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| 20 de dezembro de 2018 | 6h 00

Indústria à espera de bons ventos em 2019

Setor torce por ânimo econômico para voltar a crescer

O Estado de S.Paulo

Nogami vê crescimento leve em 2019

Nogami vê crescimento leve em 2019

A indústria enfrentou mais um período delicado em 2018. Ressentida com os reflexos da desaceleração econômica, fecha o ano com uma coleção de índices de leve recuperação e queda. Porém, com um otimismo pragmático por parte dos pequenos e médios empresários, guiado, sobretudo, pelos rumos da economia, esperados com o novo governo.

Fatores como a greve dos caminhoneiros, agravamento da crise argentina – que atinge a exportação de manufaturados –, incertezas do processo eleitoral e desaquecimento do consumo interno impactaram diretamente nos resultados.

Segundo Otto Nogami, professor de Economia do Insper, há uma tendência de aquecimento. “Existem perspectivas otimistas quanto aos movimentos econômicos feitos pelo novo governo. Os passos tomados serão os motores de retomada dos investimentos nas empresas”, afirma.

Prova disso é o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), medido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que aponta a retomada do ânimo – novembro fechou com 63,2 pontos. É o maior valor desde setembro de 2010, quando registrou 63,3 pontos.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria voltou a crescer 1,1% em outubro. Apesar de ainda ser um resultado tímido, a produção industrial acumula alta de 1,8% no ano e de 2,3% em 12 meses.

Produtos de bens de consumo puxaram a fila – saúde, agronegócio, tecnologia, confecções, calçados, alimentos e bebidas – e devem impulsionar o crescimento em 2019. Isso é reforçado pelos últimos resultados do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), também analisado pela CNI, que contabilizou a quinta alta consecutiva em novembro: 113,6 pontos, o maior valor registrado desde 2014.

Para Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP, os movimentos da recuperação econômica, no entanto, não ajudam micro e pequenas indústrias. “Embora elas venham no processo de retomada, o faturamento real não se recuperou. É um movimento lento, depende do ambiente geral de negócios do País”, comenta. Ele se refere ao dado obtido pela entidade, que mostra queda de 3,7% no faturamento real das micro e pequenas indústrias paulistas em 2018.

Empresa se apoia nas estatísticas

Há 17 anos no mercado de produção de brinquedos e acessórios para bebês, a empresa paulista Zip, localizada em Itapetininga, enfrentou um ano instável. “Começamos nossas atividades com bastante otimismo, mas, ao longo dos meses, as expectativas positivas não se confirmaram, por conta dos efeitos da greve dos caminhoneiros, da Copa do Mundo e das eleições”, explica o dono, Sidney Rosinha.

Inicialmente, a empresa começou as atividades fabricando bichos de pelúcia à base de plush e, depois, acabou ingressando no universo dos acessórios para elevar seu tíquete médio – hoje, respondem por mais de 80% das vendas. Com capacidade para produção de 70 mil peças/mês, a Zip, atualmente, produz 40 mil.

Para o empresário, no entanto, esse volume máximo deve ser retomado, uma vez que trabalha com artigos para um público que cresce muito – a cada 21 segundos nasce um novo bebê no Brasil, segundo dados do IBGE. “Isso faz com que tenhamos que sempre ampliar o mix de produtos para atender a essa demanda”, destaca.

Segundo Sidnei Rosinha, a carga tributária aplicada nas indústrias de brinquedos reduz a sua competitividade. “O Brasil é um dos poucos países que ainda têm indústrias de brinquedos operando. A maior parte importa produtos da China. Não há estímulo para a nossa atividade”, lamenta.

Para 2019, os planos do proprietário da Zip vão sair do papel. A empresa, que hoje conta com 60 funcionários diretos e 120 colaboradores indiretos, deve aumentar esse quadro em 15%, com o fechamento de parcerias com novos polos de costura e a implantação de novas oficinas.

Uma delas, inclusive, funciona no presídio de Votorantim (SP). São 30 detentas que trabalham de forma remunerada na confecção dos bichos de pelúcia. “A cada três dias de trabalho, elas conseguem reduzir a sua pena em um”, conclui.

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