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Negócios| 22 de setembro de 2015 | 7h 07

Salgadinhos saudáveis entram no radar dos empreendedores brasileiros

Apelo do consumidor por produtos mais saudáveis cria oportunidade de negócio mesmo na crise

Gisele Tamamar, Estadão PME

A batata-doce, a mandioca, a mandioquinha e até o cará foram parar no saquinho dos salgadinhos com o objetivo de conferir a esse tipo de produto uma roupagem saudável. Pelo menos duas empresas enxergaram o potencial dos snacks saudáveis para lançar linhas feitas com essas raízes e planejam expansão mesmo diante de um cenário de retração econômica.

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A ideia de criar a Roots to Go, por exemplo, foi do empresário Felipe Dorf. Com intolerância a lactose, milho e trigo, ele foi buscar alternativas para se alimentar, mas não encontrou muitas opções. Dorf decidiu, então, empreender - pesquisou e produziu o próprio salgadinho. O início foi com chips de batata, mas mudou para os de vegetais variados após conhecer o mercado norte-americano e europeu, onde salgadinhos de batata-doce, beterraba e cenoura são consumidos há mais de 20 anos.

A alternativa foi unir as raízes brasileiras e as receitas da família para criar um mix de cará, mandioca, beterraba e tipos de batatas-doces. As primeiras vendas, não por acaso, foram feitas para os Estados Unidos. Mas a empresa ganhou consistência com a ajuda do amigo Jonathan Grin. Eles se reencontraram quando Dorf viajou para a Rússia com escala em Nova York e marcou um jantar com o advogado. Morando em Nova York há três anos, Grin já tinha planos de voltar ao Brasil e abrir um negócio próprio. A conversa rendeu um convite de Dorf para Grin ajudá-lo na condução do negócio.

O primeiro passo foi criar uma marca e plantar as próprias raízes em Mococa, no interior de São Paulo, para evitar oscilações de preço e falta de matéria-prima. "A gente chegou a conclusão de que, apesar de ter em abundância no Brasil, o preço das raízes oscila muito. Não sabemos a procedência, se eles usam algum tipo de produto na plantação, então, resolvemos plantar a nossa produção", diz Grin.

O produto mais bem acabado foi lançado há cerca de um ano no mercado brasileiro sem muito alarde. "Estávamos focados nas plantações e no processo produtivo. Queríamos ter 100% do controle de qualidade e começamos bem tímidos. Não usamos agrotóxicos e estamos em busca da certificação de orgânico", explica Grin. A empresa trabalha com quatro produtos (mix de raízes, mix de batatas-doces, mix de batata-doce palha e chips de cará) e planeja expandir a linha ofertada ao consumidor.

Snacks saudáveis
Reprodução
Roots to Go

A ideia de criar a Roots to Go, por exemplo, foi do empresário Felipe Dorf. Com intolerância a lactose, milho e trigo, ele foi buscar alternativas para se alimentar, mas não encontrou muitas opções. Dorf decidiu, então, empreender - pesquisou e produziu o próprio salgadinho. 

A empresa ganhou David Sinder como sócio e responsável pela produção ao lado de Dorf. Grin cuida da parte comercial. A proposta da Roots to Go chamou a atenção de Marcelo Cesana, Fábio Schop e Rogério de Oliveira, sócios da Frooty Açaí - o trio de empreendedores experientes investiu recentemente no negócio e a expectativa, para 2015, é faturar R$ 2 milhões e saltar para R$ 6 milhões no ano que vem.

"Sentimos que todos os compradores estão mais receosos com a crise, mas como nossos produtos são exclusivos e uma novidade no Brasil, a introdução acaba sendo mais fácil. Além disso, nossa empresa nasceu em uma época em que a crise já assombrava o mercado, então, fomos e estamos sendo cautelosos em relação ao aumento de custos no geral", destaca Grin. Atualmente, as exportações representam 40% do faturamento e os sócios enxergam um grande potencial nas vendas internacionais.

Nova linha. Outra empresa que notou o potencial dos salgadinhos saudáveis foi a Fhom, de São Caetano do Sul. Criada há 21 anos pelo casal Maria e Fabian Aurélio Vidoz, a Fhom já é conhecida pelas linhas de torradas e croutons, pela marca Bem Orgânico e por conta do fornecimento para marcas próprias. "O lançamento de produtos saudáveis acompanham o novo consumidor, que busca opções diferentes que tragam prazer e 'saudabilidade' no consumo", afirma Fabian Vidoz.

A novidade para este ano foi a linha Veg com mix de batatas-doces, batata-doce chips e mandioquinha com batata-doce, que exigiu o investimento de R$ 600 mil em equipamentos e tecnologia para garantir a produção. De acordo com Vidoz, a ideia é aumentar a produção da linha Veg sem perder a qualidade. "Temos um mercado com grande potencial. Não é apenas o frequentador de academia, queremos ampliar esse mercado para todo mundo", finaliza.

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