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Longevidade| 30 de maio de 2018 | 5h 02

Mobilidade e turismo são áreas promissoras

Dentro da cidade ou em viagens, os serviços de deslocamento para idosos mostram-se como uma oportunidade para empreendedores

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

Roberta Donato, diretora da agência de turismo Donato Viagens. A empresa tem como público-alvo a terceira idade. Foto: Hélvio Romero/Estadão   

Roberta Donato, diretora da agência de turismo Donato Viagens. A empresa tem como público-alvo a terceira idade. Foto: Hélvio Romero/Estadão   

Fundada em 1995, a agência paulistana de turismo Donato Viagens teve como primeiro produto passeios para a Disney, direcionados apenas para jovens ou famílias. Hoje, 23 anos desde a abertura da empresa, o público-alvo é justamente o oposto. Em 2016, a agência passou a operar viagens apenas para a terceira idade. A mudança foi gradual, fruto da percepção da filha dos fundadores e atual diretora, Roberta Donato.

“Logo após a abertura, passamos a oferecer viagens em grupos para a Europa, com foco em adultos. Assim que nosso público começou a envelhecer, alteramos os roteiros, com acréscimo de horas em passeios, por exemplo. Há dois anos, a maior parte do nosso público já era formado por clientes entre 70 e 80 anos. Então tomamos a decisão de focar 100% nessa faixa etária para atender essa demanda”, explica Roberta.

A empresária diz que o perfil do viajante maduro é diferente, pois está criando o hábito de viajar, resultado, muitas vezes, da falta de companhia. “Muitos trabalharam a vida toda e não tiveram a oportunidade de curtir. Agora têm tempo para isso, mas ou falta coragem ou companhia. Por isso, sempre temos um operador da nossa equipe em todas as viagens, além do guia local. Ele tem o papel de, sutilmente, proporcionar a integração entre o grupo.”

A agência opera entre dez e 12 viagens internacionais por ano, com tíquete médio de R$ 24 mil. Mesmo com a crise, Roberta permanece confiante no negócio. “Este mercado está carente. Percebi que quem viajava comigo duas vezes ao ano agora faz uma viagem internacional e passeios pelo Brasil, com os quais também trabalhamos. Mesmo com o câmbio instável, estou praticamente com todas as minhas saídas garantidas para o próximo semestre”, revela.

Independência. A partir de uma necessidade familiar, os irmãos Victoria e Gabriel Barboza, residentes em São Carlos (SP), criaram o serviço de transporte particular Euvô. “Nossa mãe tem esclerose múltipla. Vimos que ajudá-la em tarefas simples, como acompanhá-la ao supermercado, já a ajudava muito. Percebemos que a falta de autonomia para sair de casa era um problema para muitas pessoas, inclusive idosos”, diz Victoria.

Outro empurrão para o início do negócio ocorreu quando o tema da longevidade foi abordado em uma pós-graduação em administração de empresas cursada por Victoria. “Isso me ajudou a tirar definitivamente o negócio do papel”, lembra.

“Falávamos em aula sobre como a população brasileira está envelhecendo e como é importante criar produtos e serviços para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Então pensamos que resolver a falta de autonomia para sair de casa era uma oportunidade de negócio. Elaboramos um questionário e colocamos na internet para fazermos uma pesquisa de mercado. Da amostra que coletamos, 92% tinha a convivência com idosos e destes, 86% dependia de um familiar para realizar as atividades do dia a dia.”

Assim surgiu em 2017 a Euvô, com três diferentes serviços: leva e traz simples, leva e traz com espera e a opção do serviço com acompanhante. “Nestes últimos, é acrescido um valor por hora, além da quilometragem rodada. Todos os serviços são de porta a porta”, diz. O modelo de negócio é similar ao Uber, com 75% do valor da corrida pago ao motorista e o restante destinado para a Euvô.

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Além de avaliar as condições do carro, Victoria conta que os motoristas passam por um treinamento antes de ir para a rua. “O motorista tem conversas com gerontólogas, psicólogas e também um treinamento sobre primeiros socorros. É obrigatório passar por todo esse processo para atuar conosco”, diz.

A Euvô atende atualmente os clientes por meio de uma central de relacionamento. Para o próximo semestre, está previsto o lançamento do aplicativo, além da expansão para mais três cidades do interior paulista. “As pesquisas mostram que o idoso está incluído digitalmente, mas vamos permanecer com os chamados via telefone. No aplicativo também será possível agendar corridas, o que pode ajudar o idoso que tem uma rotina semanal, como fisioterapia”, aposta. O valor investido no aplicativo foi de R$ 100 mil.

Para o embaixador da Aging 2.0 no Brasil, organização do Vale do Silício que fomenta o tema da longevidade, Sérgio Duque Estrada, o caminho seguido pela Donato Viagens e pela Euvô é o ideal para atender aos maduros. “Vamos mostrar para os jovens que não é só fintech, só marketplace de decoração que dá resultado. Existe um mercado fabuloso para a terceira idade, com consumidores capazes e inteligentes”, diz.

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