cada chance que eu tive na vida. Para mim, a palavra valor faz toda a diferença. Eu peguei fases da gastronomia no qual usar uma doma em público era sinônimo de vergonha. Hoje, é um símbolo pop”, analisa o dono do restaurante D.O.M, considerado um dos 30 melhores restaurantes do mundo, segundo o 50 Best. 

As ações empreendedoras do chef não se limitam ao seu restaurante. A partir do instituo ATÁ, ele esteve a frente da reformulação do Mercado de Pinheiros, em 2017. A partir de conversas com Atala, outros chefs de renome na cidade, como Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e Marcos Livi, do Veríssimo Bar, também resolveram abrir negócios no novo espaço. “Quando iniciamos este projeto, vieram acusações de todos os lados, de que o mercado seria gourmetizado, perderia a essência. Mas na verdade nós demos funcionalidade e vida a algo que estava parado”.

Outro ponto que Alex defende é que trabalhar com comida é um ato de devoção e que nos tempos da internet, o mistério que cercava os chefs, cheios de segredos na cozinha, não fazem mais sentido. “A maior rede social do mundo, é a única capaz de conectar sete bilhões de pessoas, é o alimento. Hoje, as pessoas consideram em suas viagens lugares que elas vão para comer. Com a internet, surgiu muita coisa, e nem tudo é bom, mas eu não consigo achar ruim, pois mesmo sem rodagem, eu vejo que há vontade”.

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