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| 06 de janeiro de 2019 | 6h 10

Mercado de criptomoeda cresce e atrai pequenos empreendedores

Bitcoin, que completa dez anos em 2019, é bem visto por estrangeiros, mas ainda pouco usado no País

Mateus Apud * - O Estado de S.Paulo

Dez anos após a criação do bitcoin, primeira criptomoeda a entrar em circulação e ser usada como forma de pagamento em comércios, sua aceitação – apesar de ainda baixa – tem atraído também pequenos empreendedores. Gigantes, como Dell, Microsoft e Tecnisa, já aceitavam o bitcoin e ajudaram a girar, por exemplo, os R$ 8,3 milhões movimentados no Brasil em 2017 apenas com essa criptomoeda.

Vídeo da CoinWise mostra n’A Casa do Porco como é o pagamento da conta com bitcoin
Vídeo da CoinWise mostra n’A Casa do Porco como é o pagamento da conta com bitcoin

As criptomoedas são moedas digitais que circulam na internet, usam tecnologia de blockchain e criptografia para garantir a validade das transações e têm como característica não passarem pelo sistema financeiro tradicional. Legalizadas no Brasil e no mundo, elas são “dinheiro de mentira” – não são vistas como dinheiro e, sim, como ativo financeiro, sendo necessário ser declarada na Receita como um bem.

Como bem, ela tem valor unitário alto. Atualmente, o bitcoin está cotado em cerca de R$ 15 mil, e é fracionado depois pelo cliente em suas compras. Para Ricardo Rochman, professor e coordenador do Mestrado Profissional em Economia da FGV EESP, a aceitação da moeda pode ser vantajosa para pequenos empreendimentos, principalmente do ramo de serviços.

Isso porque, segundo ele, a moeda tem essa flexibilidade de ser fracionada em pequenos valores, além de ser uma moeda muito forte no exterior, facilitando o comércio para estrangeiros. “É um novo meio que pode fazer o empreendedor atingir novos mercados”, diz.

No JS Hostel, na Vila Madalena, o bitcoin é usado como forma de pagamento há mais de um ano. Segundo o sócio Daniel Oltemann, há pessoas que procuram o hostel justamente por aceitar a moeda, além de outros que descobrem a opção no local e optam por essa forma de pagamento. “Achei que seria muito interessante para expandir nosso negócio, que recebe muito estrangeiro. Facilita tanto para o hostel como para o hóspede.”

Cuidados

O empreendedor deve, no entanto, entender os riscos envolvidos nessas transações, pois a moeda tem volatilidade diária, ressalta Ricardo Rochman. Segundo o professor, o recebimento do bitcoin deve ser encarado como uma moeda estrangeira: existe taxa de câmbio e grande variação.

Por isso, é necessário ter conhecimento da moeda antes de começar a aceitá-la e, se necessário, buscar ajuda de empresas que prestam serviço de criptomoedas. “Há um ano o bitcoin custava mais de R$ 50 mil e hoje está por volta de R$ 15 mil. Dependendo do dia que o empreendedor trocar a moeda, ele pode receber menos e sair no prejuízo”, explica o professor.

Startups como a CoinWise ajudam no processo e têm atuado em São Paulo. Com a solução da empresa, a PayWise, o estabelecimento gera um QR Code em sua máquina, o comprador o escaneia com o celular na hora de pagar a conta, transfere instantaneamente os bitcoins de sua carteira para a CoinWise, ela converte o bitcoin para reais com a cotação do dia e transfere de volta para o comerciante.

“Facilitamos o processo. Em vez de a pessoa aprender a configurar a carteira e converter a moeda, nós fazemos tudo isso para o lojista”, diz o CEO da CoinWise, Marco Cornut.

Exemplo de empresa que aceita bitcoin com a CoinWise é o Boteco Boa Praça, no Itaim Bibi. Segundo o gerente Agnaldo Siqueira, porém, a adesão ainda não é grande. “Para nós, é seguro. A empresa cuida de tudo, mas os clientes ainda são desconfiados e preferem não pagar com bitcoin.”

Outra casa que passou a aceitar, em novembro, criptomoeda com a solução da CoinWise foi A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda. Famoso por seu trabalho no País e no exterior, onde acumula prêmios, Rueda vê passar muitos estrangeiros pela casa – e também por seus outros três empreendimentos, todos no Centro.

Mercado de criptomoedas exige carteira online

Para comprar bitcoin é necessário se cadastrar em sites de venda, como o Mercado Bitcoin, e comprar uma carteira com a quantidade de moedas desejadas. Para o cliente que pretende comprar produto ou serviço em local que não utiliza soluções como a CoinWise, o comerciante também deve ter uma carteira de bitcoin para fazer a transação. Depois, fica a cargo da pessoa que recebeu trocar os bitcoins por reais ou mantê-los e esperar que eles valorizem.

Além do bitcoin, há outras criptomoedas e também empresas que criam criptomoedas personalizadas. A Plataforma WiBX, da WibOO, é pioneira na criação de criptomoeda personalizada com tecnologia brasileira. Segundo o sócio da WibOO Geraldo Marques, a proposta da WiBX não é vender a moeda, mas sim torná-la um atrativo a mais no marketing da empresa e, assim, gerar uma publicidade mais assertiva.

“Nossa criptomoeda faz com que qualquer pessoa se torne um mini-influencer. Quem faz publicidade espontânea dos nossos clientes recebe em troca uma remuneração com a criptomoeda daquele local, para ser usado depois em compras.”

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

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