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Entrevista| 29 de agosto de 2018 | 5h 02

'A economia precisa de mix de empresas'

Em ‘A Vingança dos Analógicos’, canadense retrata a força do vinil, filme fotográfico e jogo de tabuleiro na era 3.0

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

Jornalista canadense David Sax, autor do livro A Vingança dos Analógicos. Escritor acompanhou empreendedores que abriram negócios analógicos. Foto: Christofer Farber

Jornalista canadense David Sax, autor do livro A Vingança dos Analógicos. Escritor acompanhou empreendedores que abriram negócios analógicos. Foto: Christofer Farber

Para identificar se estava vivendo uma “alucinação febril” ou testemunhando uma nova onda de produção e consumo de artigos analógicos, como o vinil, cadernos Moleskine, filmes fotográficos e jogos de tabuleiro, o jornalista canadense David Sax escreveu A Vingança dos Analógicoslivro lançado no Brasil em 2017. O Estadão PME conversou com Sax a respeito de como ele enxerga esse cenário atualmente.

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Como estão esses empreendedores hoje?

A maioria das empresas está melhorando em vendas, crescendo e saudáveis no mercado mais do que quando o livro foi publicado. Alguns fizeram grandes movimentos (a Moleskine foi comprada por € 500 milhões e o Impossible Project comprou a Polaroid), enquanto outros, como lojas de discos e livrarias, abriram segundas ou terceiras unidades. Nenhuma das vertentes parece ter se invertido ou diminuído significativamente.

Como estas empresas buscavam se fortalecer no mercado?

Descobri que era muito mais fácil para um novo negócio analógico crescer neste ambiente digital do que uma empresa com legado, que já havia lidado com anos de declínio. É mais fácil para uma pequena empresa iniciante aumentar o mercado de fotografia cinematográfica a partir do zero do que alguém como a Kodak tentar sobreviver e permanecer relevante quando os negócios diminuíram em 90% ou mais.

Qual é a melhor vantagem do analógico na sua opinião?

Nós vivemos em um mundo analógico. Um mundo de pessoas de carne e osso e lugares físicos. Assim, enquanto grande parte da nossa vida é absorvida pela tecnologia digital, mas fundamentalmente nós comemos, dormimos, nos vestimos e vivemos por meio do mundo analógico. A melhor música de streaming de um samba-enredo nunca chegará perto de competir com a sensação da bateria batendo no seu corpo, enquanto seus pés voam e o suor escorre da sua testa na Mangueira (ou Portella ... o que você preferir). As vantagens do analógico apenas crescem.

Alguns especialistas estão falando sobre o retorno à comunidade, explicando que estamos valorizando produtos locais, pequenos produtores, etc. Você acha que esse fenômeno potencializa a vingança do analógico?

Absolutamente. O que o digital faz é ótimo, proporciona escala para os negócios, criando serviços e produtos de crescimento rápido e que podem crescer globalmente. Mas depois de um tempo, ansiamos por esse toque pessoal único. Então, a Amazon pode enviar um livro para qualquer lugar do Brasil, mas eles não podem responder suas perguntas como uma livraria de bairro faz, ou mesmo estarem em um espaço onde você pode levar seus filhos e deixá-los brincar e ler por uma hora.

O que pensa sobre a ‘era das startups’?

Essa resposta diz muito sobre o que será o meu próximo livro, focado nestes empreendedores. O termo startup significa para as pessoas apenas uma empresa de tecnologia com rápido crescimento. Mas o que precisamos são de novos negócios que assumem riscos e assim crescem. Desde as startups de São Paulo à uma nova loja de surfe em Itacaré, na Bahia. Uma economia precisa de um mix. Novo e velho. Pequenas e grandes empresas. Negócios analógicos e negócios digitais. Além disso, as empresas de tecnologia tendem a empregar poucas pessoas, que são extremamente bem educadas e possuem recursos. Eles não tendem a oferecer os tipos de oportunidades de emprego ou mesmo espaço para empreendedores que mais precisam de ajuda: os que vivem na pobreza, em áreas de risco do País.

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