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Negócios| 25 de fevereiro de 2015 | 7h 07

Redes médias de hamburgueria não querem nem saber de franquias

Proposta é crescer com recursos próprios, sem pressa e sem descuidar da qualidade que marcas como América obtiveram

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

Com tantas franquias em atividade no setor de alimentação, é de se estranhar quando uma marca decide expandir sem considerar o franchising no plano de negócios. Chama ainda mais a atenção quando essa não é a opção de uma rede, mas sim de um grupo delas, todas de médio porte e concorrentes com origem em São Paulo.

Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Paulo Alves, do América, que não pensa em franquia em não quer crescer para fora de SP

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As redes América, Lanchonete da Cidade e The Fifties têm algumas semelhanças. Apostam no hambúrguer como carro-chefe do cardápio, representando de 60% a 80% das vendas, e resguardam a operação de alguns riscos com o objetivo claro de fugirem da disputa com as empresas de fast-food.

Um desses cuidados é justamente expandir com recursos próprios, ou de sócios-investidores escolhidos justamente para custear o avanço. Com um mix de produtos mais ‘sofisticado’ e um posicionamento que justifique preços de 50% a 80% mais altos que os praticados no Bob’s ou Burger King, por exemplo, essas empresas não acreditam na franquia como forma de replicar o modelo de negócios que as fez conhecidas.

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Paulo Alves, que dirige a rede de restaurantes América, justifica a opção como a única possível. A hamburgueria, que também vende massas, foi lançada na década de 80 por quatro empresários de São Paulo e sempre investiu na receita de casual dinning, com porções fartas e um desembolso médio de até R$ 50. No ano 2000, pressionada para crescer, teve de procurar dinheiro no mercado. Foi quando a rede negociou 50% de participação com um grupo de empresários que também detém as operações da rede Graal, choperia Pinguim e Barbacoa.

“A entrada do novo sócio foi fundamental para a expansão da rede”, conta Alves, que foi escalado para gerir a operação. “Hoje são 16 unidades, todas na Grande São Paulo”, conta ele, que reforça o apelo regional da marca. “Nunca iremos sair de São Paulo. Não vale a pena o movimento, que envolveria um custo muito alto.”

Neste momento, o América planeja de quatro a cinco novos restaurantes para os próximos cinco anos. Mas, mesmo suportado por um grupo muito bem capitalizado, esbarra nos custos que envolvem uma nova unidade. “Cada restaurante nosso custa em média R$ 5 milhões e demora de cinco a sete anos para obter o retorno sobre o investimento. Se fosse franquear esse modelo, teria de reduzir bastante o capital inicial e encurtar o tempo de retorno. Não vejo como fazer isso tudo sem diminuir ou prejudicar a marca.”

O plano do América em certo grau é o mesmo da rede The Fifties, outra hamburgueria paulistana que precisou de injeção de capital externo para movimentar seu plano de crescimento.

Em 2010, a rede foi adquirida pelo fundo de investimentos norte-americano Laço Management (o mesmo que em 2012 comprou do empresário Robinson Shiba participação da TrendFoods, dona das marcas China in Box, Brevità, Gendai e Owan). De lá para cá, o The Fifties tem encampado um processo vigoroso de crescimento, chegando atualmente a 29 lanchonetes pelo Brasil.

Diferença. A proposta é ambiciosa e, é justamente aí que ela se distancia da Lanchonete da Cidade, a menina dos olhos no portfólio da Cia. Tradicional de Comércio, holding formada por um grupo de seis empreendedores que detêm os bares Pirajá, Astor, as pizzarias Bráz, entre outros negócios.

Lançada em 2004, hoje são cinco unidades. Para atender um consumidor mais exigente, a rede tem certos cuidados com seu hambúrguer, como a estratégia de não implementar uma cozinha central e montar um miniaçougue em cada unidade mantida pelos empresários. “Todo dia a gente corta e mói as carnes que vão compor nossos hambúrgueres”, conta Ricardo Garrido, sócio da Cia. Tradicional de Comércio. Por mês, as cinco unidades da lanchonete recebem 70 mil clientes, que gastam, em média, R$ 50 cada.

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