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ENCONTRO PRÓ-PME| 05 de outubro de 2018 | 6h 00

Aposta na mudança da forma de comprar e também trabalhar

buscar novas formas de trabalho será a tônica dos próximos anos

Elcio Pado - ESPECIAL PARA O ESTADO

Painel Construindo Identidade, com Malte Huffmann (Dafiti) e Lucas Mendes (We Work) (camiseta preta) . Foto: Rafael Arbex /ESTADAO

Painel Construindo Identidade, com Malte Huffmann (Dafiti) e Lucas Mendes (We Work) (camiseta preta) . Foto: Rafael Arbex /ESTADAO

O empresário alemão Malte Huffmann não teve dúvidas quando viu a capa da revista The Economist que mostrava o Cristo Redentor decolando. Em 2010, a economia dos países formadores dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) apresentava níveis de crescimento convidativos. Como tinha um amigo brasileiro que morava na Alemanha, Huffmann se convenceu da oportunidade e veio para cá. Quando chegou, viu que as coisas não seriam como tinha imaginado.

“Eu tive minha primeira experiência de empreendedorismo na Alemanha, em 2010, com um site que vendia roupas. Ao ler sobre o Brasil e enxergar essa lacuna no mercado local, decidi arriscar”, conta Huffmann no Encontro Pró-PME. Em 2011, fundou a Dafiti, e-commerce para a venda de roupas, que recebe 60 milhões de visitas por mês e ampliou o leque de ofertas para acessórios como bolsas, perfumes e artigos para casa, além de ter filiais na Argentina, Chile e Colômbia.

Para o empresário, o setor, que no ano passado cresceu 12% no País, tem potencial para seguir em ascensão, especialmente para quem investir em canais de comunicação que sejam dinâmicos com os clientes da compra até a entrega. “A gente vive tempos de mudança. Uma forma de as empresas se manterem é a agilidade, e isso a gente só consegue quando tem times empoderados.”

Na Dafiti, ele conta que testam as ideias que surgem e não têm medo de falhar. “Se deu certo, a gente implementa”, diz. “A gente tem um mindset na empresa que é continuar inovando”, diz Huffmann, que participou do painel no Encontro Pró-PME com o representante de uma marca estrangeira que também acreditou no mercado brasileiro: Lucas Mendes, diretor-geral da WeWork Brasil.

Colaboração

Para Mendes, buscar novas formas de trabalho será a tônica dos próximos anos. O sistema de coworking é mais um oriundo da economia colaborativa e desafia os padrões já estabelecidos em empresas e escritórios. O modelo de negócio, que chegou ao Brasil em 2017, conta atualmente com dez prédios e 6,5 mil membros participantes. A empresa planeja abrir um espaço em Belo Horizonte nos próximos meses.

“É preciso saber onde você quer gastar energia, para ter chances de ter um bom negócio. Em tempos em que a economia colaborativa tem sido uma das tônicas do mercado, o sistema de coworking ganha cada dia mais espaço”, avalia Mendes, que também acredita que toda empresa deve buscar criar cultura e identidade próprias.

Oportunidades na rede

Huffmann e Mendes acreditam que a internet abre caminho para grandes oportunidades e que vem crescendo o número de pessoas que desejam trabalhar para si ou em lugares em que tenham voz e possam tomar decisões. “Hoje, a liderança precisa forçar a decisão de baixo. Não gosto desta ideia do CEO salvador da pátria, que toma todas as decisões. A liderança erra e, quando nós conversamos sobre isso, é muito mais fácil de se crescer, afirma o diretor-geral da WeWork Brasil, que dá o exemplo do Google, no qual o presidente sempre faz rodas com funcionários, abre seus erros e pede opinião sobre que decisões pode tomar.

Para o alemão, o Brasil oferece alguns desafios àqueles que buscam ter um negócio próprio. A taxa de juros é alta, algumas leis trabalhistas são antigas e há muita burocracia. No caso da Dafiti, por exemplo, Huffmann lembra que ele e o sócio até precisaram adiar a data de lançamento da loja virtual porque o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) demorou a ser emitido.

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