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Encontro PME| 01 de novembro de 2013 | 7h 50

Veduca: O pequeno negócio que incomoda

Criado em março de 2012, Veduca inovou nas áreas de tecnologia e educação

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME

Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Carlos (esq.) é sonhador e Marcelo, o racional, responsável por trazer o sócio e amigo para o ‘chão

O propósito do Veduca – democratizar a educação de alta qualidade no Brasil com conteúdo gratuito – despertou o interesse, a desconfiança e até a ira de algumas empresas. “Grandes universidades privadas colocaram o dedo na minha cara e falaram: ‘vou fazer o possível para parar você’. Somos 16 pessoas em uma casinha em Pinheiros incomodando grandes instituições. Você percebe que está no caminho certo quando incomoda”, afirma o idealizador da plataforma, Carlos Souza, que convenceu mais três amigos a fundar o empreendimento.

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E mesmo diante do desafio atual de monetizar o negócio, de uma coisa os sócios não abrem mão: o acesso gratuito ao conteúdo. A ideia de criar uma plataforma online com aulas em vídeo, ministradas por professores de grandes universidades, foi do engenheiro Carlos Souza. Com experiência em marketing, ele buscou perfis complementares para viabilizar o negócio.

Conseguiu recrutar Marcelo Mejlachowicz para o setor financeiro, Eduardo Zancul, que tinha experiência acadêmica, e André Tachian, para cuidar da tecnologia. Depois, o quarteto ainda ganharia a companhia de Cristian Medeiros, com experiência em Tecnologia da Informação.

A empresa, aliás, investe atualmente em tecnologia e processos para conhecer, cada vez mais, quem acessa o Veduca. Mas os sócios destacam que essa relação não pode ficar só na análise de dados. É fundamental conversar com o público. E o cotidiano mostra que tem muita gente interessada, inclusive, em aprimorar a plataforma.

Ao propor uma extensa pesquisa aos frequentadores do site, 1,2 mil pessoas responderam o questionário no dia seguinte. E ao convidar usuários para usar a plataforma na sede da empresa, teve quem aparecesse um dia antes. “Nosso negócio não é nosso, é de quem usa. E a gente tem que ouvir e falar com essas pessoas para conseguir melhorar”, destaca Carlos, que participou do Encontro PME ao lado do sócio Marcelo. Confira os principais trechos.

Nome
Um dos casos curiosos compartilhados no evento foi o da escolha do nome. Em busca de inspiração para batizar a plataforma, Carlos deparou-se com a expressão ‘tábula rasa’, que resume o conceito de que as pessoas nascem iguais e são resultados de suas experiências. “Nós, empreendedores, somos cabeça dura. Queria colocar esse nome, mas o domínio pertencia a alguém no Rio. Tentei comprar, mas não consegui”, diz Carlos.

Frustrado com a recusa, Carlos chegou ao nome ideal durante um fim de semana, quando ouviu um comercial do site Muu. A palavra de três letras, de fácil memorização, chamou sua atenção. “Nomes simples e inventados devem fazer sentido. Pensei em Eduu. Mas já que posso inventar o nome, cheguei no Veduca. É sonoro e só tem um”, conta Carlos.

Estratégias
O modo sobre como ganhar dinheiro sempre foi um desafio para o Veduca, que já mudou de estratégia algumas vezes. Marcelo lembra que no início a solução mais óbvia era publicidade. “Fui estudar o mercado, quanto custava, todos os procedimentos. Montamos um site que parecia um estande da (Rua) 25 de março, com muitos banners. Ainda bem que vimos que esse não era o caminho e abandonamos. Foi uma escolha dura, principalmente para mim, que sou o financeiro”, lembra.

Outra proposta abandonada foi a estante virtual – usada para vender livros com assuntos relacionados aos vídeos. Atualmente, o Veduca parece ter encontrado o caminho da rentabilidade. No caso do MBA em Engenharia e Inovação, oferecido pela plataforma, o conteúdo é gratuito, mas quem quiser certificado terá de pagar R$ 6,6 mil, fazer provas e apresentar trabalho de conclusão. Em 15 dias, 5 mil pessoas estavam interessadas e 400 pagaram.

Investidor
Para quem está em busca de um investidor, Marcelo lembra que, no estágio inicial, os empreendedores não conseguem vender uma proposta sólida. “A gente não tinha resultado de receita, não tinha nada”, diz. Diante da dificuldade, ele destaca a importância de mostrar alguma coisa para o investidor avaliar. Se for um site, por exemplo, o empresário deve colocá-lo no ar, mesmo que ele não tenha orgulho do resultado. No Veduca, o que fez a diferença também foi a equipe envolvida no projeto. “Se o time for bom, se o mercado tem potencial e a ideia for forte, o resto a gente vai fazer acontecer.”

Empresa recebeu novo aporte de R$ 1,1 mi dos mesmos investidores

Um ano após o primeiro aporte de capital, o Veduca recebeu a segunda rodada de investimentos, no valor de R$ 1,1 milhão, neste mês. O dinheiro veio do mesmo grupo de investidores: Bolt Ventures (antiga Mountain do Brasil), Macmillan Digital Education e 500 Startups.

Na avaliação de Marcelo Mejlachowicz, sócio do Veduca, o mais importante para conseguir esse segundo investimento foi entregar o prometido. O primeiro aporte foi usado para contratar pessoas e aprimorar a estrutura necessária de lançamento dos cursos online massivos abertos, os MOOCs. E a estratégia foi não monetizar o negócio no primeiro ano para criar uma marca forte.

“Levamos muitos ‘nãos’ na cara. Em janeiro de 2012, um dos sócios chegou a falar para a gente vender o negócio. Mas resolvemos tirar dinheiro do bolso para fazer. Teve gente que falou que não ia investir, mas seis meses depois voltou atrás. Mas aí foi a nossa hora de dizer: ‘agora você não serve porque não enxergou nosso potencial no começo’”, relembra Carlos Souza.

Os sócios também chegaram a ir para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, para participar de uma apresentação de startups do mundo todo. “Começamos com uma ideia bacana, mas não pegamos uma apresentação e fomos vender. Implementamos a ideia e tiramos dinheiro do bolso. No estágio inicial, o mais importante é mostrar que você acredita na ideia e que outras pessoas também devem acreditar”, diz Carlos.

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