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Negócios| 15 de maio de 2017 | 8h 00

Empresas de venda online de passagens rodoviárias miram em possibilidades inexploradas

Click Bus, Brasil by Bus e Rodoviária On Line apostam em alternativa às filas em guichês de rodoviárias e surfam em onda que tende a crescer

Alessandro Lucchetti - Especial para O Estado

A comercialização online de passagens rodoviárias ainda representa uma fatia bastante fina de uma enorme pizza. Em 2016, 5% das passagens foram adquiridos por meio de transações eletrônicas. Naquele mesmo ano, 160 milhões de passagens rodoviárias foram emitidos. Os números fazem parte da segunda edição do estudo E-Rodoviário, elaborado por encomenda da ClickBus, empresa que lidera o segmento.

Os empresários Emerson Cristiano Lima e Nilton Sklaski Junior avaliam que chegou a hora de a venda de passagens rodoviárias on line se popularizar

Os empresários Emerson Cristiano Lima e Nilton Sklaski Junior avaliam que chegou a hora de a venda de passagens rodoviárias on line se popularizar

A boa notícia para as maiores empresas do ramo é o crescimento expressivo do volume de passagens compradas com a ajuda de computadores e celulares. Em 2015, esse número foi de 6,3 milhões de unidades. No ano passado, saltou para 7,9 milhões. 

Há entraves significativos para que uma expansão mais acelerada desse segmento se verifique. Um deles é a impossibilidade temporária de impressão de um e-ticket. Isso significa que, mesmo adquirindo a passagem por meio eletrônico, o viajante terá que passar num guichê da companhia de ônibus, na rodoviária ou, na melhor das hipóteses, num quiosque ou terminal de auto-atendimento para imprimir o bilhete.

As empresas que efetuam a venda online das passagens já dispõem da tecnologia necessária para viabilizar o e-ticket, mas a regulamentação do setor exige que as passagens sejam emitidas por impressoras fiscais, condição necessária para o recolhimento do ICMS, que cabe ao estado de embarque.

Existe, porém, uma movimentação em Brasília que pode ser determinante para o avanço das OTAs (On Line Travel Agencies; agências online de viagem, em português), acrônimo que designa empresas como a ClickBus, Brasil By Bus e Rodoviariaonline, as maiores a operar no Brasil nesse segmento.

Um projeto de lei que tramita no Senado pode dar uma injeção de capitalismo de verdade num setor que apresenta monopólio em muitas rotas. Caso a concorrência se instale, as empresas de transporte rodoviário intermunicipal e interestadual terão que cortar custos de comercialização de passagens, reduzindo gastos com a estrutura física dos guichês e com funcionários envolvidos na venda. Ao menos essa é a projeção de Nilton Sklaski Junior, dono da Rodoviariaonline, sediada em Curitiba.

"O custo de guichês nas rodoviárias é alto", assinala o empresário, que iniciou a vida no empreendedorismo vendendo coxinhas e refrigerantes nas cercanias do Detran e hoje comercializa passagens pelo www.rodoviariaonline.com.br/.

É bem verdade também que há forças atuando em Brasília no sentido de manter como está o setor de transporte rodoviário, ou seja, com pouca concorrência em rotas altamente rentáveis.

Breno Moraes, dono da Brasil By Bus, percebeu que havia um nicho de negócios na venda eletrônica de passagens de ônibus. Lançou no final de 2011 o site, que originalmente publicava notícias e matérias sobre viagens de ônibus e as possibilidades turísticas que poderiam se iniciar numa rodoviária. No final de 2012 estava lançada a possibilidade de se comprar passagens pelo www.brasilbybus.com.

Até a Copa de 2014, o site de Breno era o único que tornava possível a aquisição de passagens rodoviárias brasileiras por estrangeiros sem CPF. Por ter esse viés, houve um momento em que 80% do faturamento da empresa era proporcionado por vendas a estrangeiros.

O empresário não teme que as próprias empresas de ônibus desenvolvam sistemas para vender online suas passagens. "Não é a expertise delas. As empresas de ônibus que oferecem venda online normalmente optam por um sistema terceirizado, pagando uma mensalidade. É comum ficarem expostas a fraudes com cartões e não tornarem possível a compra por estrangeiros".

Cesário Martins, co-CEO da ClickBus, líder do setor, é outro empresário que se diz empolgado com as possibilidades do segmento que escolheu para empreender. Tendo em mente a necessidade de dar uma roupagem moderna ao comércio online de passagens dessa antiga e pouco glamourosa forma de viajar, o homem de negócios cearense deu descontos na última Black Friday, por exemplo.

Engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, Martins trocou os aviões pelos ônibus, e atravessou um bocado de dificuldades para conduzir a empresa em seus anos iniciais. "As empresas de transporte rodoviário tinham medo de nós. Foi difícil convencê-los de que somos parceiros, não concorrentes. Vamos caminhar de mãos dadas. Temos um mercado muito grande e significativo, e que tende a crescer".

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