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Faturamento| 22 de fevereiro de 2018 | 7h 00

MPE's têm faturamento positivo após 3 anos

Serviço e comércio puxam aumento de 5,1% na receita do setor, apesar da queda registrada pela indústria

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

Manoel Reverte, proprietário da A3 Eletro e Galpão da Luz. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Manoel Reverte, proprietário da A3 Eletro e Galpão da Luz. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Depois de três anos consecutivos com índice negativo de faturamento, as micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo encerraram 2017 com resultado positivo, apresentando aumento de 5,1% no faturamento real em relação à 2016. O acumulado em 2017 atingiu R$ 635,9 bilhões, crescimento de R$ 30,9 bilhões sobre o ano anterior. Os dados são da pesquisa Indicadores realizada pelo Sebrae-SP, obtida com exclusividade pelo Estadão PME. 

A recuperação foi liderada pelos setores de serviços e comércio, respectivamente. Em serviços, o faturamento real aumentou 6,4% e no comércio, 5,6%. A indústria, no entanto, registrou recuo de 0,7%. “Esta queda na indústria se explica mais por fatores estruturais do que pelo ambiente macroeconômico. Certas cadeias reduziram bastante o número de fornecedores domésticos. É a cadeia global de fornecimento, e isso fez com que a indústria perdesse participação no mercado. As indústrias também estão muito concentradas em setores de baixo valor agregado, como vestuário e acessórios”, diz o doutor em economia e professor da Escola de Economia da FGV, Clemens Nunes.

Para o diretor técnico do Sebrae-SP, Ivan Hussni, a recuperação das micro e pequenas indústrias é mais lenta. “Às vezes, é a primeira a entrar e a última a sair da crise. Ela tem processos mais complexos, precisa investir na capacitação de mão de obra e estrutura. O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, discorda. Não é verdade que somos o último setor a reagir, porque a indústria vende ou para o comércio ou para outras indústrias. E, se existe um aquecimento, ela cresce com eles. O que estamos assistindo é a um momento de extrema dificuldade e estagnação do quadro econômico. Em uma pesquisa que fizemos internamente, vimos que apenas 4% das indústrias têm capital de giro suficiente."

Nunes diz que os setores de serviços e comércio são menos atingidos pela competição dos importados. “São menos afetados porque oferecem bens não transacionados (que não são comercializados globalmente). Por exemplo, para dar banho no cachorro, muitos procuram o pet shop mais perto de casa”, afirma. “Quando existe aumento no poder de compra, o setor de serviços geralmente acompanha a recuperação. O consumo representa cerca de 70% do conjunto da demanda. Qualquer 1% a mais é um valor grandioso.

Roda do crescimento. De acordo com Hussni, a leve recuperação da economia e a queda da inflação são alguns dos fatores que proporcionaram a reação dos micro e pequenos negócios. “Um dos motivos é a queda da inflação. Outro dado importante foi o resgate das contas inativas do FGTS. E também vivemos um período com a Selic em queda e onze baixas consecutivas em taxas de juros, o que aumenta o poder de compra. E, por consequência, faz a roda do crescimento girar.”

Ainda segundo a pesquisa, o índice de pessoal ocupado fechou 2017 com queda de 0,9%. Porém, houve aumento da massa salarial de 1,5%. “Muitas empresas reduziram o quadro e demitiram pessoas menos essenciais na operação, mas que recebiam salários mais baixos. Isso faz com que a média salarial aumente”, diz Nunes.

Os micro e pequenos empresários têm expectativas positivas para 2018, mas a pesquisa mostra que pretendem agir com cautela. No entanto, o empresário Manoel Reverte decidiu arriscar mesmo com as ressalvas econômicas e abriu seu segundo negócio, em dezembro. Dono da A3 Eletro Comercial, loja de materiais elétricos em operação há 37 anos, Reverte também vê sinais de recuperação da economia para as micro e pequenas empresas.

“Meu faturamento teve aumento de 7% na receita líquida em relação à 2016”, conta, sem revelar os valores. E por mais que tenha sentido os efeitos da crise econômica, ele não hesitou em planejar a abertura do segundo negócio, chamado Galpão da Luz, cujo foco é o varejo, diferentemente da A3, que fornece para construtoras e instaladoras. “Nos últimos cinco anos, construí o prédio que abrigaria a nova loja. A intenção era explorar tudo o que na outra empresa eu não fazia”, conta.

O principal motivo para embarcar no projeto, e sair da zona de conforto, foi acompanhar as mudanças de consumo no segmento em que atua. “Nessa nova loja, temos arquitetos e técnicos em construção civil, além de funcionários para serviços de acabamentos elétricos. Estamos preparados para elaborar projetos de iluminação. O objetivo é atrair mais clientes.”

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