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Entrevista| 31 de outubro de 2018 | 5h 01

'Criatividade significa envolvimento, doação'

Um dos maiores artistas de rua do País, Kobra ganha cada vez mais espaço na arte e no mercado

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

O muralista Eduardo Kobra em seu ateliê, na capital paulista. Foto: Amanda Perobelli/Estadão 

O muralista Eduardo Kobra em seu ateliê, na capital paulista. Foto: Amanda Perobelli/Estadão 

Em Nova York para realizar o projeto autoral ‘Cores pela Liberdade’, em que pintou uma série de 17 murais na cidade norte-americana, Eduardo Kobra falou com o Estadão PME, entre uma pincelada e outra, sobre criatividade, os temas que escolhe para fazer suas obras e como enxerga a relação com os trabalhos que produz em parceria com algumas empresas.

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Qual é o significado de criatividade para você?

Acredito que meu desenvolvimento criativo tem muito a ver com sentimento, verdade e intimidade. Para mim, desenvolver algo criativo significa envolvimento e conhecimento dos temas que eu estou trabalhando e aplicando na minha obra. Claro que existem momentos de inspiração, mas a criatividade está muito ligada a verdade e isso pode ser apurado e melhorado com envolvimento, com doação.

Sua arte ganhou forte dimensão, fazendo com que grandes marcas o chamassem para realizar alguns trabalhos. Como você enxerga esse movimento?

Foi um processo que eu levei muitos anos para desenvolver e sou muito zeloso em relação a isso. Já passei por vários momentos complicados em que eu tive de me submeter a algumas situações de trabalho por uma questão de sobrevivência. Mas eu sempre mantive a esperança de um dia conseguir ser mais respeitado pelo caminho que eu tinha decidido e pelos princípios que eu tomei na minha trajetória. Agora, depois de 30 anos pintando nas ruas, as associações só acontecem quando a marca respeita os meus conceitos e o caminho que eu quero seguir. Eu posso sim pintar um prédio de uma empresa, contanto que ela me deixe ser livre para criar e que tenha a ver com a minha história e conceito. Se isso não ocorrer, o trabalho fica desconectado da minha vida, da minha trajetória.

Como você vê a economia criativa no Brasil? 

Eu percebo a importância dos artistas brasileiros, e de toda a habilidade que eles possuem, por trabalharem sem recursos e com pouquíssimo apoio. E vejo, quando viajo, que o Brasil está na vanguarda em muitos aspectos. Justamente pelo improviso, pelas diferenças e dificuldades no acesso a alguns materiais.

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