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| 17 de outubro de 2017 | 20h 37

Empreendedores se concentram no mindfulness

Estudos apontam benefícios para a saúde de prática que utiliza técnicas de meditação e inspira novos negócios

Karina Rivera, Especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Foto: Moved by Mindfulness

Foto: Moved by Mindfulness

Recente pesquisa feita pelo bureau de tendências WGSN indica que o mercado mundial de bem-estar está avaliado em US$ 3,4 trilhões, número que ultrapassa em três vezes os negócios envolvendo a gigantesca indústria farmacêutica. Esse segmento inclui medicina alternativa, atividades fitness, alimentação saudável, spa e práticas mente-corpo -- que cada vez mais atraem interessados e também empreendedores, que aproveitam para lançar novidades ou consolidar tendências. Agora, uma atividade ganha terreno: o mindfulness, que tanto pode ser oferecido como mais uma atividade em negócios já estabelecidos ou ser a razão de um novo empreendimento.

Este é o caso cientista social Moira Malzoni, que afirma "sempre" ter se interessado pela prática, o que a motivou a fundar o Moved by Mindfulness. O 'mindfulness', cuja ideia significa 'estado de atenção plena', utiliza práticas de meditação para se concentrar no presente. Pesquisa da Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia (EUA), mostra que a prática aumenta a atividade pré-frontal do cérebro, ajudando na concentração e na produtividade. De acordo com a investigação, também ajuda a "desligar" a resposta biológica ao estresse, possibilitando reduzir o risco e a gravidade de doenças ligadas a essas respostas, como depressão, ansiedade e problemas do coração.

Moira, ao perceber a maior procura pela "meditação da atenção plena", decidiu investir em formação no exterior para abrir seu próprio negócio. Foi depois de se formar instrutora pela Universidade da Califórnia (EUA), que ela e seu sócio, Marcelo Tilkian Maia, inauguraram o estúdio, nos Jardins, fruto de um investimento de R$ 350 mil, incluindo seus estudos. Ele é totalmente voltado para a atividade, com sessões diárias e cursos de formação profissional. Com base no primeiro mês de funcionamento, os sócios estimam que o faturamento mensal ficará em torno de R$ 50 mil.

"Estivemos em Nova York e em Los Angeles, conversamos com vários donos de empreendimentos semelhantes e percebemos que está se tornando uma tendência. Assim como antes houve o boom dos estúdios de ioga e de pilates, apostamos que os de 'mindfulness' são os próximos a virar moda. Imagino que seja por conta da correria do dia a dia das cidades e pelo uso constante das novas tecnologias, principalmente do celular. As pessoas fazem mil coisas ao mesmo tempo e passam pouco tempo com a cabeça no presente. Elas estão sentindo cada vez mais essa necessidade de dar um tempo para se concentrar em uma coisa única", diz Moira.

Outro empreendimento, o Centro Paulista de Mindfulness (CPM) foi fundado há quatro anos e tem como um dos sócios fundadores o psicólogo clínico e mestre em Saúde Coletiva pela Unifesp Marcelo Oliveira. Ele conta que, no início, o centro oferecia cinco turmas por ano e contava com três profissionais. Hoje, o CPM abre de três a quatro turmas por mês e já contratou mais cinco instrutores. Além disso, no primeiro ano, só ele tinha um ponto na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, agora, possui mais duas outras filiais - na Avenida Paulista e em Pinheiros, na zona oeste da cidade.

Oliveira destaca a importância de não poupar recursos com profissionais de qualidade. "Existe muita gente que se diz instrutor, mas não tem formação e aplica técnicas equivocadas aos seus alunos. Isso é muito perigoso. Não é todo mundo que pode ensinar, assim como nem todo mundo pode praticar essa atividade. É um trabalho que lida com emoções e com a consciência, tem potencial de ajudar muita gente, mas, se feito de forma errada, pode atrapalhar muito também."

O programa voltado para quem quer praticar e antigir o 'mindfulness' tem duração média de oito semanas, com aproximadamente sete sessões durante a semana, de duas horas cada. O valor total gasto fica em torno de R$ 900 reais. Alguns estúdios oferecem, ainda, opção de parcelamento.

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