DOLLY FAIBYSHEV | NYT
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Bicicleta virtual permite fazer aula de spin na sala de casa

Nova leva de empreendimentos pretende usar a tecnologia para trazer os treinos das academias aos usuários com preços mais acessíveis

Gloria Dawson, The New York Times

27 de outubro de 2016 | 06h00

Numa manhã de domingo, Alex Toussaint, instrutor de ciclismo da Peloton, deu as boas-vindas a todos em sua aula de spin embalada pelo hip-hop dos anos 1990. Havia 50 alunos na frente dele, e mais de 200 que tinham sintonizado de diferentes partes do país. O espaço pode parecer o de muitas academias chiques de ciclismo de Manhattan, mas funciona também como estúdio de transmissão, com aulas que chegam a milhares de ciclistas que acompanham tudo de seus tablets.

Enquanto dava sua aula, Toussaint olhava para uma das quatro câmeras posicionadas na sala e mandou palavras de incentivo para os ciclistas em casa. Naquele mesmo dia, qualquer dono de bicicleta Peloton poderia sintonizar a aula de Toussaint, uma das mais de 3 mil produzidas pela empresa.

As academias mais chiques são o segmento de crescimento mais rápido da indústria do fitness. Mas há limitações: local, preço e disponibilidade de vagas nas aulas. Uma nova leva de empreendimentos, que inclui a Peloton, pretende usar a tecnologia para trazer os treinos das academias aos usuários com preços mais acessíveis.

A Peloton tem milhares de ciclistas, mas uma única academia de ciclismo. John Foley, cofundador e diretor executivo da empresa, não pensa nela como empresa de fitness, mas como empresa de tecnologia, em parte pelo fato de, além de produzir e vender bicicletas, a empresa também cria o tablet e o conteúdo que a acompanham.

A ideia da Peloton ocorreu a Foley pouco depois de ele se tornar pai. Não havia mais tempo para os treinos habituais e, quando ele arrumava uma brecha, as aulas em academias estavam lotadas, restando apenas horários inconvenientes.

Quando olhou para o equipamento fitness que tinha em casa, tudo que ele viu foi hardware. “O que o consumidor deseja é o ambiente de grupo. É isso que o faz aderir às aulas, sejam de ioga, malhação pesada, ciclismo ou treinos de alta intensidade com intervalos”, disse Foley. “São os outros: o instrutor e a música, a motivação.”

Assim teve a ideia de fabricar uma bicicleta e um tablet, contratando instrutores, criando conteúdo e então convencendo os consumidores a testar a plataforma. Apesar do ceticismo dos investidores, a empresa conseguiu captar US$ 120 milhões. Desde o final de 2013, a empresa já vendeu 50 mil bicicletas ao preço de aproximadamente US$ 2 mil cada, de acordo com Foley. Os donos das bicicletas pagam US$ 39 por mês e têm acesso ilimitado às aulas.

Muitas das bicicletas são vendidas em uma das 17 lojas da empresa, geralmente localizadas em shoppings de alto padrão. Embora as bicicletas não sejam baratas, aulas em academias chiques custam cerca de US$ 30, e isso torna a Peloton um investimento atraente após o investimento inicial. Os membros das academias gastam em média US$ 101 mensais em aulas.

A Peloton não é a única empresa oferecendo alternativas às aulas de fitness das academias chiques e disputando uma fatia dos quase US$ 26 bilhões da receita dessa indústria. Empresas como as também norte-americanas Daily Burn, Qinetic e FitFusion oferecem aos membros aulas e treinos transmitidos via streaming de vídeo por um pequeno custo mensal.

A tendência ainda está em fase emergente. Apenas 15% dos consumidores que se exercitam com regularidade pagaram por assinaturas de serviços de fitness em vídeo, e apenas 16% demonstram interesse em contratar algo do tipo, de acordo com pesquisa da Mintel.

Dana Macke, analista sênior de pesquisas da Mintel, disse que a maioria desses serviços de vídeo tinha um ponto fraco: a falta de interação. Empresas como a Yogaia, com sede em Helsinki, Finlândia, resolveram o problema em parte ao possibilitar que os instrutores vejam os alunos e ofereçam instruções específicas nas aulas ao vivo. A Yogaia captou US$ 3 milhões em financiamento e cobra de seus cerca de 10 mil usuários uma mensalidade de aproximadamente US$ 9 por aulas, tudo em vídeo ao vivo e sob demanda, de acordo com uma porta-voz da empresa. / TRADUÇÃO AUGUSTO CALIL

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