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Tendência| 06 de dezembro de 2018 | 5h 00

Microcervejaria sem fábrica investe em bar para atrair cliente

Criador da marca Mafiosa busca fidelizar consumidores e colocar a cervejaria no circuito turístico de Valinhos (SP)

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

No mercado de cervejas artesanais, uma marca sem fábrica própria é chamada de cigana. A escolha por terceirizar a produção se tornou prática comum entre empreendedores que pretendem se manter no segmento mesmo sem capital para investir numa estrutura do “tanque à garrafa”. Com a barreira de produção e distribuição superada, apostar no B2C é o mais novo movimento do mercado. A criação de bares próprios das cervejarias ciganas, os chamados tap rooms, fortalece a marca em sua região de origem e tem como objetivo fidelizar clientes.

“O tap room como negócio ajuda a criar laços com o consumidor, além de tirar os atravessadores. O cliente não vai comprar ou experimentar a sua cerveja em uma loja ou em um bar de terceiros. Ele estará no seu espaço, degustando a cerveja com quem a criou, tirando qualquer dúvida ou encontrando o melhor estilo para o gosto dele”, diz Guilherme Matheus, sócio da cervejaria Mafiosa, que inaugurou no início deste mês o bar próprio da sua marca na cidade de Valinhos (SP).

Autoral. Cervejas de linha da Mafiosa, que abriu bar próprio na cidade de Valinhos (SP) Foto: Felipe Rau/Estadão 

Autoral. Cervejas de linha da Mafiosa, que abriu bar próprio na cidade de Valinhos (SP) Foto: Felipe Rau/Estadão 

Guilherme, que também é chef de cozinha, conta que desde que criou a marca, em 2015, pretendia ter a própria cervejaria. Mas, ao longo da trajetória da Mafiosa, entendeu que para ter uma estrutura do tipo e obter lucro é preciso mais do que capital. “Uma fábrica pequena não é economicamente viável. Percebi que para começar a ganhar dinheiro com uma estrutura do tipo é preciso ter um tamanho legal, com uma produção de pelo menos 20 mil litros por mês.”

Atualmente, a cervejaria cigana produz em uma fábrica terceirizada 4 mil litros por mês. O empreendedor acrescenta que pretende montar uma nanocervejaria no bar recém-inaugurado, com produção de até 500 litros. “Acho que é um caminho muito mais saudável nesse momento”, conta Guilherme, que investiu R$ 150 mil para abrir o bar em Valinhos. 

Na estrutura do local, são 12 torneiras de chope, com possível oferta de três rótulos convidados. O tíquete médio é de R$ 70 a R$ 110 por pessoa.

Guilherme Matheus, sócio fundador da cervejaria Mafiosa, no bar da marca. Foto: Lis Coimbra/Divulgação 

Guilherme Matheus, sócio fundador da cervejaria Mafiosa, no bar da marca. Foto: Lis Coimbra/Divulgação 

Localização. Por mais que Valinhos esteja a apenas cerca de 100 km da capital, fincar a bandeira na cidade foi uma estratégia para fidelizar o público.

“Acho importante ampliar a gama de consumidores para fora da capital. O mercado de cerveja artesanal está muito fechado. Estamos brigando entre nós mesmos. Temos que trazer novas pessoas para consumir cerveja artesanal do que brigar pelas pessoas que já consomem”, completa Guilherme.

Entrar para o mapa do turismo na região, conhecida pela rota dos vinhos, também está no radar da Mafiosa. “Conversei com algumas autoridades de Valinhos para mostrar o quanto o tap room pode ser interessante para a cidade e já conseguimos entrar no circuito dos vinhos. Quero mostrar como a cerveja também pode trazer turistas.”

Outros bares de marcas

Trilha Cervejaria. Além dos rótulos de linha vendidos em pontos da cidade, a marca produz lotes exclusivos no tap room na zona oeste. São cerca de 12 opções de chope autoral, com lotes de 200 a 1.000 litros.

Dogma Cervejaria. No bar da cervejaria na região central da capital, são 20 opções de chope. Uma parte é produzida na nanofábrica anexa ao bar, exclusiva para os clientes de lá; outra, em fábricas terceirizadas.

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