ESTADÃO PME » » notícias

Criatividade e estratégia| 02 de abril de 2018 | 17h 34

Diversificar produtos e modelos é saída para PME se manter inovadora

Flexibilização que se espera na inovação,muitas vezes aparece em outras formas mais estratégicas, como na mudança de preços, posicionamento de marca e criação de novos produtos

Matheus Riga especial para - O Estado de S.Paulo

A Apple decidiu diversificar sua gama de produtos ao, além de vender seus computadores, desenvolver softwares. Foto: Mike Segar/REUTERS

A Apple decidiu diversificar sua gama de produtos ao, além de vender seus computadores, desenvolver softwares. Foto: Mike Segar/REUTERS

Em 1975, a Kodak ficaria famosa por fazer uma escolha que decretaria sua derrocada. A marca, que era líder na venda de filmes fotográficos, teve em suas mãos o projeto da máquina digital antes de qualquer outra companhia. Um de seus engenheiros, Steve Sasson, tinha desenvolvido um protótipo, mas a corporação o vetou com medo de vender um produto que disputaria com sua maior fonte de renda. Anos depois, a comercialização da máquina digital fez o valor de mercado da empresa ficar irrisório. Para evitar a “síndrome de Kodak” e manter a inovação e os bons resultados, especialistas dizem que as melhores estratégias são adotar a diversificação de produtos ou ajustar o modelo de negócio.

Os motivos que fazem uma empresa procurar novas saídas além de seu escopo de negócios geralmente são os mesmos. Crise econômica dentro do segmento de atuação, concorrência muito competitiva e baixo faturamento estão entre as causas pela busca da inovação. Para o chefe do departamento de administração da FEA-USP, Moacir Oliveira, a influência para a mudança não é só motivada pelos maus resultados. “Ela pode ver seus negócios minguando e sentir a necessidade de diversificar, mas também existem casos em que ela muda porque enxergou uma grande oportunidade de crescimento”, afirma. “As companhias se ajustam conforme riscos e brechas do mercado.”

::Veja 7 grandes empresas que mudaram de ramo para sobreviver::

Um exemplo bem sucedido, para Oliveira, ao contrário da Kodak, é o da Apple. A empresa de tecnologia, no início dos anos 1980 era líder de mercado na venda de computadores pessoais, mas com o desenvolvimento dos softwares, o segmento estava sendo levado para um investimento maior em sistemas operacionais. “É nesse momento que surgem outros produtos da companhia, como o Ipod com o Itunes e, mais tarde, o Iphone com o iOS”, afirma o chefe de administração da FEA-USP. Para ele, a corporação construiu muito bem sua estratégia, ao identificar seus pontos fortes, como o design intuitivo e a simplicidade, para poder aplicá-los nos pontos mais efervescentes da sua área de atuação.

Inovação e posicionamento da marca

O coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (GVCenn) da FGV, Marcelo Aidar, diz que a flexibilização que se espera na inovação,muitas vezes aparece em outras formas mais estratégicas, como na mudança de preços, posicionamento de marca e criação de novos produtos do mesmo ramo, sem diversificação do portfólio de negócios em que a corporação atua.

Mudar o modelo de negócios com mais facilidade, de acordo com Aidar, é possível em empresas de estágio nascente. “Não é tanto o porte da empresa que impacta, mas sim o ciclo de vida”, diz. “Em um estágio de experimentação, em que não se sabe direito a forma do seu negócio, é mais fácil de aplicar mudanças.” Segundo o coordenador do GVCenn, testar e experimentar novas maneiras de captar recursos até achar aquela que se adequa ao empreendimento é o único jeito de

Mudança de foco: de B2C para o B2B

A startup de educação Qranio é um exemplo de como a mudança pode fazer bem para o negócio. No começo de operação, a empresa desenvolveu um aplicativo para tornar o processo de aprendizado de matérias tradicionais como matemática e português mais interessante, adotando técnicas de gameficação. “O usuário entra, aprende jogando e recebe a nossa moeda virtual Qi$ e pode trocá-la por prêmios reais”, afirma o CEO e fundador da companhia Samir Iásbeck de Oliveira. Com essa dinâmica, a aplicação conseguiu atrair aproximadamente 1,3 milhão de pessoas dentro da plataforma.

Apesar do número de usuários utilizando a Qranio, o seu modelo de negócio “freemium” – como são conhecidos os aplicativos gratuitos com funcionalidades especiais pagas – não estava garantindo que as contas da startup permanecessem no verde. “Estávamos com prejuízo mensal de R$ 250 mil”, afirma Oliveira.

“Percebemos que se continuássemos desse jeito, íamos perder todo o investimento que fizeram em nós.”

A Qranio, de Samir Iásbeck de Oliveira, operava com prejuízo de R$ 250 mil mensais. Foto: Eric Machado/Divulgação

A Qranio, de Samir Iásbeck de Oliveira, operava com prejuízo de R$ 250 mil mensais. Foto: Eric Machado/Divulgação

O ponto de mudança aconteceu logo depois de a startup ter entrado no ciclo de desenvolvimento de negócios InovaBra, do Bradesco, em 2014. Lá, Oliveira percebeu que a plataforma poderia ser utilizada dentro da organização que os acelerava, mas com foco na educação corporativa. “Falavam muito que os funcionários jovens que estavam entrando não tinham mais paciência para sentar numa sala de aula para aprender os processos básicos da companhia”, diz.

A partir dessa percepção, a Qranio criou um serviço semelhante ao seu aplicativo, mas customizado, de acordo com os valores e a cultura do instituição financeira.

Com seu novo negócio voltado para as empresas, a Qranio conseguiu fechar contratos, além do Bradesco, com mais quatro corporações. A perspectiva é de que em 2018 o número dobre. Segundo Oliveira, a startup quer ter fechar com mais sete  clientes este ano.

Siga o Estadão PME nas redes sociais 

Instagram: @estadaopme 

Twitter: @estadaopme 

Facebook: www.facebook.com/estadaopme

Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui