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| 27 de novembro de 2018 | 16h 48

68% dos microempreendedores apostam em boas vendas no Natal, diz Sebrae

Pesquisa do Sebrae aponta otimismo dos donos de pequenos negócios no País; para presidente da entidade, fim da greve dos caminhoneiros e eleições destravaram medo de consumidores

MATEUS APUD* - O Estado de S.Paulo

Empreendedores de pequenos negócios estão mais otimistas com o Natal deste ano. Segundo pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que ouviu mais de 5,8 mil empreendedores de pequenos negócios de todo o Brasil de agosto a outubro, 68% dos entrevistados apostam em boas vendas. Destes, 30% acreditam que as vendas serão inclusive melhores que as do ano passado.

Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, a expectativa de melhora já era esperada, mas a greve dos caminhoneiros e as eleições diminuíram o processo de retomada. “Com a resolução da greve e do cenário político, a expectativa cresceu, pois vai destravando o medo das pessoas e elas se sentem mais motivadas a consumir. Os empresários olham isso com uma melhor expectativa, ainda muito pequena, mas já apontando uma direção mais positiva”, diz.

Por segmento, a pesquisa aponta que o comércio e o serviço são os mais otimistas com o aumento das vendas: 33% acreditam que 2018 será melhor que 2017. As melhores expectativas estão entre os microempreendedores individuais (MEI), segmento onde 73% creem na melhoria das vendas ou avaliam que serão iguais ao Natal passado. Em seguida estão as micro e pequenas empresas (ME), onde 70% acham que venderão igual ou melhor em relação a 2017, e entre as empresas de pequeno porte (EPP), em que 61% esperam uma melhoria ou que suas vendas se manterão iguais ao ano passado.

O diretor de operações do aplicativo de beleza Singu, João Fernandes
O diretor de operações do aplicativo de beleza Singu, João Fernandes

 

Desde o primeiro semestre

Diversos comércios apostam no Natal para aumentar as vendas e criam produtos especiais para a data. A Casa Santa Luzia, empório gastronômico em São Paulo, oferece uma linha especial que vai desde presentes mais simples até ceias completas. “Oferecemos panetones, pão de mel, frutas, castanha portuguesa, calendário do advento, bolos e ceias com mais de 200 itens”, conta a diretora Ana Maria Lopes.

Segundo Ana Maria, a data é de extrema importância para o empório e representa “um mês a mais de faturamento”. “Trabalhamos com o Natal o ano inteiro. Como a data representa um grande aumento das vendas, já começamos o planejamento dele no primeiro semestre.”

O aplicativo Singu, que oferece serviços de beleza e bem estar a domicílio, também tem a data como a mais importante do ano para aumento do faturamento. Segundo o diretor de operações da plataforma, João fernandes, os dias que antecedem o feriado são “uma loucura”.

“Do dia 20 até o dia 24, os pedidos sobem 120% em comparação a um dia normal. Existe um aumento significativo das mulheres querendo se arrumar para festas ou viajar, e os salões não conseguem atender todo mundo. Muitas pessoas que acabam não usando nossa solução (no dia a dia) baixam o aplicativo”, afirma Fernandes.

Ana Maria Lopes, diretora da Casa Santa Luzia, que vê o faturamento crescer no Natal
Ana Maria Lopes, diretora da Casa Santa Luzia, que vê o faturamento crescer no Natal

Fundada em 2015, a empresa tem o histórico de grande aumento no Natal e começa suas preparações em novembro, com pesquisas internas dos profissionais para cobrir a demanda. “Baseado nas pesquisas, conseguimos ter noção de quantas pessoas estão faltando e começamos a fazer campanhas de pagamentos de bônus para incentivar nossos colaboradores a trabalhar na data”, diz.

 

Nem tudo é festa

Apesar de a maioria dos empreendedores acreditar que as vendas irão melhorar ou que serão iguais a 2017, mais de 80% não pretendem fazer contratações mesmo com o aumento das vendas.

Para o presidente do Sebrae, as empresas têm receio de aumentar os custos pois não trabalham com margem suficiente para aumentar as equipes.

Entre os pessimistas para a data (26% acham que as vendas não serão iguais ou melhores que em 2017), está a padaria Dona Deola. Segundo uma das diretoras, Vera Martinez, mesmo a rede apresentando uma linha exclusiva do produtos para o Natal, as vendas nunca são grandes.

“É um mês muito agitado e muito quente e, quando aumentam as temperaturas, nossas vendas caem”, conta Vera, que explica que a padaria se aproveita de outras datas para gerar mais receita. “A Páscoa é o nosso Natal. Nosso ovo artesanal de Páscoa vende muito. Vendemos quase 40 mil ovos todos os anos.”

* ESTAGIÁRIO SOB SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

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